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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
vu112571
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico (Área de atuação: Toxicologia)
Homem de 86 anos é avaliado devido um valor elevado de TSH sérico. O paciente tem boa saúde, sem histórico de disfunção tireoidiana. Ele geralmente se sente bem. Exame físico: a frequência cardíaca é de 72 batimentos/min e ele não tem bócio. Exames séricos: TSH: 6,2 mUI/L (normal: 0,5 a 5,0); T4 livre: 1,1 ng/dL (normal: 0,8 a 1,8); anticorpos anti-TPO não são detectados.Acerca desse paciente, é correto afirmar:
  1. Ao diagnóstico é de hipotireoidismo apático.
  2. Bo tratamento com levotiroxina melhorará sua qualidade de vida.
  3. Cele deve começar a tomar uma estatina.
  4. Desse valor de TSH é normal para octogenários.
  5. Eum valor de TSH nessa faixa está associado à diminuição da resistência vascular sistêmica
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GabaritoD — esse valor de TSH é normal para octogenários.

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Hipotireoidismo subclínico no idoso: quando tratar?

Gabarito: letra D. O valor de TSH de 6,2 mUI/L, com T4 livre normal e ausência de anticorpos anti-TPO, em um paciente octogenário assintomático, é considerado aceitável e não indica tratamento com levotiroxina, pois os valores de referência de TSH tendem a aumentar com a idade. A conduta correta é a observação e o monitoramento periódico, não a reposição hormonal imediata.

O caso apresentado é um exemplo clássico de hipotireoidismo subclínico, uma condição definida pela elevação do TSH sérico (acima do limite superior da normalidade) com níveis normais de T4 livre. No paciente idoso, essa elevação discreta do TSH é frequentemente um achado laboratorial incidental, sem correlação com sintomas ou com piora da qualidade de vida. Estudos demonstram que, em octogenários, valores de TSH até 10 mUI/L podem ser considerados normais, refletindo uma adaptação fisiológica do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide ao envelhecimento. O tratamento com levotiroxina nesse cenário não traz benefícios comprovados e pode, inclusive, causar danos, como o aumento do risco de fibrilação atrial e de perda de massa óssea, especialmente em pacientes com mais de 85 anos.

A decisão de tratar o hipotireoidismo subclínico no idoso deve ser individualizada, levando em consideração a presença de sintomas, o nível de TSH (acima de 10 mUI/L é um forte indicador para tratamento), a positividade de anticorpos anti-TPO e a presença de comorbidades. No caso em questão, o paciente é assintomático, tem TSH de 6,2 mUI/L, T4 livre normal, anti-TPO negativo e não apresenta bócio. Portanto, a conduta mais adequada é a conduta expectante, com reavaliação da função tireoidiana em 6 a 12 meses. A alternativa D está correta ao afirmar que esse valor de TSH é normal para octogenários, pois reflete a faixa de referência específica para essa faixa etária.

A banca explora a pegadinha de aplicar os valores de referência de TSH de adultos jovens (0,5 a 5,0 mUI/L) a um paciente idoso, induzindo o candidato a diagnosticar hipotireoidismo e indicar tratamento. No entanto, a literatura médica e as diretrizes atuais reconhecem que os valores de referência de TSH aumentam com a idade, e que o tratamento de hipotireoidismo subclínico em idosos assintomáticos não melhora a qualidade de vida nem reduz desfechos cardiovasculares. A chave para resolver a questão é entender que a interpretação dos exames de função tireoidiana deve ser feita à luz da idade do paciente e do contexto clínico, e não apenas comparando com um valor de referência único.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O hipotireoidismo apático é uma forma grave e rara de hipotireoidismo, mais comum em idosos, caracterizada por depressão, letargia, hiporreflexia e, em casos extremos, coma mixedematoso. O paciente do caso é assintomático, tem boa saúde e não apresenta nenhum desses sinais. O diagnóstico de hipotireoidismo apático exigiria a presença de sintomas neuropsiquiátricos marcantes, o que não ocorre. A alternativa erra ao rotular o quadro como uma forma grave da doença, quando se trata de um achado laboratorial isolado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tratamento com levotiroxina não é indicado neste caso, pois o paciente é assintomático, tem TSH apenas discretamente elevado (6,2 mUI/L) e T4 livre normal. Estudos randomizados não demonstraram melhora na qualidade de vida ou em desfechos cardiovasculares com o tratamento do hipotireoidismo subclínico em idosos assintomáticos. Pelo contrário, o tratamento pode causar iatrogenia, como taquiarritmias e perda óssea. A alternativa erra ao afirmar que a levotiroxina melhorará a qualidade de vida, quando a evidência atual sugere o contrário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há indicação de iniciar estatina neste paciente. O caso não menciona dislipidemia, e o hipotireoidismo subclínico, por si só, não é uma indicação para terapia hipolipemiante. A alternativa é um distrator que tenta associar o hipotireoidismo à hipercolesterolemia, mas a decisão de usar estatina deve ser baseada no risco cardiovascular global do paciente, e não na presença de um TSH levemente elevado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Em octogenários, os valores de referência de TSH são mais elevados do que em adultos jovens, e um valor de 6,2 mUI/L pode ser considerado normal para essa faixa etária. A elevação do TSH com o envelhecimento é um fenômeno fisiológico, e o tratamento não é recomendado na ausência de sintomas ou de outros indicadores de risco. A alternativa reflete o conhecimento atual de que a interpretação dos exames de tireoide deve ser individualizada por idade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Um valor de TSH nessa faixa (levemente elevado) está associado a um aumento da resistência vascular sistêmica, e não à sua diminuição. O hipotireoidismo, mesmo subclínico, pode levar a disfunção endotelial e aumento da rigidez arterial, contribuindo para a hipertensão diastólica. A alternativa inverte o efeito fisiológico do TSH elevado sobre o sistema cardiovascular.

Gabarito: letra D

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