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Questão de Medicina — Pneumologia — VUNESP 2025

MedicinaPneumologia
Código
vu112616
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico - Área de Atuação: Medicina do Trabalho e Clínica Geral - Edital nº 127
Homem de 57 anos relata quadro progressivo de dispneia aos esforços, com piora nas últimas 4 semanas. Refere tosse minimamente produtiva, com predomínio matinal, há 2 anos. O histórico é relevante para tabagismo de 40 maços-ano. Nega comorbidades como hipertensão arterial, hipercolesterolemia ou diabetes mellitus. Ao exame físico, encontra-se confortável em repouso; saturação periférica de oxigênio em ar ambiente é de 93%; veias jugulares encontram-se planas e a ausculta cardíaca é normal; pulmonar: sem crepitações, com murmúrio vesicular globalmente diminuído; abdome normal; extremidades sem edema. A radiografia de tórax evidencia hiperinsuflação pulmonar, sem sinais de cardiomegalia ou congestão pulmonar.Considerando a principal hipótese diagnóstica, o próximo passo mais importante para o estadiamento da doença desse paciente é
  1. Aecocardiograma transtorácico com Doppler.
  2. Bgasometria arterial.
  3. Cteste de esforço cardiopulmonar com medida do consumo máximo de oxigênio.
  4. Dteste de função pulmonar (espirometria).
  5. Etomografia computadorizada de cortes finos de tórax.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — teste de função pulmonar (espirometria).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

DPOC: diagnóstico e estadiamento

Gabarito: letra D. O paciente apresenta quadro clássico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) — tabagismo pesado (40 maços-ano), dispneia progressiva, tosse matinal produtiva e radiografia com hiperinsuflação pulmonar. O próximo passo para o estadiamento é a espirometria, que confirma o diagnóstico ao demonstrar obstrução ao fluxo aéreo (relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador) e classifica a gravidade pelo VEF1. A espirometria é o padrão-ouro para avaliação funcional e estadiamento da DPOC, conforme diretrizes da GOLD e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

A DPOC é uma doença respiratória crônica caracterizada por obstrução persistente e geralmente progressiva do fluxo aéreo, associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. O diagnóstico é essencialmente clínico-funcional: exige a presença de sintomas respiratórios (dispneia, tosse, expectoração) e a confirmação da obstrução por espirometria. A radiografia de tórax, embora possa mostrar hiperinsuflação (como no caso), não confirma o diagnóstico — serve para excluir outras causas e avaliar comorbidades. A espirometria, por sua vez, é o exame que define a presença de obstrução (VEF1/CVF < 0,70 após broncodilatador) e permite o estadiamento da doença em quatro grupos (GOLD 1 a 4) com base no VEF1 pós-broncodilatador. É exatamente esse estadiamento que a questão pede.

Na prática, o fluxo diagnóstico é: suspeita clínica (sintomas + fatores de risco) → espirometria para confirmar obstrução e classificar gravidade → avaliação de sintomas e risco de exacerbações para definir o grupo GOLD (A, B, E) e orientar o tratamento. A espirometria é, portanto, o passo imediato e indispensável após a suspeita clínica, antes de qualquer outro exame complementar. Exames como gasometria arterial, ecocardiograma, teste de esforço cardiopulmonar e tomografia têm indicações específicas, mas não são o próximo passo para o estadiamento da DPOC em um paciente estável com suspeita clínica clássica.

A distinção crucial é entre diagnóstico funcional (espirometria) e avaliação de complicações ou diagnósticos diferenciais (TC, ecocardiograma, gasometria). A espirometria é o exame que responde à pergunta "há obstrução ao fluxo aéreo?" e "qual a gravidade?" — exatamente o que o estadiamento exige. Os demais exames são complementares e só têm papel após a confirmação funcional, em situações específicas (suspeita de hipertensão pulmonar, avaliação pré-operatória, hipoxemia grave, etc.).

