Questão de História — História do Brasil — VUNESP 2025
História›História do Brasil
Código
vu107414
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - História - QM 2023
Leia o texto a seguir:No início do ano de 1798, na cidade de Salvador, amanheceu queimada a forca instalada no largo em que se erguia o Pelourinho — símbolo máximo do poder da Coroa portuguesa. O gesto era de desafio, contestava a autoridade política de Lisboa e dispensava justificações.Alguns meses depois, na manhã de 12 de agosto, a cidade acordou semeada de panfletos que pareciam vir de todo lugar e apanharam de surpresa população e autoridades. Os panfletos baianos surgiram nos pontos de maior circulação de pessoas.(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling, Brasil: uma biografia, 2015. Adaptado)As autoras, na obra citada, afirmam que a Conjuração Baiana
Ainspirou-se na Guerra dos Mascates, especialmente nos aspectos políticos, porque entendia que a questão central na luta contra o colonialismo era a formação de uma república democrática.
Brecebeu forte influência dos governos revolucionários girondinos e, dessa forma, defendia que os direitos políticos plenos deveriam ser oferecidos aos cidadãos que fossem proprietários.
Cconjugava propostas progressistas e conservadoras, porque propunha o rompimento dos laços coloniais e, ao mesmo tempo, defendia a formação de um governo central forte.
Dera radicalmente inovadora, porque propunha a inclusão de indivíduos desiguais em termos sociais e econômicos, com interesses opostos e, eventualmente, muito distintos uns dos outros.
Etinha uma série de marcas paradoxais, já que propunha a imediata abolição do trabalho compulsório, ao mesmo tempo em que não fazia a defesa do direito à liberdade do trabalho.
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GabaritoD — era radicalmente inovadora, porque propunha a inclusão de indivíduos desiguais em termos sociais e econômicos, com interesses opostos e, eventualmente, muito distintos uns dos outros.
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Conjuração Baiana (1798)
Gabarito: letra D. A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates, foi um movimento popular radical ocorrido em Salvador em 1798. Diferentemente de outras conspirações coloniais de elite, propunha a abolição da escravatura, a instauração de uma república democrática e a inclusão de indivíduos de diferentes camadas sociais – negros, mulatos, brancos pobres –, unindo interesses opostos contra a dominação portuguesa. Esse caráter inclusivo e inovador é o que as autoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling destacam no trecho citado.
O texto descreve a queima da forca (símbolo do poder colonial) e a divulgação de panfletos, evidenciando a contestação popular. A alternativa D capta exatamente essa essência: "radicalmente inovadora, porque propunha a inclusão de indivíduos desiguais em termos sociais e econômicos, com interesses opostos".
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a Conjuração Baiana inspirou-se na Guerra dos Mascates. Incorreto: a Guerra dos Mascates (1710-1711) foi um conflito entre comerciantes de Recife e Olinda, sem relação com as ideias republicanas e antiescravistas de 1798. A Conjuração Baiana foi influenciada pela Revolução Francesa e pelo Iluminismo, não por conflitos regionais anteriores.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que recebeu forte influência dos girondinos e defendia direitos políticos apenas para proprietários. Na verdade, o movimento foi inspirado pelos jacobinos (ala radical da Revolução Francesa) e propunha igualdade para todos, inclusive negros e pobres. A defesa de direitos plenos apenas para proprietários é característica dos girondinos, não da Conjuração Baiana.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a conjuração conjugava propostas progressistas e conservadoras, defendendo um governo central forte. O movimento era essencialmente progressista: queria romper com Portugal, abolir a escravidão e estabelecer uma república. A defesa de governo central forte não consta entre suas propostas; pelo contrário, pregava maior autonomia popular.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Expressa com precisão o caráter inovador da Conjuração Baiana: a inclusão de "indivíduos desiguais em termos sociais e econômicos, com interesses opostos". O movimento agregou alfaiates, negros livres e escravizados, mulatos e brancos pobres, todos unidos contra a opressão colonial – algo radical para a época.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que o movimento tinha marcas paradoxais, propondo abolição do trabalho compulsório mas não defendendo liberdade de trabalho. Isso é contraditório com a realidade: a Conjuração Baiana defendia sim a liberdade de trabalho e o fim da escravatura, sem paradoxo. O erro está em inventar uma suposta incoerência.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tentação de associar a Conjuração Baiana a movimentos mais conhecidos (Guerra dos Mascates, Inconfidência Mineira) ou a ideologias moderadas (girondinos), quando, na verdade, seu diferencial é o radicalismo popular e a inclusão social. Lembre-se: a Conjuração Baiana foi a mais radical das conspirações coloniais brasileiras, envolvendo as camadas mais baixas da sociedade.