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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — VUNESP 2025

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
vu112441
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
V - - Auxiliar Agropecuário
        Um dos grandes homens da história humana, Jesus de Nazaré, tem uma frase que considero uma das mais importantes, que é: “Quero que tenhais vida, e vida em abundância”. Não é pouca vida, menos vida, subvida, sobrevivência: “Quero que tenhais vida, e vida em abundância”. A beleza da frase é que está no plural: quero que tenhais, em vez de apenas quero que você tenha.

        Esse plural é um projeto de Vida coletiva ameaçado pela pior força negativa dos tempos atuais, o apodrecimento da esperança. Muitos homens e mulheres vivem o apodrecimento da esperança: a ideia de que as coisas são como são e não há outro modo de elas serem.

        A postura conformada expressa uma determinada atitude e convicção que cria um modelo mental extremamente perigoso. Basta ver nos poucos circos que ainda sobraram com o uso de animais não humanos: do lado de fora, um elefante parado. O elefante não pode ficar guardado numa jaula. Como é que ele fica do lado de fora do circo? Ele não consegue sair dali onde o deixaram. É uma coisa desesperadora.

        O elefante fica se movimentando pra lá e pra cá, com aquele jeito melancólico e que nos deixa entristecidos. Porque, afinal de contas, é a ausência da liberdade. Ele fica preso numa estaca pequenina, que qualquer criança tira. Por que é que tem um guarda ao lado do elefante? Não é para tomar conta dele, é para tomar conta da criança, para que ela não arranque aquilo. O elefante, que é capaz de puxar o circo, se for amarrado no mastro central, um bicho de quatro toneladas e meia, o animal mais forte da natureza, não consegue arrancar uma simples estaca. Por quê? Porque ele foi formado daquele jeito. Quando ele era pequeno, alguém amarrou uma corrente na pata dele e a cravou em uma estaca. Ele deu o primeiro tranco e não saiu, deu o segundo e não saiu, nunca mais ele tentou.

        Tem gente que funciona como um elefante do lado de fora do circo. São aqueles que acham que não tem jeito e não tentam. Acham que não pode ser feito, então não fazem. Acham que o único jeito de fazer é daquele modo.

(Mario Sergio Cortella, Não se desespere!: provocações filosóficas,
Editora Vozes, 2014. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho destacado está substituído pelo trecho entre parênteses, observando-se a norma-padrão de emprego e colocação pronominal.
  1. AQuero que tenhais vida… – 1º parágrafo – (tenhais-lhe)
  2. BMuitos homens e mulheres vivem o apodrecimento da esperança… – 2º parágrafo – (vivem-no)
  3. C… tomar conta da criança, para que ela não arranque aquilo. – 3º parágrafo – (não arranque-lo)
  4. DO elefante, que é capaz de puxar o circo… – 4º parágrafo – (puxar-lo)
  5. E… alguém amarrou uma corrente na pata dele… – 4º parágrafo – (amarrou-lhe)
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GabaritoB — Muitos homens e mulheres vivem o apodrecimento da esperança… – 2º parágrafo – (vivem-no)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição pronominal — regência e colocação

Gabarito: letra B. A única alternativa que respeita a norma-padrão é a B, em que "vivem o apodrecimento" é corretamente substituído por "vivem-no". A substituição exige conhecimento de transitividade verbal (quem vive, vive algo — objeto direto) e das regras de ênclise (após verbo terminado em -m, o pronome "o" assume a forma "no").

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Quero que tenhais vida…" → "tenhais-lhe". O verbo ter pede objeto direto (ter algo). "Lhe" é pronome de objeto indireto (a alguém). A substituição correta seria "tê-la" (vida, feminino).

NÃO CAIA NESSA!

Uso de "lhe" como objeto direto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Muitos homens e mulheres vivem o apodrecimento da esperança…" → "vivem-no". "Viver" é transitivo direto; "o apodrecimento" (masculino singular) é objeto direto. O pronome "o" após verbo terminado em -m assume a forma "no". Ênclise é a colocação padrão em orações afirmativas sem palavra atrativa.

Prova da correção: no texto, a construção é exatamente essa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"… para que ela não arranque aquilo." → "não arranque-lo". A palavra negativa "não" exige próclise: o pronome deve vir ANTES do verbo ("não o arranque"). Ênclise após "não" é vedada pela norma-padrão.

NÃO CAIA NESSA!

Colocação pronominal indevida (ênclise após palavra atrativa).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"O elefante, que é capaz de puxar o circo…" → "puxar-lo". O infinitivo "puxar" exige a forma especial do pronome: ao retirar o -r, acentua-se e usa-se "lo" → "puxá-lo". "Puxar-lo" mantém o -r, o que é incorreto.

NÃO CAIA NESSA!

Forma do pronome após infinitivo (deveria ser "puxá-lo").

Alternativa E — ❌ Incorreta

"… alguém amarrou uma corrente na pata dele…" → "amarrou-lhe". O verbo amarrar tem objeto direto (corrente) e complemento locativo (na pata). "Lhe" é objeto indireto (a ele), não substitui o locativo. A substituição correta exigiria um adjunto adverbial, não um pronome oblíquo.

NÃO CAIA NESSA!

Confusão entre objeto indireto e complemento locativo.

Conclusão: Apenas a alternativa B emprega corretamente o pronome oblíquo "no" em substituição ao objeto direto, respeitando a regência do verbo e a colocação pronominal.

Gabarito: letra B.

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