Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025
Medicina›Médico da Família
Código
vu112666
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
O médico está realizando uma consulta com um paciente chinês de 54 anos que é hipertenso. Ele marcou a consulta essa manhã porque começou a sentir falta de ar, o que o preocupou e o fez buscar ajuda médica. Ao entrar na sala, percebe-se que ele está sentado inclinado para a frente e respirando com dificuldade. Dado esse cenário, qual técnica de entrevista é a mais centrada no paciente?
AObter uma lista de todas as questões que ele deseja discutir durante a consulta.
BConduzir a entrevista por meio de perguntas diretas relacionadas ao motivo da consulta.
CObter um contexto pessoal/psicossocial mais amplo dos sintomas.
DPerguntar ao paciente sobre suas crenças em relação às opções de tratamento oriental e ocidental.
EUsar perguntas abertas para permitir que o paciente conte sua história.
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GabaritoB — Conduzir a entrevista por meio de perguntas diretas relacionadas ao motivo da consulta.
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Entrevista clínica centrada no paciente
Gabarito: letra B. A técnica de entrevista mais centrada no paciente, no cenário descrito, é conduzir a entrevista por meio de perguntas diretas relacionadas ao motivo da consulta. Isso porque o paciente apresenta sinais de desconforto respiratório agudo (ortopneia, esforço respiratório), o que configura uma situação de urgência que exige abordagem objetiva e focada no problema imediato, priorizando a segurança clínica. Embora a escuta aberta e a abordagem biopsicossocial sejam pilares da Medicina de Família e Comunidade, a avaliação inicial de um paciente instável exige perguntas diretas e objetivas para rápida caracterização do quadro e tomada de decisão.
A entrevista clínica é a principal ferramenta diagnóstica e terapêutica do médico. No modelo tradicional, o médico conduz a consulta com perguntas fechadas, direcionadas à confirmação de hipóteses, o que pode limitar a expressão do paciente e deixar de fora informações cruciais. A abordagem centrada no paciente, por outro lado, coloca o paciente como protagonista do seu cuidado, reconhecendo sua experiência, seus valores e suas preocupações como elementos centrais do processo de saúde-doença. No entanto, a aplicação desses princípios deve ser contextualizada: em situações de urgência, como a do paciente com falta de ar, a prioridade é a estabilização clínica, e a entrevista deve ser conduzida de forma a obter rapidamente as informações essenciais para o diagnóstico e o manejo imediato.
Na prática, isso se traduz em técnicas como: usar perguntas abertas ("O que o senhor está sentindo?", "Como isso começou?"), ouvir sem interromper, explorar a agenda do paciente (o que ele espera da consulta), e considerar o contexto psicossocial. No caso do paciente chinês com falta de ar, a urgência clínica (possível emergência hipertensiva) exige uma avaliação rápida, mas isso não impede que o médico, após estabilizar o quadro, utilize perguntas abertas para entender a experiência do paciente e suas preocupações.
A distinção fundamental é entre a abordagem centrada no paciente e a abordagem centrada na doença. A primeira valoriza a experiência subjetiva, o contexto e a autonomia do paciente; a segunda foca no diagnóstico e tratamento da patologia. Na prática clínica, ambas se complementam: a abordagem centrada no paciente é o alicerce da relação médico-paciente, enquanto a abordagem centrada na doença é essencial para a resolutividade técnica. A questão, no entanto, cobra a técnica mais adequada para o momento específico da consulta, que é o de uma possível emergência.
A banca explora a confusão entre o ideal da abordagem centrada no paciente (que envolve escuta aberta, contexto psicossocial, crenças) e a necessidade clínica imediata de um paciente com desconforto respiratório. O candidato pode ser levado a escolher uma alternativa que reflita o modelo ideal de consulta, mas a questão pede a técnica mais adequada para o cenário agudo apresentado. É fundamental reconhecer que, em situações de urgência, a objetividade e a direção da entrevista são prioridades para garantir a segurança do paciente.
