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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2025

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu111473
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
V - - Assistente Operacional III - Manutenção e Conservação
Leia o texto a seguir para responder à questão:


   Longe de mim querer matar você de inveja, mas dias atrás cravei os dentes numa coxinha de camarão com requeijão. Numa, não; em três. E saiba que o “inha”, aí, não é diminutivo, é tratamento carinhoso, da parte de quem por 13 anos esteve privado dessa rechonchuda maravilha.

   Bobagem minha: para morrer de inveja, você precisaria saber o que vem a ser uma coxinha de camarão com requeijão. Falo da legítima, da única, que existiu em Belo Horizonte durante pouco mais de 20 anos, até desaparecer, no ano de 1998.

   Nunca me conformei com o sumiço do pitéu com que me regalei décadas a fio, toda vez que minhas papilas gustativas visitavam a capital mineira. Alguns meses atrás, numa crônica que publiquei, escrevi logo no título: “Saudade da coxa de requeijão.” Na última linha, joguei sem maior esperança uma garrafa ao mar: “Tem por aí alguma pessoa que faz?”

   Pois não é que apareceu uma? E não qualquer pessoa: ninguém menos que Thereza Oliveira, a inventora da supracitada perdição gastronômica. De Tiradentes, para onde se mudou faz uns anos, ela ergueu um dedo, olha eu aqui!, e deixou no ar a tentação: que eu fosse aplacar a saudade da coxinha de camarão com requeijão.

   Quis a sorte que recentemente me viesse convite para lançar um livro ali, e quando escrevi a Thereza para dizer que estava a caminho, ela anunciou a coincidência: eu ia me hospedar ao lado de seu charmoso mocó tiradentino − num alto de morro onde de uns anos para cá se construíram várias casas “antigas”. Lá fui bater, salivando, mal pus a mala na pousada.

   Além de três formidáveis coxas de requeijão, Thereza me serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido. Seu irmão Pedro morava no Rio e, nas confeitarias, achava constrangedor ter que pedir um monte de salgadinhos para matar a fome − será que não dava para fazer um salgadão? Thereza, primeiro, foi de peito de frango, que teve a ideia inédita de revestir de requeijão − até que lhe viesse a ideia melhor ainda de trocar o frango pelo camarão.


(Humberto Werneck. Esse inverno vai acabar, 2011. Adaptado)
Assinale a alternativa em cujo trecho mudou-se a posição do pronome destacado em conformidade com a norma-padrão de colocação pronominal.
  1. ANunca conformei-me com o sumiço do pitéu... (3o parágrafo)
  2. B... com que regalei-me décadas a fio... (3o parágrafo)
  3. CDe Tiradentes, para onde mudou-se... (4o parágrafo)
  4. DQuis a sorte que recentemente viesse-me convite... (5o parágrafo)
  5. EThereza serviu-me a história do fabuloso salgado... (6o parágrafo)
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GabaritoE — Thereza serviu-me a história do fabuloso salgado... (6o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal – Próclise e Ênclise

Gabarito: letra E. A alternativa E altera a posição do pronome "me" de próclise ("Thereza me serviu") para ênclise ("Thereza serviu-me"), e essa mudança está de acordo com a norma-padrão, uma vez que não há palavra atrativa antes do verbo e o sujeito explícito permite a ênclise.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta Original: "Nunca me conformei". O advérbio negativo "Nunca" exige próclise. Ao mudar para "conformei-me", a colocação fica errada.

Alternativa B — ❌ Incorreta Original: "com que me regalei". O pronome relativo "que" atrai o pronome para antes do verbo. A ênclise "regalei-me" é inaceitável nesse contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta Original: "para onde se mudou". O advérbio interrogativo/relativo "onde" obriga a próclise. A forma "mudou-se" é incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta Original: "recentemente me viesse". O advérbio "recentemente" anteposto ao verbo atrai o pronome para a próclise (facultativa, mas a norma culta prefere próclise nessa posição). A ênclise "viesse-me" foge ao padrão formal.

Alternativa E — ✅ Correta Original: "Thereza me serviu". Como não há palavra atrativa, a ênclise "serviu-me" é perfeitamente gramatical, especialmente com o sujeito explícito antes do verbo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato conhece as regras de atração pronominal. Nas alternativas A, B, C, o pronome é atraído por elemento anterior (negativo, relativo, interrogativo) – a ênclise fere a norma. Em D, a atração é menos rígida, mas a opção pela ênclise é inadequada no contexto formal. Apenas em E a mudança é permitida.

PEGA ESSA DICA!

Onde = lugar físico

Use 'onde' apenas quando puder substituir por 'em que lugar' (lugar físico). Se houver ideia de movimento/destino, usa-se 'aonde'.

— Pronomes relativos / semântica (onde x aonde)

Gabarito: letra E

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