Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu112658
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
Em relação aos contraceptivos orais hormonais, qual condição está associada ao seu uso crônico?
ARisco aumentado de gravidez ectópica.
BRisco aumentado de câncer de ovário.
CRisco diminuído de câncer cervical.
DRisco diminuído de câncer de fígado.
ERisco diminuído de câncer endometrial.
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GabaritoE — Risco diminuído de câncer endometrial.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Contraceptivos orais hormonais: efeitos no risco de câncer
Gabarito: letra E. O uso crônico de contraceptivos orais combinados está associado à redução do risco de câncer de endométrio (e também de ovário), efeito protetor atribuído ao componente progestagênico, que antagoniza a proliferação endometrial estimulada pelo estrogênio. As demais alternativas invertem ou distorcem a relação de risco, como se verá a seguir.
Os contraceptivos orais combinados (AOCs) contêm um estrogênio (etinilestradiol) e uma progestina. O mecanismo contraceptivo central é a inibição da ovulação, mas os efeitos sobre o endométrio são decisivos para entender o perfil de risco oncológico. O estrogênio estimula a proliferação do endométrio; a progestina, por sua vez, promove a atrofia endometrial e reduz a atividade mitótica. Como o câncer de endométrio tipo I é estrogênio-dependente, a exposição prolongada à progestina confere proteção. Esse é o fundamento fisiopatológico da alternativa correta.
A literatura é consistente: usuárias de AOCs apresentam redução de aproximadamente 50% no risco de câncer de endométrio, efeito que se mantém por anos após a suspensão. O mesmo raciocínio se aplica ao câncer de ovário, cuja redução de risco está ligada à supressão da ovulação — cada ciclo ovulatório representa um microtrauma epitelial que pode predispor à neoplasia. Já o câncer de colo uterino tem relação mais complexa, pois está fortemente associado ao HPV; o uso de AOCs pode aumentar o risco de progressão da infecção, mas não é um efeito direto do hormônio. O câncer de fígado, por sua vez, tem relação com o uso de contraceptivos em casos raros de adenoma hepatocelular, mas não há evidência de redução de risco.
A pegadinha central desta questão é a inversão de sentido: a banca troca "redução" por "aumento" e vice-versa, explorando a confusão entre os efeitos protetores e os efeitos adversos dos AOCs. O candidato que memoriza apenas que "AOC protege contra câncer de ovário" pode marcar a alternativa B, que afirma aumento de risco de câncer de ovário — exatamente o oposto do que a evidência mostra.
Guarde o par de efeitos protetores mais cobrados: câncer de endométrio e câncer de ovário têm risco reduzido; câncer de colo uterino e câncer de fígado não têm risco reduzido (o primeiro pode até aumentar em usuárias com HPV). É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
AOCs e risco de câncer
1Protegem (risco reduzido)
Endométrio
Ovário
2Não protegem (risco não reduzido)
Colo uterino (pode aumentar com HPV)
Fígado (adenoma hepatocelular)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há risco aumentado de gravidez ectópica. Na verdade, os contraceptivos hormonais reduzem o risco de gravidez ectópica, pois inibem a ovulação e, consequentemente, a concepção. O risco aumentado de gravidez ectópica está associado a outros fatores, como doença inflamatória pélvica, cirurgia tubária prévia e uso de DIU em algumas situações, mas não ao uso crônico de AOCs.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há risco aumentado de câncer de ovário. É o oposto: o uso de AOCs está associado à redução do risco de câncer de ovário, efeito que persiste por até 30 anos após a suspensão. O mecanismo é a supressão da ovulação, que reduz o número de ciclos ovulatórios e, portanto, o trauma epitelial repetido na superfície ovariana.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há risco diminuído de câncer cervical. Não há evidência de redução de risco; na verdade, o uso prolongado de AOCs pode estar associado a um aumento modesto do risco de câncer de colo uterino, especialmente em mulheres infectadas pelo HPV. O rastreamento citológico regular é essencial para usuárias de AOCs.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há risco diminuído de câncer de fígado. Não há evidência de redução de risco; o uso de AOCs está associado a um aumento do risco de adenoma hepatocelular (tumor benigno) e, em casos raros, de carcinoma hepatocelular, especialmente com doses mais altas de estrogênio e uso prolongado. A relação é de risco aumentado, não diminuído.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O uso crônico de AOCs está associado à redução do risco de câncer de endométrio. O componente progestagênico promove atrofia endometrial e antagoniza o efeito proliferativo do estrogênio, reduzindo a incidência de hiperplasia e adenocarcinoma endometrial. Esse efeito protetor é um dos benefícios não contraceptivos mais bem documentados dos AOCs.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões sobre AOCs e câncer, memorize o par de efeitos protetores (endométrio e ovário) e o par de efeitos de risco (colo uterino e fígado). A banca adora inverter esses pares — se a alternativa diz "aumento" onde deveria dizer "redução", está errada.