Entrevista clínica centrada no paciente
1Contexto de urgência (paciente instável)
Perguntas diretas e objetivas
Foco na queixa principal
Priorizar estabilização clínica
2Contexto de rotina (paciente estável)
Perguntas abertas
Explorar agenda do paciente
Contexto biopsicossocial
Crenças e preferências
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Obter uma lista de todas as questões que ele deseja discutir durante a consulta é uma técnica que valoriza a agenda do paciente, mas não é a mais adequada no momento agudo. Em uma situação de desconforto respiratório, o paciente pode não ter condições de enumerar todas as suas preocupações, e o médico precisa focar na queixa principal e na estabilização clínica. Essa técnica é mais apropriada para consultas de rotina ou de seguimento, quando há tempo e estabilidade para explorar a agenda completa do paciente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conduzir a entrevista por meio de perguntas diretas relacionadas ao motivo da consulta é a técnica mais centrada no paciente no cenário de urgência. O paciente apresenta sinais de desconforto respiratório (ortopneia, esforço respiratório), o que exige uma abordagem objetiva e focada no problema imediato. Perguntas diretas como "Quando começou a falta de ar?", "Já teve isso antes?", "Está tomando a medicação para pressão?" permitem obter rapidamente as informações essenciais para o diagnóstico e o manejo, priorizando a segurança clínica. Essa abordagem não exclui a escuta ativa, mas a direciona para a queixa principal, que é o que o paciente mais precisa naquele momento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Obter um contexto pessoal/psicossocial mais amplo dos sintomas é uma técnica valiosa da abordagem centrada no paciente, mas não é a mais adequada no momento agudo. Em uma situação de desconforto respiratório, o paciente pode não ter condições de fornecer um contexto amplo, e o médico precisa focar na queixa principal e na estabilização clínica. Essa técnica é mais apropriada para consultas de rotina ou de seguimento, quando há tempo e estabilidade para explorar o contexto biopsicossocial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Perguntar ao paciente sobre suas crenças em relação às opções de tratamento oriental e ocidental é uma técnica que valoriza a diversidade cultural e a autonomia do paciente, mas não é a mais adequada no momento agudo. Em uma situação de desconforto respiratório, o paciente pode não ter condições de discutir suas crenças, e o médico precisa focar na queixa principal e na estabilização clínica. Essa técnica é mais apropriada para consultas de rotina ou de seguimento, quando há tempo e estabilidade para explorar as crenças e preferências do paciente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Usar perguntas abertas para permitir que o paciente conte sua história é uma técnica fundamental da abordagem centrada no paciente, mas não é a mais adequada no momento agudo. Em uma situação de desconforto respiratório, o paciente pode não ter condições de contar sua história de forma extensa, e o médico precisa focar na queixa principal e na estabilização clínica. Perguntas abertas são mais apropriadas para consultas de rotina ou de seguimento, quando há tempo e estabilidade para explorar a narrativa do paciente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo técnicas que, embora sejam pilares da abordagem centrada no paciente (escuta aberta, contexto psicossocial, crenças), não são as mais adequadas para um cenário de urgência. O candidato pode ser levado a escolher uma alternativa que reflita o modelo ideal de consulta, mas a questão pede a técnica mais adequada para o momento agudo apresentado. É fundamental reconhecer que, em situações de urgência, a objetividade e a direção da entrevista são prioridades para garantir a segurança do paciente.
PEGA ESSA DICA!
Em questões que envolvem a abordagem centrada no paciente, sempre analise o contexto clínico. Se o paciente apresenta sinais de instabilidade ou urgência, a prioridade é a objetividade e a direção da entrevista. Se o paciente está estável, a prioridade é a escuta aberta e a exploração do contexto biopsicossocial. Essa distinção é a chave para responder corretamente a esse tipo de questão.