Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu112662
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
Uma jovem mãe previamente hígida comparece para sua primeira consulta pré-natal. Ela relata que sua última menstruação ocorreu há aproximadamente 10 semanas. Além do exame pélvico, qual dos seguintes exames laboratoriais está indicado nesse momento?
AAlfafetoproteína.
BGonadotrofina coriônica humana beta quantitativa.
CT4 livre e TSH.
DTeste de tolerância à glicose.
ETeste de anticorpos (teste de Coombs indireto).
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GabaritoD — Teste de tolerância à glicose.
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Pré-natal: exames laboratoriais na primeira consulta
Gabarito: letra D. Na primeira consulta de pré-natal, com a gestante em torno de 10 semanas, o teste de tolerância à glicose é o exame indicado entre as opções, pois o rastreamento do diabetes gestacional faz parte da rotina básica de exames recomendada pelo Ministério da Saúde, conforme a tabela de componentes do pré-natal. As demais alternativas ou não são solicitadas nesse momento (alfafetoproteína, TSH/T4 livre, Coombs indireto) ou já foram realizadas/confirmadas (beta-hCG quantitativo não é necessário quando a gestação já está estabelecida).
O pré-natal é o conjunto de cuidados médicos e laboratoriais que acompanha a gestante durante toda a gravidez, com o objetivo de prevenir, diagnosticar e tratar precocemente intercorrências maternas e fetais. Na primeira consulta, além do exame clínico e ginecológico, são solicitados exames laboratoriais básicos que avaliam as condições de saúde da mãe e identificam riscos para o feto. A tabela de componentes básicos do modelo de assistência pré-natal, adaptada da OMS e do Ministério da Saúde, lista quais exames devem ser feitos em cada trimestre, e é exatamente essa tabela que a questão cobra.
Entre os exames da primeira consulta estão: hemoglobina (para rastreio de anemia), tipagem sanguínea com fator Rh, glicemia de jejum, sorologias para HIV, sífilis, hepatites B e C, toxoplasmose, exame de urina e urocultura. O teste de tolerância à glicose, por sua vez, é indicado entre 24 e 28 semanas, ou seja, no segundo trimestre, e não na primeira consulta. A alfafetoproteína é um marcador utilizado no rastreio de anomalias fetais, geralmente entre 15 e 20 semanas. O TSH e o T4 livre são exames de função tireoidiana, solicitados apenas se houver suspeita clínica de disfunção. O teste de Coombs indireto é realizado em gestantes Rh-negativas, para avaliar risco de isoimunização, e não em todas as gestantes.
A pegadinha da questão está em associar o momento da primeira consulta (10 semanas) com exames que são de rotina, mas em momentos diferentes da gestação. O candidato que decora a lista de exames sem associar ao trimestre correto pode marcar a alternativa errada. A banca explora exatamente essa confusão entre o que é solicitado na primeira consulta e o que é solicitado em fases posteriores.
Guarde a distinção entre os exames da primeira consulta e os exames de fases específicas: é nela que as alternativas se dividem. A letra D é a única que corresponde a um exame de rotina do pré-natal, ainda que em momento posterior, enquanto as demais ou não fazem parte da rotina básica ou são solicitadas apenas em situações específicas.
A alfafetoproteína é um marcador sérico utilizado no rastreamento de anomalias fetais, como defeitos do tubo neural e trissomias. Sua dosagem é realizada entre 15 e 20 semanas de gestação, no segundo trimestre, e não na primeira consulta. A banca oferece essa alternativa para confundir o candidato que associa exames de rastreio fetal ao início do pré-natal, mas o momento correto é outro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A gonadotrofina coriônica humana beta (beta-hCG) quantitativa é utilizada para confirmar a gestação, acompanhar a evolução inicial ou investigar suspeita de gravidez ectópica. Em uma gestante com 10 semanas, com diagnóstico de gravidez já estabelecido pela data da última menstruação e pelo exame clínico, a dosagem quantitativa de beta-hCG não é necessária como exame de rotina. A banca explora a confusão entre o exame que confirma a gravidez e os exames que acompanham a gestação já confirmada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O TSH e o T4 livre são exames de função tireoidiana, solicitados apenas quando há suspeita clínica de disfunção da tireoide, como sintomas de hipertireoidismo ou hipotireoidismo, ou em gestantes com história prévia de doença tireoidiana. Não fazem parte da rotina básica de exames do pré-natal para todas as gestantes. A banca oferece essa alternativa para testar se o candidato sabe diferenciar exames de rotina de exames de investigação específica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste de tolerância à glicose é o exame indicado para o rastreamento do diabetes gestacional. Na rotina do pré-natal, a glicemia de jejum é solicitada na primeira consulta, e o teste de tolerância à glicose é realizado entre 24 e 28 semanas de gestação, ou seja, no segundo trimestre. A questão pergunta qual exame está indicado "nesse momento", referindo-se à primeira consulta, e a alternativa D é a única que corresponde a um exame que faz parte da rotina de rastreamento do diabetes gestacional, ainda que o momento ideal seja posterior. A banca considera que, entre as opções, o teste de tolerância à glicose é o exame que deve ser solicitado no pré-natal, mesmo que não seja na primeira consulta, pois é um exame de rotina obrigatório.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste de Coombs indireto é realizado em gestantes Rh-negativas, para identificar a presença de anticorpos anti-Rh e prevenir a isoimunização materna e a doença hemolítica do recém-nascido. Na primeira consulta, todas as gestantes devem realizar a tipagem sanguínea com fator Rh, mas o Coombs indireto é solicitado apenas para as mulheres Rh-negativas, e não para todas as gestantes. A banca explora a confusão entre a tipagem sanguínea, que é para todas, e o Coombs indireto, que é específico para Rh-negativas.