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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
vu107896
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa - Promoção do QM 2022
A capacidade de sonhar

        Parte dos brasileiros parece ter perdido a capacidade de sonhar; ou decidiu reprimir sua capacidade de alegrar-se. A economia até pode ir bem, às vezes bem melhor do que o previsto, mas tudo parece ruim, e piorando. O Produto Interno Bruto (PIB) ilustra esse fenômeno perturbador e de impacto político poderoso.

        Em dezembro de 2023, a previsão dominante entre centenas de operadores do mercado financeiro semanalmente consultados pelo Banco Central para seu boletim Focus era a de que em 2024 o PIB cresceria 1,5% ou, na melhor das hipóteses, 1,51%. A realidade foi mais radiante. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB aumentou 3,4% em 2024, mais do que o dobro das projeções. Alguma retratação, alguma celebração? Nenhuma. Apenas a ressalva de que, daqui para a frente, tudo vai piorar. 

        As previsões dominantes para 2025 são de crescimento de 2% ou, segundo o Banco Central, de 2,3%. É menos do que o resultado dos quatro anos anteriores. Mas isso será tão ruim a ponto de nos preocupar? Se o crescimento for, digamos, de 2,3% em 2025, o PIB brasileiro terá crescido 9,2% nos três primeiros anos desse governo, o que resulta, numa conta grosseira, em cerca de 3% ao ano. Nada mal, se levarmos em conta que o crescimento anual médio do período de 40 anos até 2022 foi de menos de 2,5% ao ano.

         Um dado que indica mudança expressiva nas condições de vida da população é o PIB per capita. No ano passado, esse indicador cresceu 3% em valores reais, alcançando R$ 55.247, um recorde da série histórica do IBGE, superando o resultado de 2013. Como lembrou a ministra do Planejamento, isso “significa aumento da renda média do brasileiro”.

        Mas a persistência de problemas como a brutal desigualdade de renda, o imenso número de brasileiros que vivem em habitações inadequadas, o tamanho e a resistência do mercado de trabalho informal, a baixa produtividade geral da economia, a carência de mão de obra preparada para as grandes inovações e transformações do sistema produtivo em escala mundial nos deprime. E a comida ficou mais cara. Mesmo assim, não podemos abandonar os sonhos, deixar de almejar um futuro melhor. Crescimento da economia é base para isso.

(Jorge J. Okubaro, 11.03.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br. Adaptado)
Com base em Ingedore Grunfeld Villaça Koch (Desvendando os segredos do texto, 2018), o termo destacado corresponde a um articulador discursivo-argumentativo introduzindo relação de disjunção argumentativa em:
  1. AParte dos brasileiros parece ter perdido a capacidade de sonhar; ou decidiu reprimir sua capacidade de alegrar-se. (1º parágrafo)
  2. BMesmo assim, não podemos abandonar os sonhos, deixar de almejar um futuro melhor. Crescimento da economia é base para isso. (5º parágrafo)
  3. CSe o crescimento for, digamos, de 2,3% em 2025, o PIB brasileiro terá crescido 9,2% nos três primeiros anos... (3º parágrafo)
  4. DA economia até pode ir bem, às vezes bem melhor do que o previsto, mas tudo parece ruim, e piorando. (1º parágrafo)
  5. EAs previsões dominantes para 2025 são de crescimento de 2% ou, segundo o Banco Central, de 2,3%. (3º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Parte dos brasileiros parece ter perdido a capacidade de sonhar; ou decidiu reprimir sua capacidade de alegrar-se. (1º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Articulador de disjunção argumentativa

Gabarito: letra A. A questão cobra o reconhecimento do "ou" como articulador discursivo-argumentativo que introduz uma disjunção argumentativa — não uma simples listagem de opções, mas a apresentação de duas alternativas que reforçam um mesmo ponto de vista. Em A, o "ou" liga duas possibilidades igualmente negativas (perdeu a capacidade de sonhar ou decidiu reprimir a alegria), ambas sustentando a tese de que algo vai mal. As demais alternativas usam conectivos com outras funções.

A análise de cada alternativa

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Parte dos brasileiros parece ter perdido a capacidade de sonhar; ou decidiu reprimir sua capacidade de alegrar-se."

O "ou" aqui não é uma mera enumeração; ele apresenta duas causas/explicações alternativas para o mesmo fenômeno (o pessimismo). Ambas as opções caminham na mesma direção argumentativa: o brasileiro está privado de algo positivo. Isso caracteriza a disjunção argumentativa, em que as alternativas são postas como igualmente válidas para sustentar uma conclusão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Mesmo assim, não podemos abandonar os sonhos..."

O termo destacado é "Mesmo assim", uma locução concessiva (ou de contraste), não disjuntiva. Indica que, apesar dos problemas, devemos manter os sonhos. Nenhuma relação de disjunção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Se o crescimento for, digamos, de 2,3% em 2025..."

"Se" é conjunção condicional. Introduz uma hipótese, não uma alternativa argumentativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"...mas tudo parece ruim, e piorando."

"Mas" é conjunção adversativa. Marca oposição entre a ideia de que a economia vai bem e a percepção negativa. Não há disjunção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"As previsões dominantes para 2025 são de crescimento de 2% ou, segundo o Banco Central, de 2,3%."

Aqui o "ou" é uma disjunção simples (enumeração de dados numéricos). Não há força argumentativa: os dois percentuais são apenas possibilidades objetivas, não alternativas que sustentam uma tese. A banca confunde disjunção informativa com disjunção argumentativa.

"ou" como articulador
  • 1Disjunção argumentativa
    • Alternativas reforçam mesma tese
    • Ex.: perdeu sonhar OU reprimiu alegria
  • 2Disjunção simples (informativa)
    • Enumeração de opções objetivas
    • Ex.: 2% OU 2,3%
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!

A banca insere um "ou" na letra E que parece semelhante, mas é apenas uma alternativa entre números, sem peso argumentativo. A diferença está no contexto: em A, as opções são qualitativas e servem ao mesmo raciocínio; em E, são quantitativas e neutras.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar disjunção argumentativa, pergunte-se: as alternativas contribuem para a mesma linha de raciocínio (tese)? Se sim, é argumentativa; se apenas listam possibilidades, é simples.

Gabarito: letra A.

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