Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu112590
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico - Área de Atuação: Medicina do Trabalho - Edital nº 228
Ao avaliar três empregados com suspeita de uso de substâncias psicoativas, o médico identificou padrões distintos de sinais e sintomas:• Trabalhador 1: agitação psicomotora, midríase, taquicardia, sudorese excessiva e relatos de episódios paranoides.• Trabalhador 2: olhos vermelhos, dificuldade de memória recente, lentidão nos movimentos, percepção distorcida do tempo e sonolência.• Trabalhador 3: lesões periorais e nas mãos, emagrecimento abrupto, tosse crônica e comportamento impulsivo.Com base nesses achados, a correlação mais provável entre os quadros clínicos apresentados e as substâncias envolvidas é
A1. maconha; 2. crack; 3. cocaína.
B1. cocaína; 2. maconha; 3. crack.
C1. crack; 2. cocaína; 3. maconha.
D1. cocaína; 2. crack; 3. maconha.
E1. crack; 2. maconha; 3. cocaína.
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GabaritoB — 1. cocaína; 2. maconha; 3. crack.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Intoxicação por substâncias psicoativas: reconhecimento sindrômico
Gabarito: letra B. O Trabalhador 1 apresenta síndrome estimulante (agitação, midríase, taquicardia, sudorese, paranoia) — típica de cocaína; o Trabalhador 2 apresenta síndrome depressora do SNC (olhos vermelhos, lentidão, sonolência, alteração de memória e percepção temporal) — típica de maconha; o Trabalhador 3 apresenta sinais de uso inalado/fumado (lesões periorais e nas mãos, emagrecimento, tosse crônica, impulsividade) — típicos de crack. A correlação é, portanto, 1-cocaína, 2-maconha, 3-crack.
O reconhecimento sindrômico das intoxicações por substâncias psicoativas é uma habilidade clínica central na emergência psiquiátrica e na medicina do trabalho. O raciocínio não parte da substância, mas do padrão de sinais e sintomas que ela produz, agrupados em grandes síndromes: estimulante, depressora, alucinógena e de abstinência. Cada droga tem um perfil farmacológico que explica por que ela gera aquele conjunto de efeitos — e é esse perfil que permite ao médico, mesmo sem exame toxicológico, levantar a hipótese diagnóstica mais provável.
A cocaína é um estimulante do sistema nervoso central: bloqueia a recaptação de dopamina, noradrenalina e serotonina, aumentando sua disponibilidade na fenda sináptica. Isso explica a tríade clássica de agitação psicomotora, taquicardia e midríase (ativação simpática), além da sudorese e dos episódios paranoides — a psicose cocaínica é um quadro bem descrito, com ideação persecutória em usuários crônicos ou em intoxicação aguda intensa. Já a maconha (tetrahidrocanabinol, THC) atua em receptores canabinoides CB1 no SNC, produzindo efeito predominantemente depressor/sedativo: hiperemia conjuntival (os "olhos vermelhos"), prejuízo de memória recente, lentificação psicomotora, distorção da percepção temporal e sonolência. O crack é a forma fumada da cocaína — a mesma substância, mas com via de administração inalatória — e por isso associa os efeitos estimulantes da cocaína aos sinais do uso fumado: lesões periorais e nas mãos (queimaduras pelo cachimbo), tosse crônica (irritação das vias aéreas), emagrecimento abrupto e comportamento impulsivo.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre cocaína e crack: como são a mesma molécula, os efeitos sistêmicos são semelhantes, mas a via de administração muda o quadro clínico. O crack, por ser fumado, atinge o cérebro em segundos, produzindo euforia intensa e fugaz, e deixa marcas físicas do uso inalado — as lesões periorais e a tosse crônica são o diferencial. A maconha, por sua vez, é a única das três que produz síndrome depressora com hiperemia conjuntival, o que a distingue imediatamente das outras duas.
Guarde o critério decisivo: síndrome estimulante pura (cocaína) × síndrome depressora com hiperemia conjuntival (maconha) × síndrome estimulante com sinais de uso fumado (crack). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Síndromes por substância: Estimulante (cocaína) (Agitação psicomotora, Midríase e taquicardia, Sudorese e paranoia); Depressora (maconha) (Olhos vermelhos, Déficit de memória recente, Lentidão e sonolência, Distorção temporal); Estimulante fumado (crack) (Lesões periorais e nas mãos, Tosse crônica, Emagrecimento abrupto, Impulsividade)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inverte a correlação do Trabalhador 1 (maconha) e do Trabalhador 2 (crack). A maconha não produz agitação psicomotora com midríase e taquicardia — ela é depressora do SNC, com sonolência e lentidão. O crack não cursa com olhos vermelhos e percepção distorcida do tempo; esses são sinais canabinoides.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correlaciona corretamente os três quadros: Trabalhador 1 (síndrome estimulante: agitação, midríase, taquicardia, sudorese, paranoia) = cocaína; Trabalhador 2 (síndrome depressora: olhos vermelhos, déficit de memória, lentidão, distorção temporal, sonolência) = maconha; Trabalhador 3 (sinais de uso fumado: lesões periorais e nas mãos, emagrecimento, tosse crônica, impulsividade) = crack.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui o Trabalhador 1 ao crack e o Trabalhador 2 à cocaína. O crack, embora seja cocaína fumada, não é a primeira hipótese para o quadro do Trabalhador 1, que não traz sinais de uso inalado (lesões periorais, tosse). E a cocaína não produz olhos vermelhos nem sonolência — ela é estimulante, com midríase e agitação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Troca o Trabalhador 2 (maconha) por crack. O quadro do Trabalhador 2 é claramente depressor do SNC, com hiperemia conjuntival — sinais canabinoides, não de crack, que é estimulante e não causa olhos vermelhos nem sonolência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Atribui o Trabalhador 1 ao crack e o Trabalhador 3 à cocaína. O Trabalhador 1 não apresenta sinais de uso fumado (lesões periorais, tosse), então crack é menos provável que cocaína. E o Trabalhador 3, com lesões periorais e tosse crônica, é o exemplo clássico de uso de crack fumado, não de cocaína aspirada/injetada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre cocaína e crack — a mesma molécula, mas vias de administração diferentes. O candidato que decora apenas "cocaína = estimulante" tende a marcar cocaína para o Trabalhador 3, esquecendo que as lesões periorais e a tosse crônica são a assinatura do uso fumado (crack). E a maconha, por ser a única depressora com hiperemia conjuntival, é o quadro mais fácil de identificar — use-o como âncora para eliminar alternativas.
PEGA ESSA DICA!
Monte um quadro mental de síndromes: estimulante (cocaína, crack, anfetaminas) → agitação, midríase, taquicardia, sudorese, paranoia; depressor (maconha, álcool, benzodiazepínicos, opioides) → sonolência, lentidão, hiporreflexia; alucinógeno (LSD, cogumelos) → distorções sensoriais sem depressão do SNC. Depois, dentro da síndrome estimulante, separe cocaína (aspirada/injetada) de crack (fumado) pelos sinais de via inalatória: lesões periorais, tosse crônica, emagrecimento.