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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu109763
Banca
VUNESP
Órgão
SES - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Req em Anestesiologia/Cirurg Cabeça e Pescoço/Cirurg Oncológica/Clín Méd/Geriatria/Mastologia/Med Família e Comunidade/Med Intensiva/Neurologia/Nefrologia/Oncologia Clínica/Pediatria
Homem de 65 anos, etilista crônico (60 g/dia por 30 anos), com diabetes mellitus tipo 2 mal controlada há 15 anos, procura atendimento referindo dormência e queimação crônica em pés e mãos há 2 anos, com piora progressiva nos últimos 6 meses. Relata também episódios de tontura postural, disfunção erétil, perda ponderal não intencional de 8 kg no último ano e parestesias assimétricas (pé esquerdo pior que direito). Nega xerostomia ou xeroftalmia. Pai faleceu aos 70 anos com “problemas nos nervos das pernas”. Exame físico: sensibilidade dolorosa e tátil reduzidas em “bota e luva” (assimetria discreta, pé E > D), hipopalestesia até tornozelos, arreflexia aquiliana bilateral, arreflexia patelar à esquerda, teste monofilamento alterado bilateralmente, hipotensão ortostática (PA supina: 130/80 mmHg, em pé: 95/60 mmHg sem compensação após 3 minutos). Força muscular preservada. Fenômeno de Raynaud ausente. Sem linfonodomegalia. Exames complementares: eletroneuromiografia (ENM): redução assimétrica de amplitudes sensitivas e motoras distais (E > D), velocidades de condução moderadamente reduzidas (30–35 m/s em membros inferiores), latências distais aumentadas, padrão misto axonal- -desmielinizante. Ondas F ausentes. Sem bloqueios de condução. Hemograma: normal. Glicemia: 180 mg/dL; HbA1c: 9,8%. Função renal, eletrólitos, função hepática: normais. Vitamina B12: 220 pg/mL (normal: 200–900). VHS: 22 mm/h; PCR: 0,8 mg/dL. Sorologias HIV, HTLV, hepatites B/C, sífilis: não reagentes. ANA: 1:80 padrão nuclear fino; FAN específicos negativos.Considerando o quadro de polineuropatia periférica sensitivo-motora com predomínio de fibras finas (dor neuropática e disautonomia), padrão misto axonal-desmielinizante na ENMG, e a necessidade de avaliar extensão e prognóstico da doença, qual conduta complementar é mais apropriada nesse momento?
  1. ASolicitar biópsia de nervo sural para diferenciação entre neuropatia axonal primária e degeneração walleriana secundária, considerando o padrão misto eletrofisiológico e possibilidade de vasculite de pequenos vasos.
  2. BRealizar quantificação de densidade de fibras nervosas intraepidérmicas (skin biopsy) para documentar acometimento de fibras finas não detectável na eletroneuromiografia convencional.
  3. CSolicitar pesquisa de anticorpos antissulfatide e antigangliosídeos (GM1, GD1b, GQ1b), dado o padrão misto eletrofisiológico e a assimetria clínica, antes de considerar tratamento imunomodulador.
  4. DRealizar TC de tórax/abdome/pelve e dosagem de marcadores tumorais (CEA, CA 19-9, PSA) para investigar neuropatia paraneoplásica, considerando a perda ponderal e o padrão misto na ENMG.
  5. ESolicitar dosagem de ácido metilmalônico sérico e repetir vitamina B12 com holotranscobalamina, pois o valor limítrofe de B12 associado ao etilismo pode explicar o quadro misto axonal-desmielinizante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Realizar quantificação de densidade de fibras nervosas intraepidérmicas (skin biopsy) para documentar acometimento de fibras finas não detectável na eletroneuromiografia convencional.

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