Homem de 68 anos, com doença renal crônica estágio IV, está recebendo eritropoetina com uma hemoglobina alvo de 14 g/dL.A condição que tem maior associação direta como resultado dessa terapia é
Aacidente vascular cerebral isquêmico.
Bconvulsão.
Cdemência.
Dneuropatia periférica.
Etrombose venosa central.
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GabaritoA — acidente vascular cerebral isquêmico.
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Eritropoetina na doença renal crônica: riscos da normalização da hemoglobina
Gabarito: letra A. O uso de eritropoetina com alvo de hemoglobina de 14 g/dL — acima da faixa recomendada de 10 a 12 g/dL — associa-se diretamente a maior risco de acidente vascular cerebral isquêmico, conforme evidenciado pelo estudo Normal Hematocrit Cardiac Trial e incorporado às recomendações de segurança da FDA. A questão testa o conhecimento sobre os riscos da supercorreção da anemia na doença renal crônica (DRC).
A eritropoetina é um hormônio produzido pelos rins que estimula a medula óssea a produzir hemácias. Na DRC, a produção endógena cai, levando à anemia. O tratamento com agentes estimuladores da eritropoetina (AEE), como a alfaepoetina, revolucionou o manejo dessa anemia, reduzindo a necessidade de transfusões e melhorando a qualidade de vida. Porém, o alvo terapêutico é crucial: estudos demonstraram que manter a hemoglobina em níveis muito altos (acima de 13 g/dL) aumenta a morbimortalidade, especialmente por eventos cardiovasculares e tromboembólicos.
O estudo Normal Hematocrit Cardiac Trial (Besarab et al., 1998) avaliou pacientes em hemodiálise com cardiopatia, comparando alvo de hemoglobina de 10–11 g/dL versus normalização (13–15 g/dL). O estudo foi interrompido precocemente pelo aumento de mortes no grupo de normalização. A revisão de Coyne (2010) confirmou aumento significativo do risco de morte (risco relativo 1,27; IC 95% 1,04–1,54) no grupo com hemoglobina normalizada, sem benefício consistente na qualidade de vida. Esses dados foram incorporados às recomendações de segurança da FDA sobre o uso de epoetina em pacientes com DRC.
A faixa terapêutica atualmente recomendada para hemoglobina em pacientes com DRC em uso de AEE é de 10 a 12 g/dL. O alvo de 14 g/dL do enunciado é, portanto, excessivo e expõe o paciente a riscos. O principal risco associado a esse alvo elevado é o acidente vascular cerebral isquêmico, um evento tromboembólico arterial. A eritropoetina aumenta a viscosidade sanguínea e pode elevar a pressão arterial, contribuindo para eventos vasculares.
A pegadinha da questão está em distinguir os eventos tromboembólicos arteriais (AVC isquêmico, infarto) dos venosos (trombose venosa). Embora a eritropoetina possa aumentar o risco trombótico em geral, a associação mais forte e documentada com alvos elevados de hemoglobina é com eventos arteriais, especialmente o AVC isquêmico. As demais alternativas (convulsão, demência, neuropatia periférica) não têm associação direta e consistente com a terapia com eritropoetina.
1Alvo de Hb 14 g/dL (excessivo)
2↑ Viscosidade sanguínea
3↑ Pressão arterial
4[-] Evento arterial (AVC isquêmico)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O alvo de hemoglobina de 14 g/dL (acima da faixa recomendada de 10–12 g/dL) associa-se diretamente a maior risco de acidente vascular cerebral isquêmico. O estudo Normal Hematocrit Cardiac Trial demonstrou aumento de eventos cardiovasculares e morte com a normalização da hemoglobina, e a FDA incorporou essas evidências às recomendações de segurança. O AVC isquêmico é o evento tromboembólico arterial mais fortemente associado à supercorreção da anemia com eritropoetina.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Convulsão não é uma complicação diretamente associada ao uso de eritropoetina com alvo elevado de hemoglobina. Embora a eritropoetina possa ter efeitos neurológicos, a convulsão não é um evento descrito como consequência da supercorreção da anemia. O risco mais documentado é o de eventos vasculares, não convulsivos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Demência não é uma complicação diretamente associada à terapia com eritropoetina. Na verdade, o tratamento da anemia pode melhorar a função cognitiva, e não piorá-la. A demência não figura entre os riscos da supercorreção da hemoglobina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Neuropatia periférica não é uma complicação associada ao uso de eritropoetina. A neuropatia periférica na DRC geralmente está relacionada a outras causas, como diabetes ou uremia, não ao tratamento com AEE. Não há evidência de associação direta entre o alvo elevado de hemoglobina e neuropatia periférica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Trombose venosa central é um evento tromboembólico venoso, mas a associação mais forte e documentada com alvos elevados de hemoglobina em pacientes com DRC é com eventos arteriais, como o AVC isquêmico. Embora a eritropoetina possa aumentar o risco trombótico em geral, a trombose venosa central não é a complicação mais diretamente associada a esse cenário. A banca explora a confusão entre trombose arterial e venosa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o evento arterial (AVC isquêmico) pelo venoso (trombose venosa central). O candidato que lembra que a eritropoetina aumenta o risco de trombose pode marcar a letra E, mas a associação mais forte e específica com alvo elevado de hemoglobina é com o AVC isquêmico, um evento arterial. Lembre-se: a supercorreção da anemia aumenta a viscosidade e o risco de eventos arteriais, não venosos centrais.
NÃO CAIA NESSA!
Memorize a faixa terapêutica de hemoglobina na DRC: 10 a 12 g/dL. Qualquer alvo acima disso (como 14 g/dL) é considerado excessivo e associa-se a maior risco de eventos cardiovasculares, especialmente AVC isquêmico. Essa é uma pegadinha recorrente em provas de nefrologia.