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Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025

HistóriaHistória do Brasil
Código
vu107353
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - QM 2020
Observe o texto a seguir.A revolta anti-holandesa nordestina se apresenta como um levante promovido por um bando de caloteiros. Disse-o ali na bucha o padre Antônio Vieira, num parecer encomendado pela Coroa em 1648: “Os principais moradores que moveram a guerra contra a Companhia das Índias Ocidentais em Pernambuco foi porque tinham tomado muito dinheiro aos holandeses, e não puderam, ou não quiseram, pagar”.(ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Adaptado)O problema do endividamento dos senhores de engenho esteve relacionado
  1. Aaos custos da terra no contexto de ampliação das propriedades.
  2. Bàs dificuldades impostas pelos holandeses no comércio do açúcar.
  3. Cà tentativa de financiar uma ação armada contra os holandeses.
  4. Dà crise do açúcar entre o final do século XVI e o início do XVII.
  5. Eao hábito de comprar negros escravizados a prazo com juros.
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GabaritoE — ao hábito de comprar negros escravizados a prazo com juros.

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Endividamento dos senhores de engenho e a Insurreição Pernambucana

Gabarito: letra E. O endividamento dos senhores de engenho estava diretamente relacionado à compra de negros escravizados a prazo com juros, como sugere o texto de Luiz Felipe de Alencastro. A revolta anti-holandesa (Insurreição Pernambucana, 1645-1654) foi motivada, em parte, pela recusa dos devedores em saldar suas dívidas contraídas com a Companhia das Índias Ocidentais para aquisição de mão de obra escrava. O próprio padre Antônio Vieira, em parecer de 1648, afirma que os principais moradores moveram a guerra porque "tinham tomado muito dinheiro aos holandeses, e não puderam, ou não quiseram, pagar". Esse dinheiro era usado, no contexto colonial, para comprar escravos a crédito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre causa e consequência. As alternativas B e D parecem corretas à primeira vista, pois os holandeses realmente impunham dificuldades e o açúcar passou por crises, mas o texto deixa claro que o endividamento precedeu a revolta e era fruto de empréstimos para a compra de escravos. O aluno deve atentar para a citação direta de Vieira: o dinheiro foi tomado antes do conflito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa vincula o endividamento aos custos da terra no contexto de ampliação das propriedades. O texto não menciona custos fundiários; a dívida referida é com os holandeses, não com a aquisição de terras.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que as dificuldades impostas pelos holandeses no comércio do açúcar causaram o endividamento. Na verdade, os holandeses eram os credores — a dívida foi contraída com eles, e não por dificuldades comerciais posteriores. A insatisfação com o controle holandês do comércio açucareiro foi um fator da revolta, mas o endividamento era anterior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que a dívida serviu para financiar uma ação armada contra os holandeses. O texto de Vieira afirma o contrário: a guerra foi movida porque os moradores não queriam pagar o que deviam. A dívida não foi para financiar a revolta, mas sim para comprar escravos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Atribui o endividamento à crise do açúcar entre o final do século XVI e início do XVII. Embora tenha havido crises, o período da Insurreição Pernambucana (meados do século XVII) foi de auge da produção açucareira no Nordeste, e o texto não associa a dívida a uma crise anterior.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está de acordo com o texto e o contexto histórico. Os senhores de engenho compravam escravos a prazo dos holandeses, que financiavam o tráfico e a produção. Quando a dívida se tornou impagável, muitos preferiram aderir à revolta para se livrar dos credores. A citação de Vieira — "tomaram muito dinheiro aos holandeses" — é a chave para essa interpretação.

Gabarito oficial: letra E.

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