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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
vu112629
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico - Área de Atuação: Medicina do Trabalho e Clínica Geral - Edital nº 177
Mulher de 41 anos apresenta-se em consulta ambulatorial com um achado incidental de colelitíase em uma ultrassonografia abdominal realizada por outra indicação. Ela é assintomática. Refere ingestão alcoólica moderada, mas nega outras comorbidades. Exames séricos: albumina: 3,9 g/dL; bilirrubina total: 0,8 mg/dL; alanina aminotransferase: 42 U/L; fosfatase alcalina: 104 U/L; proteína C-reativa: normal. O ultrassom revela três pequenos cálculos biliares em uma vesícula biliar de paredes finas, com ductos biliares intra e extra-hepáticos de calibre normal. Considerando a evolução para os próximos 10 anos, assinale a alternativa que descreve a informação com maior precisão acerca do prognóstico dessa paciente.
  1. AA colecistectomia está indicada para prevenir o desenvolvimento de colelitíase sintomática.
  2. BApresenta aproximadamente 5% de chance de desenvolver síndrome de Mirizzi.
  3. CApresenta até 10% de chance de desenvolver pancreatite, colecistite ou obstrução biliar.
  4. DApresenta cerca de 20% de chance de desenvolver cólica biliar.
  5. EApresenta mais de 95% de chance de permanecer assintomática.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apresenta cerca de 20% de chance de desenvolver cólica biliar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colelitíase assintomática: história natural e prognóstico

Gabarito: letra D. Em pacientes com colelitíase assintomática, o risco de desenvolver sintomas (cólica biliar) é de aproximadamente 2 a 3% ao ano, o que corresponde a cerca de 10% em 5 anos e aproximadamente 20% em 10 anos — exatamente o que afirma a alternativa D. As demais alternativas superestimam ou subestimam os riscos de complicações, que são bem menores do que o risco de sintomas.

A colelitíase é uma condição extremamente comum, afetando 10 a 15% da população adulta. A grande maioria dos cálculos biliares é assintomática — até 75% são clinicamente "silenciosos" e descobertos incidentalmente, como no caso da paciente. A história natural da doença é o ponto central desta questão: entender que o risco de desenvolver sintomas é baixo, mas não desprezível, e que o risco de complicações (colecistite, colangite, pancreatite) é ainda menor.

Os estudos de história natural mostram que, em pacientes assintomáticos, o risco de desenvolver sintomas é de aproximadamente 2 a 3% ao ano. Isso significa que, em 5 anos, cerca de 10% dos pacientes desenvolverão sintomas; em 10 anos, esse número sobe para aproximadamente 20%. Já o risco de complicações (colecistite aguda, colangite, pancreatite) é menor, em torno de 1 a 2% ao ano, acumulando cerca de 10% em 10 anos. Esses números são fundamentais para a decisão de manejo: na maioria dos pacientes assintomáticos, a conduta expectante (observação) é adequada, reservando-se a colecistectomia profilática para grupos de risco específicos.

A paciente em questão é uma mulher de 41 anos, com três pequenos cálculos em vesícula de paredes finas, ductos de calibre normal e exames laboratoriais sem alterações significativas. Ela não apresenta fatores de risco que justifiquem colecistectomia profilática (como diabetes, vesícula em porcelana, cálculos > 3 cm, anemia falciforme, etc.). Portanto, o manejo expectante é a conduta correta, e o prognóstico é de que ela provavelmente permanecerá assintomática, mas com um risco real de desenvolver cólica biliar ao longo dos anos.

A pegadinha desta questão está em confundir o risco de desenvolver sintomas (cólica biliar) com o risco de desenvolver complicações (colecistite, colangite, pancreatite). A banca explora exatamente essa distinção: enquanto o risco de sintomas é de cerca de 20% em 10 anos, o risco de complicações é menor, em torno de 10% em 10 anos. Além disso, a alternativa E, que afirma que a paciente tem mais de 95% de chance de permanecer assintomática, é uma armadilha clássica — embora a maioria dos pacientes permaneça assintomática, o risco de desenvolver sintomas em 10 anos é de aproximadamente 20%, o que significa que a chance de permanecer assintomática é de cerca de 80%, não mais de 95%.

