Análise do uso normativo da língua portuguesa no texto
Gabarito: letra A. O texto emprega a língua portuguesa de acordo com a norma culta padrão, sem desvios gramaticais ou morfológicos. A presença do termo "m’fiti" (explicado em nota de rodapé) não caracteriza manipulação ou hibridização, pois é um empréstimo pontual, devidamente marcado e traduzido, e o restante do texto segue integralmente a estrutura do português normativo.
Situação do texto
O trecho literário de João Paulo Borges Coelho, citado por Elena Brugioni, utiliza uma linguagem formal e padronizada. As frases são construídas com correção sintática, e o vocabulário, com exceção do termo estrangeiro, é próprio da norma culta. A cena descrita — a dificuldade de direção nos tempos atuais — é expressa com metáforas e comparações, mas sem ruptura com a gramática padrão.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que há "utilização normativa da língua portuguesa". Isso é comprovado pela observação de que todo o texto respeita as regras gramaticais do português padrão: concordância, regência, colocação pronominal (ex.: "Sabíamos de onde vínhamos"), uso correto dos tempos verbais e estruturas frasais completas. O único elemento não padrão é a palavra "m’fiti", mas ela é inserida como estrangeirismo com glosa, não como desvio da norma. Portanto, o texto é majoritariamente normativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Estratégia de manipulação lexical ou morfológica" não se aplica. Não há criação de novas palavras ou flexões fora da norma; o termo "m’fiti" é mantido em sua forma original e não sofre adaptação morfológica ao português. A nota de rodapé esclarece seu significado, mas não há manipulação — há apenas citação de um termo estrangeiro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Prática de hibridização linguística" seria a fusão sistemática de duas línguas. No texto, o português predomina de forma absoluta; o único elemento de outra língua é isolado e explicado. Não há alternância de códigos ou mistura estrutural. Para caracterizar hibridismo, seria necessário mais do que um vocábulo estrangeiro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Intenção de criação de uma alteridade traduzida" sugere que o texto deliberadamente constrói um "outro" cultural através da tradução. O texto não apresenta essa intenção de forma explícita. A tradução do termo "m’fiti" tem função meramente informativa, não é um recurso para criar alteridade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Exagero de repertórios narrativos de matriz oral" refere-se ao uso excessivo de elementos da oralidade. Embora a metáfora do cão perseguindo o rabo tenha tom popular, ela não é um exagero e o texto é predominantemente escrito e formal. Não há marcas de oralidade como repetições, interjeições ou estrutura típica de narrativa oral.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta integralmente com base no texto é a A, pois o texto segue a norma padrão da língua portuguesa, com um único estrangeirismo devidamente explicitado.
Gabarito: letra A.