Questão de Literatura — Escolas Literárias — VUNESP 2025
LiteraturaEscolas Literárias
- Código
- vu107921
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- SEDUC-SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa - Promoção do QM 2022
Sobre o Barroco, Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira, 2015) faz as seguintes considerações:
- AA paisagem e os objetos afetam o homem dessa época pela multiplicidade dos seus aspectos mais aparentes, logo cambiantes, com os quais a imaginação estética vai compondo a obra em função de analogias sensoriais. O orvalho e a pele clara podem valer pelo cristal; o sangue pelo cravo ou pelo rubi; o espelho pela água pura e pelo metal polido.
- BA correspondência faz-se íntima na poesia dos estudantes boêmios, vivendo na província uma existência doentia e artificial, desgarrada de qualquer projeto histórico e perdida no próprio narcisismo. Como seus ídolos europeus, nossos artistas exibem fundos traços de defesa e evasão, que os leva a posições regressivas, no plano da relação com o mundo e no das relações com o próprio eu.
- CImporta distinguir dois momentos ideais nessa literatura: a) o momento poético que nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do homem, refletidos através da tradição clássica e de formas bem definidas; b) o momento ideológico, que se impõe no meio do século, e traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.
- DResta ao escritor a religião da forma, a arte pela arte, que daria um sentido e um valor à sua vida cerceada. O supremo cuidado estilístico, a vontade de criar um objeto novo, imperecível, imune às pressões e aos atritos que desfazem o tecido da história humana originam-se e nutrem-se do mesmo fundo radicalmente pessimista que subjaz à ideologia do determinismo.
- EAs novas atitudes de espírito almejam a apreensão direta dos valores transcendentais, o Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado, e situam-se no polo oposto da ratio calculista e anônima. Não tentam, porém superá-la, pelo exercício de outra razão mais alta e dialética; as suas armas vão ser as da paixão e do sonho, forças incônscias que a Arte deveria suscitar magicamente.