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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu110187
Banca
VUNESP
Órgão
SES - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Otorrinolaringologia ou Cirurgia Geral ou Área Cirúrgica Básica
Uma mulher de 32 anos dá entrada na sala de emergência após agressão física por arma branca. Apresenta ferida penetrante na região lombar à esquerda, posteriormente a linha axilar anterior. Ao exame, apresenta pressão arterial de 120 × 70 mmHg, FC de 98 bpm e saturação de 97% em ar ambiente. O abdome é indolor à palpação. A ferida apresenta-se limpa e sem sangramento ativo no momento. Optou-se pela observação clínica do caso. Após 24 horas de internação, a paciente manteve-se afebril e sem sinais de peritonite, porém com dor discreta no local do ferimento que foi submetido a sutura. Os exames laboratoriais não apresentam alterações e a conduta expectante foi mantida.Sobre o manejo dessa paciente, assinale a alternativa mais adequada.
  1. AO manejo é inadequado, pois nos ferimentos penetrantes da região posterior do flanco, mesmo em pacientes estáveis, indica-se exploração cirúrgica.
  2. BO manejo é inadequado. A tomografia computadorizada com contraste oral, retal e endovenoso é o método preferencial de avaliação de todos os pacientes com lesão penetrante no dorso, mesmo assintomáticos.
  3. CO manejo é adequado, pois exames físicos seriados têm elevada eficácia na detecção de lesões retroperitoneais e intraperitoneais.
  4. DO manejo é inadequado, pois, na ausência de sinais de irritação peritoneal nas primeiras 6 horas de observação hospitalar, o paciente pode ser receber alta com segurança.
  5. EO manejo foi inadequado, pois, para pacientes estáveis com traumas penetrantes do flanco, o ultrassom FAST teria acurácia mais elevada.
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GabaritoC — O manejo é adequado, pois exames físicos seriados têm elevada eficácia na detecção de lesões retroperitoneais e intraperitoneais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma penetrante de abdome: manejo não operatório

Gabarito: letra C. O manejo é adequado porque, em pacientes hemodinamicamente estáveis com ferimento penetrante por arma branca no dorso/flanco, a observação clínica com exames físicos seriados é uma conduta validada e segura, capaz de detectar lesões retroperitoneais e intraperitoneais com alta eficácia. A alternativa correta reflete exatamente essa conduta, enquanto as demais trazem indicações incorretas ou invertem o papel dos métodos diagnósticos.

O trauma abdominal penetrante por arma branca tem comportamento distinto do ferimento por arma de fogo: há maior previsibilidade das estruturas acometidas, e uma parcela significativa dos ferimentos não penetra a cavidade peritoneal. Por isso, a cirurgia obrigatória para todos os casos foi abandonada, dando lugar a estratégias seletivas. No paciente estável, sem sinais de peritonite e sem instabilidade hemodinâmica, a observação clínica com exames seriados é uma opção consagrada, especialmente para ferimentos localizados no dorso e flanco, onde a suspeita de lesão retroperitoneal (rins, ureteres, duodeno, cólon ascendente/descendente) é maior.

O exame físico seriado é o pilar dessa conduta. Ele consiste em reavaliações repetidas do abdome, procurando sinais de irritação peritoneal (dor à descompressão, rigidez, defesa), além de monitorização dos sinais vitais e da evolução laboratorial. Estudos mostram que, em pacientes selecionados, o exame físico seriado tem sensibilidade elevada para detectar lesões que necessitam de tratamento cirúrgico, com baixa taxa de complicações por atraso. A tomografia computadorizada com contraste é um adjuvante valioso, mas não é obrigatória para todos os pacientes assintomáticos; ela é indicada seletivamente, por exemplo, quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de lesão específica.

A alternativa D contém um erro conceitual importante: afirma que, na ausência de sinais de irritação peritoneal nas primeiras 6 horas, o paciente pode receber alta com segurança. Isso é incorreto porque o período de observação recomendado para ferimentos penetrantes por arma branca é de, no mínimo, 24 horas, e a alta precoce (6 horas) não é segura, pois lesões retroperitoneais podem manifestar-se tardiamente. A alternativa E também erra ao afirmar que o FAST teria acurácia mais elevada: o FAST é um exame à beira-leito útil para detectar líquido livre na cavidade peritoneal, mas tem baixa sensibilidade para lesões retroperitoneais, justamente o principal risco nesse tipo de ferimento.

