Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu112627
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico - Área de Atuação: Medicina do Trabalho e Clínica Geral - Edital nº 177
Muitos medicamentos usados para tratar a insuficiência cardíaca reduzem as concentrações do peptídeo natriurético tipo B (BNP); portanto, pacientes com insuficiência cardíaca crônica estável em uso de tais medicamentos podem ter níveis normais desse marcador sérico. No entanto, alguns medicamentos podem aumentar os níveis da classe dos peptídeos natriuréticos.Assinale a alternativa que apresenta aquele que, mais frequentemente, pode cursar com elevação dos níveis de BNP.
  1. ACarvedilol.
  2. BDigoxina.
  3. CEspironolactona.
  4. DLisinopril.
  5. EOlmesartana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Digoxina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Peptídeos natriuréticos e fármacos na insuficiência cardíaca

Gabarito: letra B. A digoxina, um glicosídeo cardíaco, é o fármaco que, entre as opções, mais frequentemente pode cursar com elevação dos níveis de BNP, pois aumenta a pressão de enchimento ventricular e a tensão da parede cardíaca, estímulos diretos para a liberação do peptídeo. Os demais fármacos (carvedilol, espironolactona, lisinopril e olmesartana) reduzem a sobrecarga hemodinâmica e, consequentemente, tendem a diminuir os níveis de BNP.

O BNP (peptídeo natriurético tipo B) é um hormônio secretado principalmente pelos miócitos ventriculares em resposta ao estiramento da parede cardíaca, que ocorre em situações de sobrecarga de volume ou pressão. Na insuficiência cardíaca (IC), o aumento do volume diastólico final e da pressão de enchimento ventricular distende as fibras musculares, estimulando a síntese e a liberação do BNP. Esse peptídeo atua como um contrarregulador neuro-hormonal: promove natriurese, vasodilatação e inibição do sistema renina-angiotensina-aldosterona, tentando compensar o estado de congestão.

Os medicamentos utilizados no tratamento da IC crônica — betabloqueadores (carvedilol), antagonistas do receptor de mineralocorticoides (espironolactona), inibidores da ECA (lisinopril) e bloqueadores do receptor de angiotensina II (olmesartana) — atuam reduzindo a pré-carga, a pós-carga e o estresse parietal, o que diminui o estímulo para a liberação de BNP. Por isso, pacientes estáveis em uso dessas medicações podem apresentar níveis séricos de BNP dentro da normalidade, mesmo com disfunção ventricular significativa.

A digoxina, por sua vez, tem mecanismo de ação distinto: inibe a Na⁺/K⁺-ATPase da membrana celular, aumentando o cálcio intracelular e, assim, a contratilidade miocárdica (efeito inotrópico positivo). Embora melhore a função sistólica, a digoxina não reduz a pré-carga nem a pós-carga de forma relevante; pelo contrário, pode aumentar a pressão de enchimento ventricular em algumas situações, especialmente se houver piora da função diastólica ou se o paciente não estiver adequadamente compensado. Esse aumento da tensão parietal estimula a liberação de BNP, o que explica a elevação observada em muitos pacientes em uso do fármaco.

É importante distinguir o efeito da digoxina do efeito de outros fármacos que também podem elevar o BNP, como o sacubitril-valsartana. O sacubitril inibe a neprilisina, enzima responsável pela degradação dos peptídeos natriuréticos, aumentando especificamente os níveis de BNP (mas não de NT-proBNP). Já a digoxina eleva o BNP por um mecanismo hemodinâmico, aumentando o estiramento ventricular, e não por interferência direta na degradação do peptídeo.

A pegadinha desta questão está em associar a digoxina apenas ao seu efeito inotrópico positivo, esquecendo que ela não reduz a sobrecarga hemodinâmica como os demais fármacos. O candidato pode ser levado a pensar que todos os medicamentos para IC reduzem o BNP, mas a digoxina é a exceção entre as opções apresentadas.

Fármacos na IC e BNP
  • 1Reduzem BNP (diminuem estresse parietal)
    • Carvedilol (betabloqueador)
    • Espironolactona (antagonista de mineralocorticoide)
    • Lisinopril (IECA)
    • Olmesartana (BRA)
  • 2Elevam BNP
    • Digoxina (inotrópico positivo)
      • Aumenta pressão de enchimento ventricular
      • Aumenta tensão da parede
      • Estimula liberação do peptídeo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O carvedilol é um betabloqueador não seletivo que reduz a frequência cardíaca, a contratilidade e o consumo de oxigênio pelo miocárdio, diminuindo o estresse parietal e, consequentemente, os níveis de BNP. Seu uso crônico está associado à redução dos níveis do peptídeo, não à elevação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A digoxina, por seu efeito inotrópico positivo sem redução significativa da pré-carga ou pós-carga, pode aumentar a pressão de enchimento ventricular e a tensão da parede, estimulando a liberação de BNP. Esse é o mecanismo pelo qual a digoxina, mais frequentemente entre as opções, cursa com elevação dos níveis do peptídeo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A espironolactona é um antagonista do receptor de mineralocorticoides que promove diurese e redução da pré-carga, diminuindo o estiramento ventricular e, portanto, os níveis de BNP. Seu efeito é de redução, não de elevação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O lisinopril é um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) que reduz a pós-carga e a pré-carga, diminuindo o estresse parietal e os níveis de BNP. É um dos pilares do tratamento da IC que contribui para a normalização do marcador.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A olmesartana é um bloqueador do receptor de angiotensina II (BRA) com efeitos hemodinâmicos semelhantes aos dos IECAs: redução da pós-carga e da pré-carga, com consequente diminuição dos níveis de BNP. Não há mecanismo que justifique elevação do peptídeo com seu uso.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu112627