Questão de História — Ocupação de novos territórios: Colonialismo — VUNESP 2025
História›Ocupação de novos territórios: Colonialismo
Código
vu107327
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - QM 2019
No século XVIII, o conceito laico de “civilização” complementa os benefícios pretensamente recebidos pelo africano na América. Nas polaridades paganismo/evangelização e barbárie/civilização, o argumento ideológico tem o mesmo feitio: o tráfico negreiro continua sendo apresentado como a via de passagem que carrega o indivíduo do pior para o menos ruim. Da natureza nativa cercada da propalada morte para a comunidade ultramarina aberta à alegada redenção espiritual.(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. Adaptado)O excerto revela
Ao descaso africano com o destino dos seus povos.
Ba natureza civilizada das sociedades africanas.
Co continente americano menos marcado pela barbárie do que o africano.
Da manifesta oposição europeia ao trabalho compulsório.
Euma parte do processo de legitimação do tráfico negreiro.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — uma parte do processo de legitimação do tráfico negreiro.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ideologia colonial e legitimação do tráfico negreiro
Gabarito: letra E. O excerto de Alencastro mostra como o conceito laico de "civilização" foi usado para revestir o tráfico negreiro de uma pretensa função redentora – transferindo o africano da barbárie para um suposto caminho de salvação espiritual e civilizatória. Trata-se de um mecanismo ideológico que justificava a escravidão e o comércio de pessoas, ou seja, uma parte do processo de legitimação do tráfico negreiro.
O texto destaca que, tanto na polaridade paganismo/evangelização quanto na de barbárie/civilização, o argumento tem o mesmo feitio: apresentar o tráfico como uma via de passagem do pior para o menos ruim. Isso não reflete a realidade nem a visão dos africanos, mas sim a justificativa europeia para manter o sistema escravista.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o excerto revela "descaso africano com o destino dos seus povos". O texto não aborda a atitude dos africanos; ele analisa o discurso ideológico europeu. O descaso ou a resistência africana não são o foco do trecho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o excerto revela "a natureza civilizada das sociedades africanas". Pelo contrário, o autor mostra que os europeus usavam a ideia de barbárie africana para justificar o tráfico. O texto não defende a existência de uma civilização africana; ele critica a falsa oposição imposta pelo colonizador.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere que o continente americano era "menos marcado pela barbárie do que o africano". Essa é exatamente a visão ideológica que o autor denuncia. O excerto aponta que o discurso colocava a América como espaço de redenção, mas não endossa essa hierarquia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que o excerto revela "a manifesta oposição europeia ao trabalho compulsório". O texto mostra justamente o oposto: os europeus criaram argumentos para justificar o trabalho compulsório (tráfico), e não para se opor a ele. A oposição ao tráfico existia, mas não é o que o excerto apresenta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O excerto é uma amostra clara de como o pensamento ilustrado do século XVIII forneceu justificativas ideológicas para o tráfico negreiro. O conceito laico de "civilização" operou como um complemento à missão evangelizadora, ambos servindo para naturalizar a escravidão e o comércio de africanos. Assim, a passagem revela uma peça do processo de legitimação do tráfico negreiro.
PEGA ESSA DICA!
Questões sobre ideologia colonial costumam cobrar a diferença entre o discurso justificador e a realidade histórica. O aluno deve perceber que o texto não descreve fatos objetivos, mas sim argumentos usados para manter o sistema escravista. Na prova, leia com atenção se a alternativa reflete o ponto de vista do autor ou o discurso criticado.