Anáfora associativa: identificação pelo exemplo
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que exemplifica corretamente a anáfora associativa, pois introduz referentes novos (pasto, lavouras, porteira, casarão) a partir do todo "fazenda", estabelecendo relações meronímicas (parte-todo). As demais alternativas ou não apresentam relação parte-todo ou não introduzem referentes novos a partir de um todo prévio.
A definição dada pelas autoras destaca que a anáfora associativa cria um referente novo explorando uma relação de meronímia – isto é, um elemento é ingrediente/parte do outro. Para ser válido, o texto deve primeiro mencionar o todo, e em seguida introduzir uma parte desse todo como informação nova.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"A fazenda estava abandonada. Dava pena ver o pasto e as lavouras dominadas pelo mato, a porteira derrubada e o velho casarão em ruínas."
O termo "fazenda" (todo) é apresentado primeiro. Em seguida, os elementos "pasto", "lavouras", "porteira" e "casarão" são partes constitutivas de uma fazenda – relação meronímica clássica. Cada um desses elementos é um referente novo, mas a sua introdução só é possível porque o leitor infere a relação parte-todo com o antecedente. Isso é exatamente o que a definição descreve.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"As vacas criativas da 'CowParade' estão chegando... diferentemente de suas amigas vivas, têm 'manchas' inusitadas pelo corpo."
Aqui não há relação de meronímia. "Vacas criativas" (esculturas) e "amigas vivas" (vacas reais) são comparadas, mas uma não é parte da outra. O texto não introduz referentes novos a partir de um todo prévio. Erro: ausência de relação parte-todo (fuga ao tema).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Abro uma antiga mala de velharias e lá encontro minha máscara de esgrima."
Embora a máscara esteja dentro da mala, a relação é de continente-conteúdo, não de parte-todo. Uma máscara não é um ingrediente/parte inerente de uma mala. A definição exige que um elemento seja ingrediente do outro – a máscara não é ingrediente da mala. Erro: confunde relação continente-conteúdo com meronímia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Heitor encontrou uma linda cachorrinha, e deu a ela o nome de Blanche."
Não há todo prévio que introduza partes. Apenas uma sequência narrativa linear. O referente "Blanche" é o mesmo que "cachorrinha", retomado por nome próprio – é uma anáfora direta, não associativa. Erro: não há referente novo por relação parte-todo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Magda, desta parte quem cuida é o suporte técnico da empresa."
Ausência total de relação meronímica. Os referentes são apresentados sem vínculo parte-todo. Erro: não se aplica ao conceito.
💡 Dica: Para identificar anáfora associativa, procure um termo que nomeie o todo e, em seguida, a introdução de partes dele como informação nova. Relações como "casa – janela", "árvore – folha", "corpo – braço" são exemplos típicos. Cuidado para não confundir com simples continente-conteúdo (mala – máscara) ou com retomada direta (cachorrinha – Blanche).
Gabarito: letra A.