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Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2025

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
vu110427
Banca
VUNESP
Órgão
TCE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor de Controle Externo - Administração

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A chance do Brasil na guerra do presidente norte-americano


Guerras nunca são boas. Na melhor das hipóteses, se forem justas, podem ser um mal necessário. A guerra comercial do presidente norte-americano contra o mundo é só um mal desnecessário. Em sua fantasia mercantilista, ele crê que está libertando seu país da economia globalizada, que seus predecessores ajudaram a criar, para transformá-lo numa autarquia que, em sua visão delirante, será reindustrializada, independente de importações e pródiga em exportações. Por alguma razão, ele imagina que reeditar as mesmas barreiras protecionistas que foram empregadas por inúmeros países em inúmeras épocas, com consequências sempre ruins, terá desta vez resultados diferentes.


O Brasil conhece essa história. No século passado, políticos e intelectuais imaginaram que a solução para desenvolver uma economia latifundiária e oligárquica dependente de manufaturados internacionais era o Estado erguer barreiras e subsidiar produtores locais. Admitindo-se que essa política tenha estimulado uma certa diversificação das indústrias nascentes, a perpetuação de barreiras comerciais, subsídios, incentivos fiscais e toda a parafernália intervencionista resultou em custos elevados para consumidores e produtores, indústrias pouco competitivas, desconfiança dos investidores internacionais, menos incentivos à inovação e mais incentivos ao clientelismo e à corrupção. Ao contrário do que supunha a “teoria da dependência”, na prática a “substituição das importações” reforçou a dependência de exportações de commodities para financiar a importação de tecnologias.


Glosando essa história, as políticas protecionistas do presidente norte-americano em seu primeiro mandato se provaram custosas, ineficazes e regressivas: não reduziram déficits comerciais, não recuperaram a indústria e oneraram mais os pobres. Sua nova ofensiva protecionista será ruim para todos. A imprevisibilidade e a desaceleração dos mercados tendem a reduzir a demanda para exportadores de commodities, como o Brasil. Mas o País tem também vantagens comparativas.


Mesmo com uma baixa global da demanda, o Brasil pode ampliar exportações de commodities para países envolvidos em conflitos comerciais com os EUA e também atrair investimentos. No primeiro mandato do presidente norte-americano, por exemplo, o País ampliou a venda de carne, grãos e minérios para a China, que, em contrapartida, investiu mais na infraestrutura brasileira.


 (Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.04.2025. Adaptado)

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de colocação pronominal.
  1. AO presidente dos Estados Unidos acredita que, tendo globalizado-se a economia do seu país, ela agora precisa ser libertada e transformada em uma autarquia que, em sua visão, será independente de importações.
  2. BNo primeiro mandato do presidente norte-americano, por exemplo, ampliou-se a venda de carne, grãos e minérios do Brasil para a China, que, em contrapartida, investiu mais na infraestrutura brasileira.
  3. CAo contrário do que supunha-se com a “teoria da dependência”, na prática a “substituição das importações” reforçou a dependência de exportações de commodities para financiar a importação de tecnologias.
  4. DSe imaginou, no século passado, que a solução para desenvolver uma economia latifundiária e oligárquica dependente de manufaturados internacionais era o Estado erguer barreiras e subsidiar produtores locais.
  5. EMesmo com uma baixa global da demanda, ampliarão-se as possibilidades de exportações de commodities brasileiras para países envolvidos em conflitos comerciais com os EUA; além disso, o Brasil poderá atrair investimentos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — No primeiro mandato do presidente norte-americano, por exemplo, ampliou-se a venda de carne, grãos e minérios do Brasil para a China, que, em contrapartida, investiu mais na infraestrutura brasileira.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal na Guerra Comercial

Gabarito: letra B. A única alternativa que respeita a norma-padrão é a que emprega ênclise corretamente em "ampliou-se", já que não há palavra atrativa antes do verbo. As demais violam regras específicas: próclise obrigatória após pronome relativo (C), ênclise em início de frase (D), e mesóclise no futuro do presente (E), além de erro no gerúndio (A).


Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Advérbios
      • Pronomes relativos
      • Conjunções subordinativas
      • Palavras negativas
    • Gerúndio com auxiliar
      • "tendo se globalizado"
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Verbo no pretérito perfeito
      • Sem atrativo → "ampliou-se"
    • Início de oração
      • "Imaginou-se"
  • 3Mesóclise (meio do verbo)
    • Futuro do presente
      • Sem atrativo → "ampliar-se-ão"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Em "tendo globalizado-se", o pronome oblíquo átono deveria vir antes do verbo auxiliar no gerúndio, pois não há fator de próclise: o correto é "tendo se globalizado". A ênclise em gerúndio é admitida apenas quando o verbo principal está no gerúndio e não há auxiliar, o que não é o caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"ampliou-se a venda" — O verbo "ampliou" está no pretérito perfeito, sem nenhuma palavra atrativa (como advérbio, pronome relativo, conjunção subordinativa) que exija próclise. Portanto, a ênclise é a colocação padrão e está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Em "do que supunha-se", o termo "que" é um pronome relativo, que funciona como palavra atrativa, exigindo próclise. O correto seria "do que se supunha". Ignorar essa regra é um dos erros mais comuns em questões de colocação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Se imaginou, no século passado..." — Em início de oração absoluta, a norma-padrão recomenda a ênclise: "Imaginou-se". A próclise no início de frase só é aceita em contextos informais ou com atrativo explícito, o que não ocorre aqui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"ampliarão-se" — O verbo está no futuro do presente. Na norma-padrão, o pronome oblíquo deve ser mesoclítico (inserido entre o radical e a desinência) quando não há atrativo: "ampliar-se-ão". A forma "ampliarão-se" é considerada coloquial e não atende à norma culta.

PEGA ESSA DICA!

Para acertar questões de colocação pronominal, identifique sempre a presença de palavras atrativas (advérbios, pronomes relativos, conjunções subordinativas, palavras negativas) e lembre-se das regras especiais para futuro e gerúndio.

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