A alternativa A propõe exploração cirúrgica obrigatória para ferimentos penetrantes da região posterior do flanco, mesmo em pacientes estáveis. Isso contraria a prática atual, que reserva a cirurgia para pacientes instáveis ou com sinais de peritonite. A alternativa B, por sua vez, defende a tomografia com contraste oral, retal e endovenoso para todos os pacientes com lesão penetrante no dorso, mesmo assintomáticos. Embora a TC seja um excelente método, sua indicação não é universal; a observação clínica é uma alternativa válida e menos invasiva para pacientes selecionados.

A chave para resolver esta questão é entender que o manejo não operatório com exames físicos seriados é uma conduta estabelecida para ferimentos penetrantes por arma branca em pacientes estáveis, e que as alternativas incorretas ou superestimam a necessidade de cirurgia, ou subestimam o período de observação, ou atribuem ao FAST uma acurácia que ele não tem para lesões retroperitoneais.

  1. 1Paciente estável
  2. 2Sem peritonite
  3. 3Observação ≥ 24h
  4. 4Exames físicos seriados
  5. 5Alta segura
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que, em ferimentos penetrantes da região posterior do flanco, mesmo em pacientes estáveis, indica-se exploração cirúrgica. Isso é falso: a exploração cirúrgica obrigatória foi abandonada para ferimentos por arma branca em pacientes estáveis. A conduta atual é seletiva, com observação clínica e exames seriados, reservando a cirurgia para instabilidade hemodinâmica, sinais de peritonite ou evidência de lesão que necessite reparo. A alternativa confunde a abordagem de ferimentos por arma de fogo (mais frequentemente cirúrgica) com a de arma branca.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Defende que a tomografia computadorizada com contraste oral, retal e endovenoso é o método preferencial de avaliação de todos os pacientes com lesão penetrante no dorso, mesmo assintomáticos. Embora a TC seja um excelente método diagnóstico, sua indicação não é universal. Em pacientes estáveis e assintomáticos, a observação clínica com exames seriados é uma alternativa válida e menos invasiva. A TC é indicada seletivamente, por exemplo, quando há dúvida diagnóstica, suspeita de lesão específica ou para planejamento cirúrgico. A alternativa erra ao tornar a TC obrigatória para todos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O manejo é adequado, pois exames físicos seriados têm elevada eficácia na detecção de lesões retroperitoneais e intraperitoneais. Esta é a conduta correta para pacientes estáveis com ferimento penetrante por arma branca no dorso/flanco. O exame físico seriado, realizado por equipe experiente, é capaz de identificar sinais de peritonite ou deterioração clínica que indiquem a necessidade de intervenção cirúrgica, com segurança e baixa taxa de complicações. A alternativa espelha exatamente a prática recomendada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que, na ausência de sinais de irritação peritoneal nas primeiras 6 horas de observação hospitalar, o paciente pode receber alta com segurança. Isso é incorreto: o período de observação recomendado para ferimentos penetrantes por arma branca é de, no mínimo, 24 horas. Lesões retroperitoneais podem manifestar-se tardiamente, e a alta precoce (6 horas) não é segura. A alternativa subestima o tempo necessário de observação, o que poderia levar a complicações graves.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que, para pacientes estáveis com traumas penetrantes do flanco, o ultrassom FAST teria acurácia mais elevada. Isso é falso: o FAST é um exame útil para detectar líquido livre na cavidade peritoneal, mas tem baixa sensibilidade para lesões retroperitoneais, que são o principal risco nesse tipo de ferimento. O FAST não é o método de escolha para avaliação de ferimentos penetrantes do dorso/flanco; a observação clínica com exames seriados e a TC seletiva são as ferramentas mais adequadas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a abordagem de ferimentos por arma de fogo (mais frequentemente cirúrgica) e por arma branca (que permite manejo não operatório seletivo). Além disso, inverte o papel do FAST, que é bom para líquido livre intraperitoneal, mas ruim para retroperitônio. Fique atento: em ferimentos penetrantes por arma branca no dorso, a observação clínica com exames seriados é a regra para pacientes estáveis.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de trauma penetrante, lembre-se da tríade: estabilidade hemodinâmica, ausência de peritonite e ferimento por arma branca → forte candidato a manejo não operatório. O período de observação mínimo é de 24 horas, e o FAST não avalia bem o retroperitônio. Se a alternativa mencionar "exploração cirúrgica obrigatória" ou "alta em 6 horas", desconfie imediatamente.

Gabarito: letra C

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