Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2025
Português›Problemas da língua culta
Código
vu107932
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa - QM 2018
Tendo como referência Marcos Bagno (Preconceito linguístico, 2015), conclui-se corretamente que obras como a de Carolina Maria de Jesus apenas recentemente vêm se inserindo no contexto da sala de aula por causa da
Afalta de interesse da maioria dos alunos.
Bprevalência de um ideal linguístico conservador.
Cqualidade literária questionável dos textos.
Dausência de regulamentação que autorizasse.
Edificuldade de acesso a elas e de aquisição.
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GabaritoB — prevalência de um ideal linguístico conservador.
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Inserção tardia de obras de escrita não padrão na sala de aula
Gabarito: letra B. A conclusão correta, à luz de Marcos Bagno (Preconceito linguístico, 2015), é que a resistência à inclusão de obras como a de Carolina Maria de Jesus se deve à prevalência de um ideal linguístico conservador, que desvaloriza e estigmatiza variedades não cultas. O excerto de Quarto de despejo exemplifica justamente uma escrita que foge ao padrão culto, e Bagno argumenta que esse preconceito histórico tem mantido tais textos fora do ambiente escolar.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Falta de interesse da maioria dos alunos – O texto não menciona interesse discente, e Bagno não atribui a exclusão a esse fator. A causa é o preconceito institucional, não a receptividade dos alunos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Prevalência de um ideal linguístico conservador – Exatamente o que Bagno denuncia: a escola tradicionalmente privilegia a norma culta e rejeita produções que se desviam desse padrão, como a de Carolina. O ideal conservador impõe um único modelo de língua “correta”, retardando a aceitação de outras variedades.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Qualidade literária questionável dos textos – Não há juízo negativo sobre a qualidade literária no texto nem em Bagno. Pelo contrário, Carolina de Jesus é reconhecida como escritora de valor; o problema é a forma linguística, não o conteúdo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Ausência de regulamentação que autorizasse – Nenhuma regulamentação é mencionada. A inclusão de obras na sala de aula depende de decisões pedagógicas, não de autorização legal específica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Dificuldade de acesso a elas e de aquisição – Embora o acesso possa ter sido limitado historicamente, a tese central de Bagno é o preconceito linguístico, não a escassez material. O texto de Carolina, inclusive, foi publicado e circulou; sua exclusão escolar deveu-se ao preconceito contra a variedade linguística usada.
PEGA ESSA DICA!
Questões que mencionam Bagno, Soares, Geraldi ou outros teóricos da sociolinguística costumam cobrar a oposição entre norma culta e variação. Lembre-se: o preconceito linguístico é a chave para entender por que certas obras ficaram de fora da escola.
Conclusão: A única alternativa que se alinha à teoria de Bagno e ao contexto da obra de Carolina de Jesus é a B.