Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu110160
Banca
VUNESP
Órgão
SES - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Otorrinolaringologia ou Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
No prontuário de um paciente foi encontrada a seguinte descrição cirúrgica resumida:“Realizada tonsilectomia bilateral, remoção do triângulo da região do músculo palatoglosso na área supratonsilar, separação dos músculos palatofaríngeo e constritor superior da faringe criando o retalho palatofaríngeo, secção do músculo constritor superior da faringe, reposição do retalho com sutura tipo Donatti para a parede lateral. Realizada miotomia do músculo palatofaríngeo, com fechamento das suturas do retalho e realização da incisão vertical de alívio bilateralmente”.Qual cirurgia foi realizada?
AFaringoplastia expansiva funcional.
BFaringoplastia expansora.
CFaringoplastia lateral.
DTonsilectomia com fechamento de lojas amaigdalianas.
EUvulopalatofaringoplastia.
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GabaritoA — Faringoplastia expansiva funcional.
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Faringoplastia expansiva funcional: identificação pela descrição cirúrgica
Gabarito: letra A. A descrição cirúrgica — tonsilectomia, confecção de retalho palatofaríngeo, miotomia do palatofaríngeo e incisão vertical de alívio — corresponde à faringoplastia expansiva funcional, técnica que combina a expansão lateral da faringe com a preservação da função velofaríngea. O reconhecimento se dá pela associação de passos específicos: a criação do retalho palatofaríngeo, a secção do constritor superior e a miotomia, elementos que não estão presentes nas demais alternativas.
A faringoplastia é um conjunto de procedimentos cirúrgicos destinados a tratar a insuficiência velofaríngea (IVF), condição em que o véu palatino não consegue fechar completamente a passagem entre a nasofaringe e a orofaringe durante a fala e a deglutição. Essa falha de fechamento gera escape de ar nasal (hipernasalidade) e refluxo de alimentos. As técnicas de faringoplastia buscam reduzir o diâmetro da faringe ou reposicionar seus tecidos para permitir um fechamento mais eficiente, sem comprometer a respiração e a deglutição.
A faringoplastia expansiva funcional é uma técnica mais recente, descrita como uma evolução das faringoplastias laterais. Seu princípio é expandir lateralmente a faringe (aumentando o diâmetro transversal) enquanto preserva a função muscular do palatofaríngeo, ao contrário de técnicas que simplesmente estreitam a faringe ou sacrificam a musculatura. Os passos descritos no enunciado são característicos:
Tonsilectomia bilateral: remove as tonsilas palatinas, que ocupam espaço na parede lateral da faringe e podem obstruir a visualização e a manipulação dos músculos.
Remoção do triângulo na região do músculo palatoglosso (área supratonsilar): identifica e prepara o campo cirúrgico, expondo a musculatura.
Separação dos músculos palatofaríngeo e constritor superior da faringe, criando o retalho palatofaríngeo: este é o passo-chave — o músculo palatofaríngeo é dissecado e transformado em um retalho, que será reposicionado.
Secção do músculo constritor superior da faringe: libera a tensão lateral, permitindo a expansão.
Reposição do retalho com sutura tipo Donatti para a parede lateral: o retalho é avançado e suturado lateralmente, ampliando o diâmetro da faringe.
Miotomia do músculo palatofaríngeo: incisão no músculo para alongá-lo e evitar sua contratura, preservando sua função.
Incisão vertical de alívio bilateralmente: pequenas incisões para reduzir a tensão e permitir a acomodação dos tecidos.
O objetivo final é criar uma faringe mais larga e funcional, que permita o fechamento velofaríngeo adequado durante a fala, sem obstruir a respiração. A técnica é indicada principalmente para casos de IVF com padrão coronal de fechamento, em que há movimento lateral insuficiente das paredes faríngeas.
A distinção entre as alternativas é o que decide a questão. A faringoplastia expansora (letra B) é um termo genérico que pode se referir a técnicas que expandem a faringe, mas a descrição específica com retalho palatofaríngeo e miotomia é o que caracteriza a variante funcional. A faringoplastia lateral (letra C) é um grupo de técnicas que estreitam a faringe lateralmente, sem o componente expansivo e funcional descrito. A tonsilectomia com fechamento de lojas (letra D) é um procedimento isolado, sem a confecção de retalho. A uvulopalatofaringoplastia (letra E) é uma técnica para apneia obstrutiva do sono, que envolve a remoção da úvula e parte do palato mole, não descrita no enunciado.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são procedimentos reais e relacionados, mas que não correspondem à descrição detalhada. O candidato que conhece apenas os nomes das cirurgias, sem saber os passos técnicos, pode confundir a faringoplastia expansiva funcional com a expansora ou com a lateral. A chave é identificar os elementos distintivos: retalho palatofaríngeo + miotomia + incisão de alívio.
Guarde o critério: a presença do retalho palatofaríngeo e da miotomia é o que separa a faringoplastia expansiva funcional das demais. É exatamente nesses detalhes que as alternativas se dividem.
1Tonsilectomia bilateral
2Remoção do triângulo supratonsilar
3Criação do retalho palatofaríngeo
4Secção do constritor superior
5Reposição com sutura de Donatti
6Miotomia do palatofaríngeo
7Incisão vertical de alívio
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A descrição cirúrgica corresponde exatamente à faringoplastia expansiva funcional. Os passos descritos — tonsilectomia, remoção do triângulo supratonsilar, separação dos músculos palatofaríngeo e constritor superior, criação do retalho palatofaríngeo, secção do constritor, reposição do retalho com sutura de Donatti, miotomia do palatofaríngeo e incisão vertical de alívio — são os passos característicos dessa técnica. O termo "funcional" indica a preservação da função muscular, evidenciada pela miotomia e pela reposição do retalho, que visa manter a mobilidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A faringoplastia expansora é um termo mais genérico, que pode abranger técnicas que expandem a faringe, mas a descrição específica com retalho palatofaríngeo e miotomia é o que caracteriza a variante funcional. A alternativa B não captura a especificidade da técnica descrita, que inclui a miotomia e a preservação funcional — elementos que definem a variante "funcional" e a distinguem de uma expansora simples.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A faringoplastia lateral é um grupo de técnicas que visam estreitar a faringe lateralmente, aproximando as paredes para melhorar o fechamento velofaríngeo. A descrição do enunciado, ao contrário, busca expandir a faringe (aumentar o diâmetro lateral) e preservar a função muscular, o que é oposto ao princípio das faringoplastias laterais clássicas. A presença do retalho palatofaríngeo e da miotomia não é característica dessas técnicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tonsilectomia com fechamento de lojas amigdalianas é um procedimento isolado, que consiste na remoção das tonsilas e na sutura das lojas para reduzir o sangramento e a dor. A descrição do enunciado inclui a tonsilectomia como um passo inicial, mas vai muito além, com a confecção de retalho, miotomia e incisões de alívio — procedimentos que não fazem parte de uma tonsilectomia simples. A alternativa ignora os passos adicionais que definem a faringoplastia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A uvulopalatofaringoplastia (UPFP) é uma cirurgia indicada principalmente para o tratamento da apneia obstrutiva do sono, que envolve a remoção da úvula, parte do palato mole e das tonsilas, com o objetivo de ampliar a via aérea. A descrição do enunciado não menciona a remoção da úvula nem do palato mole, e os passos descritos (retalho palatofaríngeo, miotomia, incisão de alívio) não são característicos da UPFP. A UPFP é uma técnica de ressecção, enquanto a faringoplastia expansiva funcional é uma técnica de reconstrução funcional.