Guarde a fronteira entre risco de sintomas e risco de complicações: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O risco de sintomas (cólica biliar) é o dobro do risco de complicações, e é isso que a alternativa D captura corretamente.

  1. 1Assintomática (75%)
  2. 2Risco de sintomas: 2-3%/ano
  3. 310% em 5 anos
  4. 420% em 10 anos (cólica)
  5. 5Complicações: ~10% em 10 anos
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A colecistectomia profilática não está indicada para prevenir o desenvolvimento de colelitíase sintomática. Na verdade, a colecistectomia é o tratamento da colelitíase sintomática, não uma medida preventiva para pacientes assintomáticos. A conduta em pacientes assintomáticos é expectante, reservando-se a cirurgia para grupos de risco específicos (diabetes, vesícula em porcelana, cálculos > 3 cm, anemia falciforme, crianças, povos nativos americanos). A alternativa inverte a lógica do manejo: não se opera para prevenir sintomas; opera-se quando os sintomas aparecem ou quando há risco aumentado de complicações.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A síndrome de Mirizzi é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela impactação de um cálculo no infundíbulo da vesícula biliar ou no ducto cístico, causando compressão extrínseca do ducto hepático comum. A incidência é baixa, estimada em menos de 1% dos pacientes com colelitíase. O valor de 5% é uma superestimativa significativa. Além disso, a síndrome de Mirizzi é mais comum em pacientes com cálculos grandes e impactados, não em pacientes com três pequenos cálculos como no caso da paciente. A alternativa apresenta um número incorreto para uma complicação rara.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O risco de desenvolver complicações (pancreatite, colecistite ou obstrução biliar) em pacientes com colelitíase assintomática é de aproximadamente 1 a 2% ao ano, acumulando cerca de 10% em 10 anos. A alternativa afirma "até 10% de chance", o que está correto em termos de magnitude, mas o problema é que ela não especifica o período. Se considerarmos 10 anos, o risco de complicações é de cerca de 10%, o que tornaria a alternativa parcialmente correta. No entanto, a alternativa D é mais precisa ao afirmar "cerca de 20% de chance de desenvolver cólica biliar", que é o risco de sintomas em 10 anos. A alternativa C mistura o risco de complicações com o risco de sintomas, e o valor de 10% é mais apropriado para complicações do que para o conjunto de complicações listadas. A banca provavelmente considera esta alternativa incorreta porque o risco de complicações em 10 anos é de aproximadamente 10%, mas a alternativa não especifica o período, e o valor de 10% é mais comumente associado ao risco de sintomas em 5 anos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. O risco de desenvolver cólica biliar (sintomas) em pacientes com colelitíase assintomática é de aproximadamente 2 a 3% ao ano, o que corresponde a cerca de 10% em 5 anos e aproximadamente 20% em 10 anos. A alternativa afirma "cerca de 20% de chance de desenvolver cólica biliar", o que está em perfeita concordância com a literatura. A paciente, sendo assintomática e sem fatores de risco, tem um risco real de desenvolver sintomas ao longo de 10 anos, e esse risco é de aproximadamente 20%. Este é o dado mais preciso sobre o prognóstico da paciente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a paciente tem mais de 95% de chance de permanecer assintomática. Isso é incorreto. Embora a maioria dos pacientes com colelitíase assintomática permaneça assintomática, o risco de desenvolver sintomas em 10 anos é de aproximadamente 20%, o que significa que a chance de permanecer assintomática é de cerca de 80%, não mais de 95%. O valor de 95% seria apropriado para um período de 1 a 2 anos, mas não para 10 anos. A alternativa superestima a probabilidade de permanecer assintomática, ignorando o risco acumulado de desenvolver sintomas ao longo do tempo.

Gabarito: letra D

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