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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu112574
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico (Área de atuação: Toxicologia)
Homem de 63 anos é avaliado com queixa de dor e queimação nos dois pés, causando desconforto ao caminhar. Ele também sente como se “algo estivesse preso em seu sapato” às vezes. Seu exame é notável por vibração, picada de alfinete e sensação de temperatura normais, embora ele se queixe de sensibilidade à palpação dos pés. Seus reflexos tendinosos profundos são normais.Considerando a principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar:
  1. Aa biópsia de pele resulta frequentemente como normal.
  2. Bdistúrbios de desregulação da glicose causam a maioria dos casos.
  3. Cessa condição afeta mais frequentemente as fibras C mielinizadas.
  4. Do exame geralmente mostra propriocepção com toque leve prejudicados.
  5. Eos estudos de condução nervosa geralmente são anormais.
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GabaritoB — distúrbios de desregulação da glicose causam a maioria dos casos.

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Neuropatia Diabética Periférica Dolorosa

Gabarito: letra B. O quadro descrito — dor e queimação nos pés, sensação de corpo estranho no sapato, sensibilidade à palpação, com exame neurológico (vibração, picada, temperatura) e reflexos normais — é clássico de neuropatia diabética periférica dolorosa, e a principal hipótese diagnóstica é a polineuropatia distal simétrica associada ao diabetes, cuja causa mais comum é a desregulação da glicose (diabetes mellitus). As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a fisiopatologia e o diagnóstico dessa condição.

A neuropatia diabética é a complicação neurológica mais frequente do diabetes mellitus, afetando principalmente os nervos periféricos de forma distal e simétrica, em padrão "em bota e luva". A forma mais comum é a polineuropatia distal simétrica, que cursa com sintomas sensitivos como dor, queimação, parestesias e formigamento, que começam nos dedos dos pés e progridem proximalmente. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, sendo um diagnóstico de exclusão — outras causas de neuropatia (álcool, deficiência de B12, hipotireoidismo, doença renal, etc.) devem ser afastadas.

O exame físico na neuropatia diabética pode revelar perda de sensibilidade (tátil, vibratória, térmica e dolorosa), hiporreflexia ou arreflexia dos reflexos profundos, e alterações tróficas nos pés. No entanto, em fases iniciais ou em formas predominantemente dolorosas, o exame neurológico convencional pode ser normal, como no caso descrito — a dor neuropática pode ocorrer mesmo com exame neurológico normal, pois as fibras finas (C e A-delta) podem estar comprometidas sem que haja déficit evidente nas modalidades testadas rotineiramente (vibração, picada, temperatura).

A biópsia de pele é um exame complementar que avalia a densidade das fibras nervosas intraepidérmicas, sendo útil em casos de neuropatia de fibras finas, mas não é um exame de rotina e pode ser normal em muitos casos. Os estudos de condução nervosa (eletroneuromiografia) avaliam as fibras grossas mielinizadas e, na neuropatia diabética, geralmente mostram alterações (diminuição da amplitude e da velocidade de condução), mas em casos de neuropatia de fibras finas podem ser normais. A propriocepção e o toque leve são modalidades mediadas por fibras grossas e, no caso descrito, estão preservados.

A alternativa correta é a B, pois a desregulação da glicose (diabetes mellitus) é a causa mais comum de neuropatia periférica, e o quadro clínico apresentado é típico de neuropatia diabética dolorosa. As demais alternativas estão incorretas: a biópsia de pele não é frequentemente normal (pode mostrar redução da densidade de fibras nervosas), a condição afeta mais frequentemente as fibras C não mielinizadas (e não mielinizadas), o exame geralmente mostra propriocepção e toque leve preservados (e não prejudicados), e os estudos de condução nervosa geralmente são anormais (embora possam ser normais em neuropatia de fibras finas).

1Fisiopatologia
Fibras C amielínicas
Fibras A-delta finamente mielinizadas
2Quadro clínico
Dor e queimação nos pés
Sensação de corpo estranho
Exame neurológico normal
3Diagnóstico
Clínico (exclusão)
Biópsia de pele (fibras intraepidérmicas)
Condução nervosa (fibras grossas)
4Causa mais comum
Desregulação da glicose (diabetes)
Neuropatia diabética periférica dolorosa
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Neuropatia diabética periférica dolorosa: Fisiopatologia (Fibras C amielínicas, Fibras A-delta finamente mielinizadas); Quadro clínico (Dor e queimação nos pés, Sensação de corpo estranho, Exame neurológico normal); Diagnóstico (Clínico (exclusão), Biópsia de pele (fibras intraepidérmicas), Condução nervosa (fibras grossas)); Causa mais comum (Desregulação da glicose (diabetes))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A biópsia de pele, que avalia a densidade de fibras nervosas intraepidérmicas, frequentemente mostra alterações (redução da densidade) em pacientes com neuropatia diabética, especialmente em casos de neuropatia de fibras finas. Embora possa ser normal em alguns casos, não é correto afirmar que "resulta frequentemente como normal". A biópsia de pele é um exame complementar útil, mas não é o padrão-ouro para o diagnóstico, que é clínico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A desregulação da glicose (diabetes mellitus) é a causa mais comum de neuropatia periférica, e o quadro clínico descrito — dor e queimação nos pés, sensação de corpo estranho, sensibilidade à palpação, com exame neurológico normal — é típico de neuropatia diabética periférica dolorosa. O diabetes é a principal etiologia de polineuropatia distal simétrica, e o controle glicêmico é a base do tratamento para prevenir a progressão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A neuropatia diabética afeta mais frequentemente as fibras C não mielinizadas (e as fibras A-delta finamente mielinizadas), que são responsáveis pela transmissão da dor e da temperatura. A alternativa afirma que afeta "as fibras C mielinizadas", o que é um erro conceitual — as fibras C são amielínicas (não mielinizadas). A perda dessas fibras está associada à dor neuropática e à perda de sensibilidade térmica e dolorosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

No caso descrito, a propriocepção e o toque leve estão preservados (o exame mostra vibração, picada e temperatura normais). A alternativa afirma que "o exame geralmente mostra propriocepção com toque leve prejudicados", o que contraria o quadro clínico apresentado. Na neuropatia diabética, a perda de propriocepção e toque leve ocorre em fases mais avançadas, quando há comprometimento das fibras grossas, mas não é o achado predominante no caso descrito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os estudos de condução nervosa (eletroneuromiografia) na neuropatia diabética geralmente são anormais, mostrando diminuição da amplitude e da velocidade de condução, especialmente nas fibras grossas. No entanto, em casos de neuropatia de fibras finas (como pode ser o caso descrito), os estudos de condução podem ser normais. A alternativa afirma que "geralmente são anormais", o que é verdadeiro na maioria dos casos, mas não é uma característica exclusiva — e a questão pede a alternativa correta considerando a principal hipótese diagnóstica, que é a neuropatia diabética, onde os estudos de condução costumam estar alterados, mas não são o exame de escolha para o diagnóstico.

Gabarito: letra B

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