Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria ou Medicina Intensiva
Paciente jovem foi admitido na UTI com quadro de edema periorbitário, oligúria, hematúria macroscópica e hipertensão arterial (160 × 100 mmHg), cinco dias após um episódio de faringoamigdalite. O exame de urina revela hematúria com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos, além de proteinúria discreta (1,2g/24h). A creatinina sérica está em 2,1 mg/dL.Com base no quadro clínico e nos achados laboratoriais, assinale a alternativa que apresenta corretamente a característica típica da síndrome nefrítica aguda.
AProteinúria > 3,5 g/d e edema generalizado.
BHematúria e cilindros hemáticos são típicos.
CHipertensão arterial é rara.
DCausa frequente: glomerulonefrite membranosa.
EEvolução frequente para insuficiência renal crônica.
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GabaritoB — Hematúria e cilindros hemáticos são típicos.
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Síndrome nefrítica aguda: o que a define
Gabarito: letra B. A síndrome nefrítica aguda é caracterizada pela tríade clássica de hematúria (frequentemente com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos), hipertensão arterial e oligúria com edema — e é exatamente a presença de hematúria e cilindros hemáticos que a alternativa B descreve como típicos. O quadro clínico apresentado (edema periorbitário, oligúria, hematúria macroscópica, hipertensão e proteinúria discreta após faringoamigdalite) é o protótipo da glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica, a causa mais clássica da síndrome nefrítica.
A síndrome nefrítica aguda é uma apresentação clínica de doenças glomerulares inflamatórias, caracterizada pela tríade: hematúria glomerular (com dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos no sedimento urinário), hipertensão arterial e oligúria com edema. Diferentemente da síndrome nefrótica, a proteinúria na síndrome nefrítica é discreta (geralmente < 3,5 g/24h), pois a lesão predominante é inflamatória e proliferativa, e não uma alteração primária da permeabilidade à proteína. O mecanismo fisiopatológico central é a inflamação glomerular que reduz a taxa de filtração, levando à retenção de sódio e água, expansão do volume extracelular, edema e hipertensão.
A causa mais frequente em crianças e adultos jovens é a glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica (GNAPE), que ocorre 1 a 3 semanas após uma infecção de vias aéreas superiores (faringoamigdalite) ou de pele (impetigo). O quadro clássico inclui hematúria macroscópica (urina cor de "Coca-Cola" ou "caldo de carne"), edema periorbitário matinal, oligúria e hipertensão arterial. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com confirmação por queda do complemento (C3) e elevação de antiestreptolisina O (ASLO). A doença é autolimitada na maioria dos casos, com resolução espontânea em semanas, especialmente em crianças.
A distinção fundamental entre síndrome nefrítica e nefrótica é o que a banca explora nesta questão. Enquanto a nefrótica cursa com proteinúria maciça (> 3,5 g/24h), hipoalbuminemia e edema generalizado (anasarca), a nefrítica cursa com hematúria glomerular, hipertensão e edema periorbitário, com proteinúria discreta. A hipertensão arterial é um achado frequente na síndrome nefrítica (presente em cerca de 80% dos casos), e não raro como afirma a alternativa C. A glomerulonefrite membranosa é causa típica de síndrome nefrótica em adultos, não de síndrome nefrítica. E a evolução para insuficiência renal crônica não é a regra na GNAPE, que costuma ser autolimitada.
Guarde a fronteira entre as duas síndromes glomerulares: hematúria glomerular + hipertensão + oligúria = nefrítica; proteinúria nefrótica + hipoalbuminemia + edema generalizado = nefrótica. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Critério
Síndrome Nefrítica
Síndrome Nefrótica
Proteinúria
Discreta (< 3,5 g/24h)
Maciça (> 3,5 g/24h)
Sedimento urinário
Hematúria dismórfica + cilindros hemáticos
Sem hematúria ativa (pode haver micro-hematuria)
Edema
Periorbitário (matinal)
Generalizado (anasarca)
Hipertensão arterial
Frequente (~80% dos casos)
Variável (pode ocorrer, mas não é regra)
Causa clássica
GNAPE (pós-estreptocócica)
Glomerulonefrite membranosa (em adultos)
Evolução típica
Autolimitada (resolução espontânea)
Crônica (frequentemente progressiva)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a síndrome nefrítica aguda apresenta proteinúria > 3,5 g/d e edema generalizado. Isso descreve a síndrome nefrótica, não a nefrítica. Na nefrítica, a proteinúria é discreta (como no caso: 1,2 g/24h) e o edema é predominantemente periorbitário, não generalizado. A banca troca as duas síndromes glomerulares.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hematúria glomerular (com dismorfismo eritrocitário) e os cilindros hemáticos são achados típicos e praticamente obrigatórios da síndrome nefrítica aguda. O sedimento urinário ativo (hematúria dismórfica + cilindros hemáticos) é a marca da glomerulonefrite proliferativa, confirmando a origem glomerular do sangramento. No caso clínico, o paciente apresenta exatamente esses achados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a hipertensão arterial é rara na síndrome nefrítica. Na verdade, a hipertensão é frequente, ocorrendo em aproximadamente 80% dos pacientes, decorrente da retenção de sódio e água com expansão do volume extracelular. O paciente do caso apresenta PA de 160 × 100 mmHg, corroborando a regra.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A glomerulonefrite membranosa é causa típica de síndrome nefrótica em adultos, não de síndrome nefrítica aguda. A causa clássica de síndrome nefrítica aguda, especialmente após faringoamigdalite, é a glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica (GNAPE). A banca troca a etiologia entre as duas síndromes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A evolução frequente para insuficiência renal crônica não é característica da síndrome nefrítica aguda típica (GNAPE), que é autolimitada na maioria dos casos, com resolução espontânea em semanas, especialmente em crianças. A progressão para doença renal crônica é exceção, não regra.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre síndrome nefrítica e nefrótica. Na nefrítica, o que manda é a hematúria glomerular + hipertensão + oligúria; na nefrótica, a proteinúria nefrótica + hipoalbuminemia + edema generalizado. Quando a alternativa falar em proteinúria > 3,5 g/d ou edema generalizado, pense em nefrótica — não em nefrítica. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental comparando as duas síndromes: na nefrítica, sedimento urinário ativo (hematúria dismórfica + cilindros hemáticos) e hipertensão frequente; na nefrótica, proteinúria nefrótica e edema generalizado. Essa distinção é a chave para resolver questões de glomerulopatias.