Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025
Medicina›Médico da Família
Código
vu112656
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
Mulher de 58 anos é avaliada por ressecamento e prurido vaginal leves no último ano. Ela tem relações sexuais que se tornaram um pouco dolorosas (dispareunia). Ela não apresenta sangramento ou corrimento vaginal, nem sintomas urinários. Sua última menstruação foi há 6 anos. Seu histórico médico não apresenta outras particularidades e ela não toma medicamentos. Ao exame genital, nota-se discreto ressecamento e mucosa vaginal pálida com ausência de rugosidade. O colo do útero tem aparência normal. O toque bimanual é normal. O pH vaginal é de 5,5. O exame microscópico a fresco do conteúdo vaginal é normal. Não há hifas no preparado com hidróxido de potássio. Nessa paciente, a conduta inicial correta é
Aindicar fisioterapia do assoalho pélvico.
Bindicar hidratante vaginal tópico.
Cprescrever estrogênio vaginal tópico.
Dprescrever desidroepiandrosterona vaginal.
Eprescrever ospemifeno oral.
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GabaritoB — indicar hidratante vaginal tópico.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome geniturinária da menopausa: conduta inicial
Gabarito: letra B. Para sintomas leves de atrofia vaginal na pós-menopausa, sem contraindicações e com queixa predominantemente de ressecamento e prurido, a conduta inicial recomendada é o uso de hidratante vaginal tópico — opção não hormonal, segura e eficaz para alívio sintomático. A prescrição de estrogênio tópico (letra C) é uma alternativa terapêutica válida, porém não é a primeira linha em casos leves, conforme as diretrizes atuais de manejo da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).
A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é uma condição crônica e progressiva resultante da deficiência estrogênica após a menopausa, que afeta a vulva, a vagina e o trato urinário inferior. Os sintomas mais comuns incluem ressecamento vaginal, prurido, dispareunia (dor durante a relação sexual), além de sintomas urinários como urgência e infecções de repetição. No exame físico, observam-se sinais de atrofia: mucosa vaginal pálida, fina, com perda das rugosidades (pregueamento), e pH vaginal elevado (acima de 4,5), como no caso da paciente (pH 5,5). O diagnóstico é essencialmente clínico, e exames complementares como o pH vaginal e a microscopia a fresco ajudam a excluir causas infecciosas — neste caso, o exame a fresco normal e a ausência de hifas no KOH afastam vaginose bacteriana e candidíase.
A abordagem terapêutica da SGM deve ser escalonada, começando pelas medidas mais simples e menos invasivas. Para sintomas leves a moderados, a primeira linha de tratamento inclui lubrificantes e hidratantes vaginais não hormonais, que aliviam o ressecamento e a dispareunia sem os riscos associados à terapia hormonal. Esses produtos atuam como umectantes e emolientes, restaurando a hidratação da mucosa vaginal. A atividade sexual regular também é recomendada, pois auxilia na manutenção da saúde do epitélio vaginal. Caso os sintomas persistam ou sejam moderados a graves, a terapia hormonal local com estrogênio tópico (creme, comprimido ou anel vaginal) é a opção de escolha, sendo altamente eficaz na reversão da atrofia. A terapia sistêmica (estrogênio oral ou transdérmico) é reservada para mulheres com sintomas vasomotores associados ou quando a terapia local não é suficiente. Opções como ospemifeno oral (modulador seletivo do receptor de estrogênio) e desidroepiandrosterona (DHEA) vaginal são alternativas para casos específicos, geralmente quando há contraindicação ou falha do estrogênio tópico.
A escolha entre hidratante e estrogênio tópico depende da gravidade dos sintomas e da preferência da paciente. A diretriz da Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS) e do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomenda iniciar com opções não hormonais para sintomas leves, reservando o estrogênio para casos moderados a graves ou quando não há resposta aos hidratantes. No caso apresentado, a paciente tem sintomas leves ("ressecamento e prurido leves", "dispareunia" discreta), sem sinais de infecção, e o exame mostra atrofia discreta. Portanto, a conduta inicial mais apropriada é o hidratante vaginal tópico, e não o estrogênio, que seria considerado em um segundo momento se os sintomas não melhorarem.
A pegadinha desta questão está em considerar que todo caso de atrofia vaginal pós-menopausa deve ser tratado imediatamente com estrogênio tópico. A banca explora exatamente essa confusão: o estrogênio é o tratamento mais conhecido e eficaz, mas a diretriz preconiza uma abordagem escalonada, iniciando com medidas não hormonais para casos leves. O candidato que conhece apenas o tratamento "clássico" tende a marcar a letra C, mas a conduta inicial correta, segundo as recomendações atuais, é o hidratante vaginal.
Guarde a sequência terapêutica da SGM: hidratantes/lubrificantes → estrogênio tópico → opções sistêmicas ou alternativas (ospemifeno, DHEA). É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas desta questão.
1Hidratantes/lubrificantes
2Estrogênio tópico
3Ospemifeno/DHEA
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A fisioterapia do assoalho pélvico é indicada para disfunções como incontinência urinária, prolapsos e fraqueza muscular, não para tratar ressecamento vaginal ou atrofia da mucosa. Embora a paciente tenha dispareunia, a causa é a atrofia vaginal por hipoestrogenismo, e não uma disfunção do assoalho pélvico. A fisioterapia poderia ser um adjuvante em casos de dor pélvica associada, mas não é a conduta inicial para os sintomas descritos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O hidratante vaginal tópico é a primeira linha de tratamento para sintomas leves de atrofia vaginal na pós-menopausa. Ele atua como umectante, aliviando o ressecamento, o prurido e a dispareunia, sem os riscos da terapia hormonal. A paciente apresenta sintomas leves, sem contraindicações, e o exame mostra atrofia discreta — cenário ideal para iniciar com opção não hormonal. As diretrizes recomendam essa abordagem escalonada, reservando o estrogênio tópico para casos moderados a graves ou quando não há resposta aos hidratantes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O estrogênio vaginal tópico é um tratamento eficaz e amplamente utilizado para a SGM, mas não é a conduta inicial para sintomas leves. A recomendação atual é iniciar com hidratantes/lubrificantes vaginais e, somente se não houver melhora ou se os sintomas forem moderados a graves, prescrever estrogênio tópico. Prescrever estrogênio como primeira escolha, sem tentar medidas não hormonais, contraria a abordagem escalonada preconizada pelas diretrizes. Além disso, a paciente tem sintomas leves, o que reforça a indicação de tratamento não hormonal inicial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A desidroepiandrosterona (DHEA) vaginal é uma opção terapêutica para a SGM, mas é considerada uma alternativa de segunda linha, geralmente reservada para mulheres que não respondem ou não toleram o estrogênio tópico, ou que têm contraindicação a ele. Não é a conduta inicial para sintomas leves. A DHEA age como precursora de estrogênio e testosterona localmente, mas seu uso é menos difundido e não é a primeira escolha na prática clínica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ospemifeno oral é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM) aprovado para o tratamento da dispareunia moderada a grave em mulheres pós-menopáusicas. É uma opção para casos em que a terapia vaginal não é adequada ou não é eficaz, mas não é a conduta inicial para sintomas leves. Além disso, por ser uma medicação oral com efeitos sistêmicos, é reservada para situações específicas, não para o primeiro passo do tratamento.