Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu112661
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
Homem de 81 anos é avaliado devido a um histórico de um ano de polaciúria, hesitação e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Ele não apresenta outros sintomas. O histórico é relevante para hipertensão arterial em uso de lisinopril. O exame retal digital revela uma próstata uniformemente aumentada, não dolorosa, fibroelástica e sem nódulos. O restante do exame físico não apresenta alteração relevante. A urina tipo 1 é normal. A ultrassonografia da bexiga revela 35 mL de volume residual de urina pós-miccional. Nesse momento, o tratamento inicial correto é
  1. Aprescrever finasterida.
  2. Bprescrever mirabegrona.
  3. Cprescrever tansulosina.
  4. Dsolicitar o teste urodinâmico.
  5. Esolicitar o antígeno prostático específico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — prescrever tansulosina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperplasia Prostática Benigna: Tratamento Inicial

Gabarito: letra C. O paciente apresenta sintomas do trato urinário inferior (LUTS) compatíveis com hiperplasia prostática benigna (HPB), com volume residual pós-miccional de 35 mL, sem complicações. O tratamento inicial indicado é a tansulosina, um bloqueador alfa-1-adrenérgico, que promove relaxamento da musculatura lisa prostática e do colo vesical, aliviando os sintomas obstrutivos. As diretrizes de urologia recomendam essa classe como primeira linha para homens com LUTS moderados, especialmente quando há predomínio de sintomas de esvaziamento, como neste caso.

A hiperplasia prostática benigna é o crescimento não maligno da próstata, comum em homens idosos, que leva à obstrução infravesical e aos sintomas de polaciúria, hesitação e sensação de esvaziamento incompleto. O diagnóstico é clínico, apoiado pelo toque retal (próstata aumentada, fibroelástica, sem nódulos) e pela ultrassonografia com volume residual pós-miccional. O tratamento inicial depende da gravidade dos sintomas e da presença de complicações. Para sintomas leves a moderados, a conduta inicial é a terapia medicamentosa com bloqueadores alfa-1 (como tansulosina), que agem rapidamente no alívio dos sintomas. Os inibidores da 5-alfa-redutase (como finasterida) são indicados para próstatas grandes (volume > 40 g) e agem reduzindo o volume prostático, mas têm início de ação lento (3-6 meses). A mirabegrona é um agonista beta-3-adrenérgico usado para bexiga hiperativa, não para obstrução prostática. O teste urodinâmico é reservado para casos de dúvida diagnóstica ou falha terapêutica. O PSA é útil para rastrear câncer de próstata, mas não é o primeiro passo no manejo de LUTS sem suspeita de malignidade.

A escolha entre as classes de medicamentos é guiada pelo volume prostático e pelo perfil de sintomas. A tansulosina é preferida quando há predomínio de sintomas de esvaziamento, como neste paciente, e tem efeito rápido. A finasterida é mais adequada para próstatas grandes, com risco de progressão. A mirabegrona não tem papel na HPB obstrutiva. O teste urodinâmico e o PSA são exames complementares, não tratamento inicial. A banca explora a confusão entre as classes de medicamentos e os momentos de solicitar exames.

Na prática, um homem de 81 anos com LUTS, toque retal compatível com HPB e volume residual de 35 mL (normal é < 50 mL) tem indicação de tratamento medicamentoso. A tansulosina é a primeira escolha por sua eficácia e perfil de segurança. A finasterida seria considerada se a próstata fosse muito aumentada, mas o enunciado não fornece esse dado. O teste urodinâmico é reservado para casos complexos, e o PSA é para rastreio de câncer, não para tratamento inicial.

A pegadinha central é distinguir os papéis de cada medicamento: tansulosina (alfa-bloqueador) para alívio sintomático rápido, finasterida (inibidor da 5-alfa-redutase) para redução do volume prostático em próstatas grandes, e mirabegrona (beta-3-agonista) para bexiga hiperativa. Além disso, é preciso saber que o teste urodinâmico e o PSA são exames complementares, não tratamento inicial. O critério decisivo é: sintomas obstrutivos sem complicações → alfa-bloqueador.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A finasterida é um inibidor da 5-alfa-redutase que reduz o volume prostático, mas tem início de ação lento (3-6 meses) e é indicada principalmente para próstatas grandes (volume > 40 g). No caso, não há informação sobre o volume prostático, e o paciente tem sintomas obstrutivos que se beneficiam de alívio rápido. A tansulosina é mais apropriada como tratamento inicial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A mirabegrona é um agonista beta-3-adrenérgico usado para tratar bexiga hiperativa (sintomas de urgência e incontinência), não para obstrução prostática. O paciente tem sintomas de esvaziamento (hesitação, jato fraco), típicos de HPB obstrutiva, e não de bexiga hiperativa. Portanto, a mirabegrona não é indicada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tansulosina é um bloqueador alfa-1-adrenérgico que relaxa a musculatura lisa da próstata e do colo vesical, aliviando rapidamente os sintomas obstrutivos. É a primeira linha de tratamento para LUTS moderados a graves em homens com HPB, especialmente quando há predomínio de sintomas de esvaziamento, como neste paciente. O volume residual de 35 mL é baixo e não contraindica o uso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O teste urodinâmico é um exame complementar, indicado em casos de dúvida diagnóstica, falha terapêutica ou suspeita de disfunção vesical associada. Não é o tratamento inicial para um paciente com quadro clínico típico de HPB e volume residual baixo. O tratamento medicamentoso deve ser iniciado antes de considerar exames invasivos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O antígeno prostático específico (PSA) é um exame de rastreamento para câncer de próstata, não um tratamento. No caso, o toque retal é compatível com HPB (próstata aumentada, fibroelástica, sem nódulos), e não há indicação imediata de PSA como primeiro passo. O PSA pode ser solicitado como parte da avaliação, mas não é o tratamento inicial.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu112661