Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu112409
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Assistente de Suporte Acadêmico IV - Área de Atuação: Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas - Edital nº 635
O diagnóstico da infecção latente por tuberculose, realizado a partir da coleta de amostra de sangue, que apresenta maior sensibilidade e especificidade é denominado:
Ateste tuberculínico cutâneo (PPD).
Bbaciloscopia.
Ccultura de micobactérias.
Dteste de liberação de interferon gama (IGRA).
Eteste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB).
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GabaritoD — teste de liberação de interferon gama (IGRA).
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Diagnóstico da infecção latente por tuberculose (ILTB)
Gabarito: letra D. O teste de liberação de interferon gama (IGRA) é o exame realizado a partir de amostra de sangue que apresenta maior sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da infecção latente por tuberculose (ILTB), superando o teste tuberculínico cutâneo (PPD) nesses parâmetros. O IGRA mede a resposta imune celular dos linfócitos T sensibilizados ao Mycobacterium tuberculosis após estímulo com antígenos específicos, sendo uma alternativa moderna ao PPD, que é um teste intradérmico.
A infecção latente por tuberculose (ILTB) é um estado de infecção pelo Mycobacterium tuberculosis em que o indivíduo é portador do bacilo, mas não apresenta doença ativa, ou seja, não há sinais e sintomas clínicos, e a baciloscopia e a cultura são negativas. O diagnóstico da ILTB é fundamental para o controle da tuberculose, pois permite a instituição do tratamento preventivo, reduzindo o risco de adoecimento. Os dois principais métodos para o diagnóstico da ILTB são o teste tuberculínico cutâneo (PPD) e o teste de liberação de interferon gama (IGRA). O IGRA é um exame de sangue que avalia a liberação de interferon gama pelos linfócitos T após estímulo com antígenos específicos do M. tuberculosis (ESAT-6, CFP-10 e TB7.7), que não estão presentes no BCG e em algumas micobactérias não tuberculosas, o que confere maior especificidade ao teste. Em comparação ao PPD, o IGRA apresenta maior sensibilidade e especificidade, não sofre interferência da vacinação prévia com BCG e da infecção por micobactérias não tuberculosas, e requer apenas uma visita para a coleta de sangue, evitando o retorno do paciente para a leitura do teste. Por essas razões, o IGRA é considerado o método de escolha para o diagnóstico da ILTB em diversas diretrizes, especialmente em populações imunocomprometidas, como pessoas vivendo com HIV.
É importante distinguir o diagnóstico da ILTB do diagnóstico da tuberculose ativa. Para a TB ativa, os métodos diagnósticos são a baciloscopia, a cultura, o teste rápido molecular (TRM-TB) e, em casos específicos, o LF-LAM. Esses métodos detectam a presença do bacilo ou de seus componentes em amostras clínicas, como escarro, enquanto o PPD e o IGRA avaliam a resposta imune do hospedeiro, sendo utilizados para identificar a infecção latente. A confusão entre esses dois cenários é uma pegadinha clássica da banca: o enunciado pede o diagnóstico da infecção latente, e não da doença ativa. Portanto, as alternativas que citam baciloscopia, cultura e TRM-TB estão incorretas, pois são métodos para diagnóstico de TB ativa. O PPD, embora seja um método para ILTB, apresenta menor sensibilidade e especificidade que o IGRA, além de sofrer interferência da vacinação BCG.
A banca explora a distinção entre o diagnóstico da infecção latente e o da doença ativa, além de comparar os dois métodos disponíveis para ILTB. O candidato que não domina essa diferença pode facilmente marcar uma alternativa incorreta, como o PPD ou o TRM-TB. Para acertar, é preciso lembrar que o IGRA é o teste sanguíneo com melhor desempenho para ILTB, enquanto os demais métodos citados são para TB ativa ou apresentam desempenho inferior.
Diagnóstico da tuberculose
1Infecção latente (ILTB)
PPD (intradérmico)
Menor sensibilidade/especificidade
Sofre interferência do BCG
IGRA (sangue)
Maior sensibilidade/especificidade
Não sofre interferência do BCG
2Doença ativa
Baciloscopia
Cultura (padrão-ouro)
TRM-TB
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O teste tuberculínico cutâneo (PPD) é um método para o diagnóstico da ILTB, mas apresenta menor sensibilidade e especificidade que o IGRA. Além disso, o PPD é um teste intradérmico, não sendo realizado a partir de amostra de sangue, como pede o enunciado. O PPD também sofre interferência da vacinação prévia com BCG e da infecção por micobactérias não tuberculosas, o que pode gerar resultados falso-positivos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A baciloscopia é um método para o diagnóstico da tuberculose ativa, que pesquisa a presença de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) em amostras clínicas, como o escarro. Na infecção latente, a baciloscopia é negativa, pois não há bacilos viáveis em quantidade detectável. Portanto, a baciloscopia não é utilizada para o diagnóstico da ILTB.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cultura de micobactérias é o padrão-ouro para o diagnóstico da tuberculose ativa, permitindo a identificação da espécie e a realização do teste de sensibilidade. Na infecção latente, a cultura é negativa, pois o bacilo está em estado de latência e não cresce nos meios de cultura. Assim, a cultura não é um método para o diagnóstico da ILTB.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste de liberação de interferon gama (IGRA) é o exame realizado a partir de amostra de sangue que apresenta maior sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da infecção latente por tuberculose. O IGRA mede a liberação de interferon gama pelos linfócitos T após estímulo com antígenos específicos do M. tuberculosis, sendo uma alternativa superior ao PPD por não sofrer interferência da vacinação BCG e da infecção por micobactérias não tuberculosas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) é um método para o diagnóstico da tuberculose ativa, que detecta o DNA do M. tuberculosis e a resistência à rifampicina diretamente de amostras clínicas, como o escarro. Na infecção latente, o TRM-TB não é utilizado, pois não há bacilos viáveis em quantidade detectável nas amostras. Portanto, o TRM-TB não é um método para o diagnóstico da ILTB.