Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
vu107973
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa - QM 2019
Tendo como referência a abordagem de Luiz Antônio Marcuschi (Produção textual, análise de textos e compreensão. 2008) sobre os processos de compreensão, é correto concluir que, caso o texto Um Brasil que não lê seja tratado como objeto de ensino na aula de língua portuguesa, é esperado que os alunos
Aentendam que a compreensão desse texto equivale a entender todas as suas palavras ou frases.
Bcompreendam a leitura desse texto como um processo que resulta em compressão definitiva e única.
Cconstruam compreensões variadas a partir desse texto, as quais não devem ser compatíveis necessariamente.
Dproduzam sentidos diversos com esse texto, considerando-se as variadas motivações de leitura.
Eextraiam os conteúdos prontos desse texto, pois o entendimento equivale à localização de informações.
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GabaritoD — produzam sentidos diversos com esse texto, considerando-se as variadas motivações de leitura.
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Compreensão textual segundo Marcuschi – produção de sentidos
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que se alinha à concepção de Marcuschi de que a compreensão não é mera extração de informações, mas produção de sentidos que consideram as motivações do leitor, sem defender interpretações incompatíveis com o texto (como faz a C).
A questão pede que, à luz de Marcuschi, se conclua o que se espera dos alunos ao trabalharem com o texto "Um Brasil que não lê". Marcuschi entende a compreensão como um processo ativo de construção de sentidos, que leva em conta os conhecimentos prévios e as finalidades de leitura, mas sempre ancorado no texto. A resposta correta é a que melhor expressa essa visão.
Compreensão textual (Marcuschi): Produção de sentidos (Leitor ativo, Conhecimentos prévios, Motivações de leitura); Extração de informações (Decodificação de palavras, Conteúdos prontos); Interpretação única e definitiva; Relativismo sem limites (Incompatível com o texto)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"entendam que a compreensão desse texto equivale a entender todas as suas palavras ou frases."
Erro: reducionismo. Marcuschi rejeita a ideia de que compreender se resuma a decodificar palavras ou frases; a compreensão envolve inferências, conhecimentos de mundo e contexto, não apenas o sentido literal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"compreendam a leitura desse texto como um processo que resulta em compressão definitiva e única."
Erro: absolutização. Para Marcuschi, a compreensão não é definitiva nem única; diferentes leituras podem produzir sentidos variados dentro de limites textuais, e o sentido nunca é esgotado em uma única interpretação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"construam compreensões variadas a partir desse texto, as quais não devem ser compatíveis necessariamente."
Erro: extrapolação/relativismo exagerado. Marcuschi admite variedade de compreensões, mas impõe o limite da compatibilidade com o texto. Afirmar que "não devem ser compatíveis necessariamente" abre margem para interpretações desconectadas, o que o autor não defende.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"produzam sentidos diversos com esse texto, considerando-se as variadas motivações de leitura."
Acerto: alinhamento com Marcuschi. A frase capta dois pontos centrais do autor: (1) a leitura é produção de sentidos (não extração), e (2) as motivações do leitor influenciam esse processo, gerando diversidade de interpretações, mas sem cair num relativismo descontrolado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"extraiam os conteúdos prontos desse texto, pois o entendimento equivale à localização de informações."
Erro: visão mecanicista. Marcuschi combate a noção de que o texto contém "conteúdos prontos" a serem localizados; para ele, o leitor constrói ativamente o sentido, não o extrai passivamente.
Conclusão: A única alternativa que reflete a teoria de Marcuschi sobre compreensão textual é a letra D, que reconhece a produção de sentidos diversificados a partir das motivações de leitura, sem cair em determinismo ou relativismo radical.