Questão de Português — Variação Linguística — VUNESP 2025
Português›Variação Linguística
Código
vu107933
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa - QM 2018
Em sua obra, Marcos Bagno (Preconceito linguístico, 2015) propõe o que chama de dez cisões “para um ensino de língua não (ou menos) preconceituoso.” A cisão 4 diz respeito a “reconhecer que tudo o que a Gramática Tradicional chama de erro é na verdade um fenômeno que tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável. Se milhões de pessoas (cultas inclusive) estão optando por um uso que difere da regra prescrita nas gramáticas normativas é porque há alguma regra nova sobrepondo-se à antiga”.O ponto de vista apresentado aplica-se ao emprego do termo destacado em:
AA Dona Domingas recebe uma pensão do seu extinto esposo.
B... a Leila andava dizendo que consertava vidas.
C... e não paga e dá o nome trocado onde compra.
DQuando a Leila ficou sem casa foi morar com a Dona Domingas.
EExiste sim. Eu vi ela fazê.
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GabaritoE — Existe sim. Eu vi ela fazê.
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Aplicação da Visão de Bagno sobre Erro Linguístico
Gabarito: letra E. A única alternativa que apresenta um fenômeno de variação linguística tipicamente estigmatizado como "erro" pela Gramática Tradicional, mas que, segundo Bagno, possui explicação científica e representa uma regra emergente.
SE LIGUE NESSA!
O texto-base que gerou as frases não está disponível. A análise considera exclusivamente as alternativas fornecidas e a teoria de Bagno exposta no enunciado.
A tese de Bagno é clara: o que a Gramática Tradicional chama de "erro" é, na verdade, um fenômeno com explicação linguística — se milhões de pessoas (inclusive cultas) usam uma forma diferente da prescrita, é porque uma nova regra está se sobrepondo. Assim, a questão pede identificar em qual alternativa o "termo destacado" (a expressão que diverge da norma culta) exemplifica essa visão.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"A Dona Domingas recebe uma pensão do seu extinto esposo."
O uso de "extinto" por "falecido" é um desvio lexical pouco usual, mas não é um fenômeno de variação frequente nem tipicamente alvo de preconceito linguístico. Não se encaixa no argumento de Bagno sobre regras naturais da língua.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"... a Leila andava dizendo que consertava vidas."
"Consertava" é a forma correta do pretérito imperfeito do indicativo do verbo "consertar". Não há desvio da norma culta; a frase é perfeitamente gramatical.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"... e não paga e dá o nome trocado onde compra."
Trata-se de uma oração coordenada sindética e subordinada adverbial, ambas dentro do padrão normativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Quando a Leila ficou sem casa foi morar com a Dona Domingas."
Construção subordinada temporal padrão, sem marcas de oralidade ou desvio.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Existe sim. Eu vi ela fazê."
Aqui temos dois fenômenos típicos da fala coloquial brasileira: o uso do pronome reto "ela" como objeto direto (em vez de "a": "Eu a vi") e a redução do infinitivo "fazer" para "fazê" (queda do -r final). Ambos são amplamente condenados pela gramática normativa, mas ocorrem na fala de milhões de brasileiros, inclusive escolarizados. Bagno diria que não são erros, mas manifestações de regras internas da língua em evolução. Portanto, é a alternativa que melhor ilustra o ponto de vista apresentado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca insere alternativas "perfeitas" gramaticalmente (A-D) para que o candidato procure um erro evidente e talvez escolha uma delas por engano. A chave é reconhecer que Bagno defende que esses "erros" são, na verdade, variações linguísticas legítimas.
PEGA ESSA DICA!
Associe o conceito de "erro" em Bagno a marcas de oralidade e informalidade que a norma culta rejeita, como próclise inadequada, redução de infinitivo, concordância não padrão, etc.
Conclusão: A única alternativa que contém um termo que a Gramática Tradicional consideraria erro e que se enquadra na explicação de Bagno é a letra E.