Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107328
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - QM 2019
Em contrapartida ao intercâmbio direto das conquistas com a Metrópole, carreiras bilaterais vinculam diretamente o Brasil à África Ocidental. No século XVIII, quando as estatísticas passam a ser mais acuradas, se verifica que apenas 15% dos navios entrados no porto de Luanda vinham da Metrópole. Todo o resto da navegação para Angola saía do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife.(Luiz Felipe de Alencastro, O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. Adaptado)O contexto apresentado pelo fragmento demonstra
Ao descuido de Portugal com seus domínios na África, manifestado por meio da decadência do comércio de escravizados.
Ba influência africana no modelo colonial português, que incluía a liberdade comercial e a autonomia político-administrativa.
Co controle do Império português sobre o comércio colonial, por meio do exclusivo metropolitano, mantido com sucesso durante o século XVIII.
Da modificação do sistema colonial, em razão dos interesses luso-brasileiros nas áreas escravistas sul- -americanas e nos portos africanos ligados ao tráfico negreiro.
Ea estratégia portuguesa para controlar o monopólio das atividades comerciais que envolviam os negócios com escravizados.
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GabaritoD — a modificação do sistema colonial, em razão dos interesses luso-brasileiros nas áreas escravistas sul- -americanas e nos portos africanos ligados ao tráfico negreiro.
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O tráfico negreiro e a reorientação do sistema colonial no século XVIII
Gabarito: letra D. O fragmento de Luiz Felipe de Alencastro demonstra que, no século XVIII, a maioria do tráfico negreiro com Angola não passava pela Metrópole, mas sim diretamente dos portos brasileiros (Rio de Janeiro, Bahia, Recife). Esse dado indica uma modificação do sistema colonial, no qual os interesses luso-brasileiros reorientaram as rotas comerciais, afastando-se do exclusivo metropolitano tradicional.
A questão explora a compreensão da dinâmica do tráfico atlântico e as transformações do pacto colonial no Setecentos. A chave está em perceber que o “exclusivo metropolitano” foi sendo flexibilizado na prática, com o Brasil assumindo papel central no comércio de escravizados com a África.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que houve “descuido de Portugal” e “decadência do comércio de escravizados”. O texto mostra justamente o contrário: o comércio era intenso, mas reorientado. Portugal não descuidou, mas permitiu (ou não conseguiu evitar) que o tráfico se concentrasse nas mãos de comerciantes brasileiros. O erro é interpretar a mudança como decadência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere “autonomia político-administrativa” e “liberdade comercial” como influência africana. O fragmento não menciona autonomia política; apenas aponta o fluxo econômico. A colônia brasileira não tinha autonomia formal, e a influência africana no modelo colonial não se confunde com liberdade comercial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Defende o “controle do Império português sobre o comércio colonial por meio do exclusivo metropolitano mantido com sucesso”. O dado de que apenas 15% dos navios vinham da Metrópole refuta a ideia de sucesso do exclusivo. O controle metropolitano estava, na prática, enfraquecido.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Aponta a “modificação do sistema colonial, em razão dos interesses luso-brasileiros nas áreas escravistas sul-americanas e nos portos africanos ligados ao tráfico negreiro”. É exatamente o que o fragmento evidencia: os portos brasileiros tornaram-se os principais parceiros comerciais de Angola, demonstrando uma reorientação do sistema colonial para atender aos interesses dos colonos e comerciantes luso-brasileiros.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Fala em “estratégia portuguesa para controlar o monopólio”. O texto mostra o oposto: o controle metropolitano era frágil. Não houve estratégia bem-sucedida de monopólio; na prática, o tráfico era dominado pelos portos brasileiros.
Conclusão: A alternativa D é a única que capta a essência do fragmento: a alteração das relações coloniais no século XVIII, com o Brasil assumindo papel central no tráfico negreiro, em detrimento do exclusivo metropolitano.
PEGA ESSA DICA!
Em questões que envolvem tráfico negreiro e sistema colonial, atente para a direção dos fluxos comerciais. A presença de portos brasileiros como principais interlocutores com a África indica a fragilidade do pacto colonial e a força dos interesses locais.