Preconceito linguístico e a crítica de Arnaldo Niskier ao refrão "A gente somos inútil"
Gabarito: letra A. A alternativa é correta porque as considerações de Arnaldo Niskier sobre o refrão constituem um exemplo clássico de preconceito linguístico, atitude que deve ser abolida da educação conforme preconizam a BNCC, os Parâmetros Curriculares e o Currículo Paulista. O texto de Niskier critica a concordância chamando-a de "triste" e defende o uso da norma culta, o que, na perspectiva de Marcos Bagno (2015), caracteriza preconceito linguístico.
No texto-base, Niskier afirma:
"A gente somos inútil. Seríamos inúteis se ficássemos calados diante dessa triste concordância. A gente é útil, falando corretamente a língua portuguesa."
Essa fala demonstra uma visão prescritiva que condena uma variação linguística legitimamente usada por falantes. Bagno, em seus estudos, define preconceito linguístico como a discriminação baseada em formas de falar que fogem ao padrão culto, e defende seu combate na educação. As diretrizes oficiais (BNCC, PCN, Currículo Paulista) alinham-se a essa visão, valorizando a diversidade linguística.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa capta exatamente o que Bagno (2015) entende: as considerações do autor são preconceito linguístico, e os documentos educacionais orientam sua abolição. O texto comprova que Niskier ridiculariza a expressão popular, reforçando a discriminação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que as considerações "reiteram o caráter normativo desejável para os falantes". Bagno criticaria essa visão, pois o normativo exacerbado é justamente a raiz do preconceito. O erro é de troca de conceito: confunde-se norma culta com algo "desejável", quando Bagno a vê como instrumento de exclusão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que as considerações "reforçam a discriminação linguística e artística, porém trata-se de um assunto cuja abordagem não é consensual na BNCC...". A primeira parte é verdadeira, mas a segunda é falsa: o combate ao preconceito linguístico é consenso e está explicitamente previsto nos documentos. A alternativa é incompleta e contém uma afirmação incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sustenta que Niskier "justifica o cuidado com a preservação da língua e os usos mais prestigiados, os quais devem ser priorizados". Isso contradiz a perspectiva de Bagno, para quem tal postura é preconceituosa. O erro é de contradição com o referencial teórico (Bagno).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Alega que a abordagem é "condenável socialmente pela falta de acolhimento aos usos linguísticos, assunto pouco explorado na BNCC...". Embora a primeira parte seja correta (é condenável), a segunda é falsa: o tema é amplamente explorado nos documentos. Novamente, incompleta com informação incorreta.
Gabarito: letra A