Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107281
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - QM 2018
Na Capitania de Minas, nos anos 1735-1749, os libertos representavam menos de 1,4% da população de descendência africana e, em torno de 1786, passaram a ser 41,4% dessa população e 34% do número total de habitantes da capitania.(Boris Fausto, História do Brasil. Adaptado)Para Fausto, a hipótese mais provável para explicar esse fenômeno encontra-se
Ana ação da Igreja em Minas Gerais de defesa da ampliação das alforrias concedidas aos escravizados nascidos no Brasil.
Bna forte transferência de capitais oriundos da exploração aurífera para a produção cafeeira na cidade do Rio de Janeiro.
Cna maior produtividade do trabalho livre, em relação ao escravizado, na exploração das minas de ouro subterrâneas.
Dna progressiva decadência da mineração que tornou desnecessária ou impossível, para muitos proprietários, a posse de escravos.
Ena legislação portuguesa de meados do século XVIII, que garantiu aos escravizados o direito à compra da própria liberdade.
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GabaritoD — na progressiva decadência da mineração que tornou desnecessária ou impossível, para muitos proprietários, a posse de escravos.
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O aumento de libertos em Minas Gerais no século XVIII
Gabarito: letra D. Boris Fausto atribui o expressivo crescimento da população liberta na Capitania de Minas entre 1735-1749 e 1786 à progressiva decadência da mineração, que tornou desnecessária ou impossível a posse de escravos para muitos proprietários. Essa é a hipótese mais provável apresentada pelo historiador, conforme consta na obra História do Brasil.
A questão exige compreender o contexto do ciclo do ouro em Minas Gerais e suas consequências demográficas e sociais. A mineração atingiu seu auge nas primeiras décadas do século XVIII, mas, a partir de meados do século, entrou em declínio devido ao esgotamento das jazidas de aluvião e à dificuldade de exploração das minas subterrâneas. Esse processo levou muitos proprietários a não terem mais condições de manter seus escravos, resultando em um aumento significativo de alforrias e, consequentemente, de libertos.
Vamos analisar cada alternativa:
Alternativa
Descrição
Correta?
Justificativa
A
Ação da Igreja em Minas Gerais de defesa da ampliação das alforrias concedidas aos escravizados nascidos no Brasil.
❌
Embora a Igreja tenha incentivado alforrias em alguns momentos, não há evidências de que sua ação tenha sido o motor principal do fenômeno descrito. A hipótese de Fausto não se apoia na atuação eclesiástica.
B
Forte transferência de capitais oriundos da exploração aurífera para a produção cafeeira na cidade do Rio de Janeiro.
❌
A transferência de capitais da mineração para a cafeicultura ocorreu principalmente no século XIX, após a independência, e não no período colonial focalizado (final do século XVIII). O café só se tornou o principal produto de exportação brasileiro a partir de 1830-1840.
C
Maior produtividade do trabalho livre, em relação ao escravizado, na exploração das minas de ouro subterrâneas.
❌
A produtividade do trabalho livre em relação ao escravo não é o eixo da explicação de Fausto. Além disso, a exploração de minas subterrâneas realmente exigia mais trabalhadores, mas a decadência da atividade fez com que muitos escravos fossem liberados, não porque o trabalho livre era mais produtivo, mas porque a mineração deixou de ser lucrativa.
D
Progressiva decadência da mineração que tornou desnecessária ou impossível, para muitos proprietários, a posse de escravos.
✅
Esta é a hipótese central de Boris Fausto: a crise da mineração tornou a manutenção de escravos inviável para muitos senhores, que passaram a conceder alforrias em massa. Isso explica o salto de menos de 1,4% para 41,4% de libertos entre a população de descendência africana.
E
Legislação portuguesa de meados do século XVIII, que garantiu aos escravizados o direito à compra da própria liberdade.
❌
Não há evidências de que a legislação portuguesa tenha sido o motor principal do fenômeno descrito. A hipótese de Fausto não se apoia nesse fator legal.
1Auge da mineração
2Esgotamento das jazidas
3Decadência da atividade
4Alforrias em massa
5Aumento de libertos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Embora a Igreja tenha, em alguns momentos, incentivado alforrias, não há evidências de que sua ação tenha sido o motor principal do fenômeno descrito. A hipótese de Fausto não se apoia na atuação eclesiástica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A transferência de capitais da mineração para a cafeicultura ocorreu principalmente no século XIX, após a independência, e não no período colonial focalizado (final do século XVIII). O café só se tornou o principal produto de exportação brasileiro a partir de 1830-1840.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A produtividade do trabalho livre em relação ao escravo não é o eixo da explicação de Fausto. Além disso, a exploração de minas subterrâneas realmente exigia mais trabalhadores, mas a decadência da atividade fez com que muitos escravos fossem liberados, não porque o trabalho livre era mais produtivo, mas porque a mineração deixou de ser lucrativa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a hipótese central de Boris Fausto: a crise da mineração tornou a manutenção de escravos inviável para muitos senhores, que passaram a conceder alforrias em massa. Isso explica o salto de menos de 1,4% para 41,4% de libertos entre a população de descendência africana em cerca de cinco décadas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não houve uma legislação portuguesa específica em meados do século XVIII que garantisse o direito de compra da própria liberdade. A alforria era uma prática costumeira e dependia da vontade do senhor. A legislação existente (como as Ordenações Filipinas) tratava da escravidão, mas não estabelecia esse direito de forma ampla.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar seduzir o candidato com a alternativa E, que menciona uma legislação garantidora de direitos aos escravos — algo que parece progressista e atraente, mas que não encontra respaldo histórico para o período e tampouco é a hipótese de Fausto. Fique atento: a resposta correta está diretamente ligada ao declínio econômico da mineração, um processo estrutural.
PEGA ESSA DICA!
Sempre relacione as transformações demográficas e sociais brasileiras aos ciclos econômicos. O aumento de libertos em Minas está para a decadência do ouro assim como o aumento de mão de obra livre no café esteve para a abolição e a imigração no século XIX. Memorize a lógica: crise do ciclo → liberação de escravos.
Gabarito: letra D — a decadência da mineração explica o fenômeno.