Independência do Brasil: caráter dual (liberal e conservador)
Gabarito: letra D. Schwarcz e Starling caracterizam a emancipação brasileira como um movimento ao mesmo tempo liberal (por romper com a dominação colonial) e conservador (por manter a monarquia, o sistema escravocrata e o domínio senhorial). Essa interpretação é clássica na historiografia: a independência foi conduzida pela elite agrária, sem ruptura social ou econômica, preservando as estruturas do Antigo Regime adaptadas ao novo quadro político.
O texto do enunciado reforça essa visão ao afirmar que a emancipação "não deixou de ser particular e trivial" e que reflete tensões da crise do sistema colonial e do absolutismo — ou seja, não uma revolução, mas um rearranjo conservador das elites.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a independência foi resultado da ação dos "liberais radicais". Historicamente, os setores radicais (como os envolvidos na Confederação do Equador de 1824) foram reprimidos. O processo foi liderado por setores moderados e conservadores da elite, interessados em manter a ordem social e a escravidão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere que o "Partido Brasileiro", comandado pela elite do Norte-Nordeste, impôs a D. Pedro a proclamação. Embora existisse o Partido Brasileiro (grupo favorável à independência sob liderança de D. Pedro), seu centro era o Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo), e o processo envolveu negociações e pressões, não uma simples imposição regional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Menciona interesses "antimonárquicos" e "antiliberais" que defenderiam a extinção progressiva da escravidão. A independência manteve a monarquia e a escravidão — esta só seria abolida em 1888. Setores antimonárquicos eram minoritários e não tiveram protagonismo em 1822.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente como apontam as autoras: rompeu com o vínculo colonial (caráter liberal) mas preservou a monarquia, a escravidão e a estrutura senhorial (caráter conservador). É a síntese que o texto do enunciado sustenta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que foi a forma "mais segura e pacífica" de romper laços coloniais e "garantir a independência econômica". Na verdade, houve conflitos armados (Guerra da Independência na Bahia, no Maranhão e no Pará) e a dependência econômica continuou, agora com a Inglaterra (Tratados de 1810, renovados em 1825).
Gabarito: letra D.