Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu112579
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico (Área de atuação: Toxicologia)
Mulher de 21 anos está na 14ª semana de gravidez e evolui com uma erupção vesicular dolorosa em região genital. Ela nunca teve algo parecido anteriormente e não há comorbidades. O diagnóstico é de herpes genital (HG).Em relação a essa patologia, é correto afirmar:
Aa cesárea é recomendada para o parto, independentemente de haver ou não lesões herpéticas recorrentes naquele momento.
Ba interrupção da gravidez deve ser considerada quando há uma infecção ativa pelo vírus herpes simples.
Co risco de transmissão para o recém-nascido é alto no HG adquirido próximo ao termo e menor quando adquirido durante a primeira metade da gravidez.
Do HG é uma infecção sexualmente transmissível que pode ser tratada para prevenir futuras recorrências.
Emedicamentos antivirais, como o aciclovir, são contraindicados na gravidez.
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GabaritoC — o risco de transmissão para o recém-nascido é alto no HG adquirido próximo ao termo e menor quando adquirido durante a primeira metade da gravidez.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Herpes genital na gestação: risco de transmissão vertical e conduta
Gabarito: letra C. O risco de transmissão do herpes simples para o recém-nascido é alto quando a infecção primária é adquirida próximo ao termo e menor quando adquirida na primeira metade da gestação, pois a primoinfecção tardia não permite tempo suficiente para a transferência de anticorpos maternos ao feto. Essa é a base do manejo obstétrico do herpes genital (HG), que orienta desde a via de parto até o uso de antiviral supressivo.
O herpes genital é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo vírus herpes simples (HSV), tipicamente o tipo 2, embora o tipo 1 também possa causá-lo. Na gestação, a preocupação central é a transmissão vertical, que ocorre sobretudo no momento da passagem do feto pelo canal de parto, quando há lesões ativas. O risco de transmissão neonatal é muito maior na primoinfecção (primeiro episódio, geralmente mais sintomático e com maior excreção viral) do que na recorrência, pois na primoinfecção a mãe ainda não desenvolveu anticorpos neutralizantes que atravessam a placenta e protegem parcialmente o feto. Por isso, o momento da aquisição da infecção é decisivo: se o HG é adquirido no início da gestação, há tempo para a soroconversão materna e passagem de IgG transplacentária, reduzindo o risco de doença neonatal grave; se adquirido próximo ao termo, a mãe não teve tempo de montar essa resposta imune, e o risco de transmissão e de herpes neonatal disseminado é alto.
Na prática, o manejo se divide em dois eixos. O primeiro é a via de parto: a cesariana está indicada quando há lesões herpéticas ativas no canal de parto ou pródromos no momento do trabalho de parto, ou ainda em caso de ruptura prematura de membranas em gestante com infecção ativa. Se não há lesões, o parto vaginal é estimulado, e não se recomenda cultura de vigilância de rotina. O segundo eixo é o tratamento antiviral: o aciclovir é seguro e indicado na gestação, tanto para tratar episódios agudos quanto para supressão a partir da 36ª semana em mulheres com história de herpes recorrente, reduzindo a recorrência de lesões no parto e a necessidade de cesariana. A interrupção da gravidez não é indicada em nenhum cenário de herpes genital, e o tratamento antiviral não erradica o vírus latente — ele controla os surtos, mas não previne futuras recorrências.
A pegadinha central desta questão é a relação entre o momento da infecção e o risco de transmissão: muitos candidatos invertem a lógica, achando que infecção precoce é mais perigosa por ter mais tempo de evolução. Na verdade, o que importa é a janela imunológica: infecção recente (próximo ao termo) = sem anticorpos protetores = alto risco; infecção antiga (primeira metade) = anticorpos já formados = menor risco. Guarde essa fronteira entre primoinfecção tardia (alto risco) e infecção precoce/recorrente (menor risco) — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Herpes genital na gestação
1Transmissão vertical
Primoinfecção tardia (próximo ao termo)
alto risco (sem anticorpos maternos)
Infecção precoce (1ª metade)
menor risco (IgG transplacentária)
2Manejo
Via de parto
Lesões ativas no canal → cesariana
Sem lesões → parto vaginal
Antiviral (aciclovir)
Seguro na gestação
Supressão a partir de 36 semanas
Não erradica o vírus latente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a cesárea é recomendada independentemente de haver lesões. Isso contraria a conduta obstétrica: a cesariana é indicada apenas quando há lesões herpéticas ativas no canal de parto (ou pródromos) no momento do parto. Na ausência de lesões, o parto vaginal é estimulado, e não se realizam culturas de rotina. A alternativa erra ao generalizar a indicação de cesariana para todos os casos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a interrupção da gravidez deve ser considerada na infecção ativa. Não há qualquer indicação de abortamento terapêutico para herpes genital na gestação. O manejo é clínico-obstétrico: antiviral (aciclovir) para tratar ou suprimir a infecção, e cesariana se houver lesões ativas no canal de parto. A interrupção da gravidez não faz parte do arsenal terapêutico do HG.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a afirmação correta. O risco de transmissão neonatal é alto no HG adquirido próximo ao termo (primoinfecção tardia, sem anticorpos maternos transferidos) e menor quando adquirido na primeira metade da gravidez (tempo para soroconversão e passagem de IgG transplacentária). Esse é o racional que justifica a atenção redobrada a gestantes com primoinfecção no terceiro trimestre e a indicação de cesariana diante de lesões ativas no parto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o HG pode ser tratado para prevenir futuras recorrências. O tratamento antiviral (aciclovir) controla os surtos e reduz a excreção viral, mas não erradica o vírus latente nos gânglios sensitivos — portanto, não previne recorrências futuras. O que se pode fazer é supressão com antiviral contínuo para diminuir a frequência dos surtos, mas não há cura. A alternativa confunde "tratar o episódio" com "curar/prevenir recorrências".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que antivirais como o aciclovir são contraindicados na gravidez. É exatamente o oposto: o aciclovir é o antiviral de escolha na gestação, considerado seguro e indicado tanto para tratamento de episódios agudos quanto para supressão a partir da 36ª semana em gestantes com herpes recorrente. A alternativa inverte a recomendação clínica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da lógica do risco: o candidato pode pensar que infecção precoce = mais tempo de doença = maior risco. Na verdade, o risco é maior na primoinfecção próxima ao termo, porque não há tempo para a mãe produzir anticorpos que protejam o feto. Memorize: quanto mais tardia a primoinfecção, maior o risco neonatal — e o aciclovir é seguro na gestação, não contraindicado.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de herpes na gestação, monte mentalmente o fluxo: (1) há lesões ativas no canal de parto? → cesariana; (2) primoinfecção no 3º trimestre? → alto risco, considerar cesariana e antiviral; (3) história de recorrência? → supressão com aciclovir a partir de 36 semanas. Esse raciocínio resolve a maioria das questões do tema.