Questão de História — História Geral — VUNESP 2025
História›História Geral
Código
vu109272
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio - História
Para que os objetivos da colonização portuguesa em Angola fossem alcançados na íntegra, seria necessário exercer também o domínio cultural. Assim, entre outros documentos, foi instituído o “atestado de assimilação”, por meio do qual se daria ao nativo o estatuto de cidadão português.(Ismael Diogo da Silva, Angola ontem e hoje. Em: Elisa Larkin Nascimento (org.). A matriz africana no mundo. Adaptado)Segundo o artigo citado, para o nativo de Angola, o “atestado de assimilação” significava
Aperder o direito à escolarização pública básica.
Bpoder manter as manifestações religiosas locais.
Cdeixar à margem todos os valores e costumes africanos.
Ddificuldades para a ascensão econômica e social.
Epermissão do uso da língua portuguesa em público.
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GabaritoC — deixar à margem todos os valores e costumes africanos.
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Colonialismo português e a política de assimilação em Angola
Gabarito: letra C. O “atestado de assimilação” representava a exigência de que o nativo angolano abandonasse seus valores, costumes e tradições africanas para obter o estatuto de cidadão português, instrumento do domínio cultural necessário aos objetivos coloniais.
A política de assimilação praticada por Portugal no período colonial (especialmente em Angola, Moçambique e demais territórios africanos) estabelecia que o nativo só seria considerado “civilizado” – e, portanto, cidadão português – se demonstrasse ter adotado integralmente a cultura europeia: língua portuguesa, religião católica, hábitos ocidentais, etc. Esse processo implicava, na prática, o abandono forçado (ou a “marginalização”) de todos os elementos culturais africanos. O fragmento do artigo de Ismael Diogo da Silva destaca que o domínio cultural era complemento indispensável da colonização econômico-política.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O atestado não implicava perda do direito à escolarização; ao contrário, a escolarização (em português) era um dos requisitos para obtê-lo. A alternativa inverte a lógica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Manifestações religiosas locais (cultos tradicionais africanos) eram justamente o que o assimilado deveria abandonar, convertendo-se ao catolicismo. A assimilação exigia a substituição das crenças nativas pela religião do colonizador.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase “deixar à margem todos os valores e costumes africanos” capta o núcleo da assimilação: o nativo, para se tornar cidadão português, precisava romper com sua herança cultural original – exatamente o que o texto chama de “domínio cultural”.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A assimilação teoricamente abria caminho para ascensão social e econômica dentro da estrutura colonial (empregos, cargos públicos), embora com enormes obstáculos. Não é correto dizer que ela criava dificuldades; o problema era a própria condição de nativo não assimilado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso da língua portuguesa era uma exigência (e não uma permissão) para obter o atestado. A alternativa confunde o meio (aprender português) com o significado central (abandono da cultura africana).
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre colonialismo português, lembre-se de que a “assimilação” implicava negação da identidade nativa – o nativo só era “cidadão” se abdicasse de sua cultura. Compare com outras potências coloniais (França: assimilação/associacionismo; Inglaterra: indirect rule).