Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107354
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - QM 2020
Considere o texto a seguir.A ruptura de 1808 não será tão radical como se tem dito e escrito: ainda se movia no oceano o braço brasilianizado do sistema colonial: a rede de importação de mão-de-obra cativa, o tráfico negreiro. Depois de 1850, o mercado de trabalho nacional continua dependente, nos seus setores dinâmicos, do trato de imigrantes europeus, levantinos e asiáticos. Só nos anos 1930-40 a reprodução ampliada de força de trabalho passa a ocorrer inteiramente no interior do território nacional. Essa é a variável de longa duração que apreende a formação do Brasil nos seus prolongamentos internos e externos.(ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. Adaptado)O autor relativiza a ruptura de 1808, pois depois da abertura dos portos o Brasil
Asubstituiu Portugal na sua centralidade na relação com outros continentes e territórios coloniais.
Bmanteve-se ligado à África com um mercado de trabalho que permaneceu desterritorializado.
Cinvestiu nas suas relações comerciais com a França, rompendo com a lógica colonial portuguesa.
Dsustentou uma política de expansão comercial em direção a outros povos e territórios.
Econtinuou inserido na economia global capitalista, agora como uma economia central.
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GabaritoB — manteve-se ligado à África com um mercado de trabalho que permaneceu desterritorializado.
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A ruptura de 1808 e suas continuidades
Gabarito: letra B. O texto de Luiz Felipe de Alencastro relativiza a ruptura de 1808 ao destacar que o Brasil manteve sua ligação com a África por meio do tráfico negreiro ("ainda se movia no oceano o braço brasilianizado do sistema colonial: a rede de importação de mão-de-obra cativa") e, após 1850, continuou dependente de imigrantes estrangeiros, configurando um mercado de trabalho "desterritorializado" – isto é, não plenamente interno ao país até os anos 1930-40.
O trecho central do texto é: "A ruptura de 1808 não será tão radical como se tem dito e escrito: ainda se movia no oceano o braço brasilianizado do sistema colonial: a rede de importação de mão-de-obra cativa, o tráfico negreiro." Essa afirmação mostra que, mesmo com a abertura dos portos, o Brasil continuava atrelado ao sistema escravista atlântico, o que contradiz a ideia de uma ruptura completa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A sugere que o Brasil substituiu Portugal na centralidade das relações com outros continentes. No entanto, o texto não afirma isso; pelo contrário, mostra que o Brasil ainda era parte de um sistema colonial ("braço brasilianizado do sistema colonial") e não uma potência central.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B capta exatamente a tese do autor: o Brasil permaneceu ligado à África (tráfico negreiro) e o mercado de trabalho continuou desterritorializado, ou seja, dependente de mão de obra importada (escravos africanos, depois imigrantes). Isso é comprovado pelas frases: "ainda se movia no oceano o braço brasilianizado do sistema colonial: a rede de importação de mão-de-obra cativa" e "o mercado de trabalho nacional continua dependente, nos seus setores dinâmicos, do trato de imigrantes europeus, levantinos e asiáticos."
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C menciona relações com a França, o que não é abordado no texto. O texto não cita a França e, além disso, não há indício de rompimento com a lógica colonial portuguesa – pelo contrário, o autor enfatiza a continuidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D fala em "expansão comercial em direção a outros povos e territórios", mas o texto não aborda uma política de expansão; o foco é a manutenção do tráfico e da dependência externa de mão de obra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o Brasil se tornou uma "economia central" no capitalismo global. O texto, entretanto, mostra que o Brasil ainda era periférico, dependente do fornecimento externo de força de trabalho (África e imigrantes), ou seja, uma economia ainda colonial.
NÃO CAIA NESSA!
O estudante pode achar que a abertura dos portos em 1808 representou uma ruptura total com o passado colonial, mas o autor justamente critica essa visão, evidenciando a permanência do tráfico de escravos e a dependência externa de mão de obra. Atenção ao termo "desterritorializado" – ele chave para entender que o mercado de trabalho não se reproduzia internamente.