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Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2025

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
vu107992
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica II - Língua Portuguesa - QM 2019
Não confundir erro de português (que, afinal, não existe) com simples erro de ortografia. A ortografia é artificial, ao contrário da língua, que é natural.(Marcos Bagno. Preconceito linguístico. 2015)Com base nas considerações do autor, que reconhece a visão normativista presente nas aulas de língua portuguesa, haveria nessa perspectiva de ensino um “erro de português” na passagem:
  1. ASe eu soubesse que ele era tão amável...
  2. BFui na delegacia e falei com o tenente
  3. CO tenente interessou-se pela educação dos meus filhos.
  4. D... do que tornar-se util à patria e ao país.
  5. E... porque não faz um relatorio e envia para os politicos?
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GabaritoB — Fui na delegacia e falei com o tenente

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Distinção entre erro de português e erro de ortografia

Gabarito: Letra B. A única alternativa que a visão normativista consideraria um "erro de português" (desvio gramatical) é a B, que emprega a regência não padrão "Fui na delegacia" em vez de "Fui à delegacia". As demais alternativas contêm apenas erros de ortografia (acentuação, grafia) – os quais, conforme o texto de Bagno, não devem ser confundidos com "erro de português".

"Não confundir erro de português (que, afinal, não existe) com simples erro de ortografia." (Marcos Bagno)

Erro na visão normativista
  • 1Erro de português (gramática)
    • Regência verbal
    • Concordância
    • Colocação pronominal
  • 2Erro de ortografia (artificial)
    • Acentuação
    • Grafia
    • Pontuação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Se eu soubesse que ele era tão amável..."

A frase está gramaticalmente correta. O verbo "soubesse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, adequado à construção. Não há desvio gramatical nem ortográfico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Fui na delegacia e falei com o tenente"

Na perspectiva normativista, o verbo "ir" rege a preposição "a" (ir a algum lugar). A forma padrão seria "Fui à delegacia". O uso de "na" (em + a) é desvio de regência, caracterizando um erro gramatical – o que a escola tradicional chama de "erro de português".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos."

Construção correta: o verbo "interessar-se" rege a preposição "por", e "pela" (por + a) está adequado. Não há erro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... do que tornar-se util à patria e ao país."

Os desvios são ortográficos: "util" (sem acento), "patria" (sem acento). Segundo Bagno, isso é erro de ortografia, não "erro de português".

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... porque não faz um relatorio e envia para os politicos?"

Novamente, desvios ortográficos: "relatorio" (sem acento), "politicos" (sem acento) e uso indevido de "porque" (deveria ser "por que" por ser interrogativo). Tudo isso é erro de ortografia, não gramatical.

Conclusão: A única alternativa que a escola tradicional apontaria como "erro de português" (desvio gramatical) é a B. As demais ferem apenas a ortografia – o que, segundo o autor, não deve ser confundido com erro de português.

Gabarito: letra B.

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