A pegadinha da banca está em oferecer exames que parecem razoáveis para avaliar dispneia, mas que não são o passo imediato para o estadiamento da DPOC. O candidato que não domina o fluxo diagnóstico pode se perder entre a gasometria (útil em exacerbação) e a TC (útil para avaliar enfisema), sem perceber que a espirometria é o exame que define o diagnóstico e o estadiamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre exames que avaliam consequências da DPOC (gasometria para hipoxemia, ecocardiograma para cor pulmonale, TC para enfisema) e o exame que define o diagnóstico e o estadiamento (espirometria). O paciente está estável (sem exacerbação), então gasometria não é prioridade; não há sinais de cor pulmonale (jugulares planas, ausculta cardíaca normal), então ecocardiograma não se justifica; e a TC é útil para fenótipo enfisematoso, mas não para estadiamento funcional. A espirometria é o padrão-ouro e o próximo passo obrigatório.

  1. 1Suspeita clínica (sintomas + risco)
  2. 2Espirometria (confirma obstrução)
  3. 3Estadiamento (VEF1 pós-BD)
  4. 4Grupo GOLD (A/B/E) e tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O ecocardiograma transtorácico com Doppler é indicado na suspeita de hipertensão pulmonar e cor pulmonale, que cursam com sinais de disfunção ventricular direita (turgência jugular, edema, B3). O paciente não apresenta esses sinais — jugulares planas, ausculta cardíaca normal, sem edema —, portanto o ecocardiograma não é o próximo passo para o estadiamento da DPOC. Ele pode ser solicitado posteriormente se houver suspeita clínica de complicação cardiovascular, mas não é o exame que define o estadiamento funcional.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A gasometria arterial é útil na avaliação de hipoxemia e hipercapnia, especialmente em exacerbações agudas ou DPOC avançada com insuficiência respiratória. O paciente está clinicamente estável (confortável em repouso, SpO2 93%), sem sinais de exacerbação. A gasometria não estadiar a DPOC — ela avalia troca gasosa, não a obstrução ao fluxo aéreo. A oximetria de pulso já fornece uma avaliação inicial da oxigenação, e a gasometria fica reservada para casos selecionados (suspeita de hipercapnia, avaliação pré-oxigenoterapia, exacerbação grave).

Alternativa C — ❌ Incorreta

O teste de esforço cardiopulmonar (TECP) com medida do consumo máximo de oxigênio (VO2 máx) é um exame sofisticado, indicado para avaliar dispneia de causa indeterminada, quantificar limitação ao exercício e diferenciar causas cardíacas e pulmonares. Não é o exame de primeira linha para estadiamento da DPOC — é reservado para casos selecionados, como avaliação pré-cirúrgica de redução de volume pulmonar ou transplante, ou quando há dúvida diagnóstica após investigação inicial. O TECP não é necessário para estadiar a DPOC em um paciente com quadro clínico clássico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A espirometria é o padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento da DPOC. Ela confirma a obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador) e classifica a gravidade pelo VEF1 pós-broncodilatador (GOLD 1: ≥ 80%; GOLD 2: 50-79%; GOLD 3: 30-49%; GOLD 4: < 30%). No paciente com suspeita clínica de DPOC (tabagismo, dispneia, tosse, hiperinsuflação), a espirometria é o próximo passo obrigatório para confirmar o diagnóstico e estabelecer o estadiamento funcional, que orienta o tratamento. É o exame que responde diretamente à pergunta do enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada de cortes finos de tórax (TCAR) é mais sensível que a radiografia para identificar enfisema, espessamento brônquico e aprisionamento aéreo, sendo útil para caracterizar o fenótipo da doença e excluir diagnósticos diferenciais (como bronquiectasias ou neoplasia). No entanto, alterações tomográficas isoladas, sem evidência funcional de obstrução, não são suficientes para o diagnóstico de DPOC. A TC não estadiar a doença em termos funcionais — ela avalia morfologia, não função. É um exame complementar, indicado em casos selecionados (espirometria inconclusiva, suspeita de bronquiectasias, avaliação pré-cirúrgica), não o próximo passo para o estadiamento.

Gabarito: letra D — a espirometria é o exame que confirma o diagnóstico e estadiar a DPOC, sendo o próximo passo obrigatório após a suspeita clínica.

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