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Questão de Medicina — Dermatologia — VUNESP 2025

MedicinaDermatologia
Código
vu112667
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
Mulher de 25 anos procura assistência médica por quadro de erupção cutânea recorrente no rosto. O acometimento da pele é pruriginoso, afeta as bochechas e parece clinicamente eczematosa. A erupção melhorou durante um período de férias, mas reapareceu cinco dias após o retorno ao trabalho. Ela atua em um salão de beleza como manicure há dois anos. Não há histórico de outros problemas cutâneos nem comorbidades. O diagnóstico mais provável é:
  1. Adermatite de contato irritante.
  2. Bdermatite alérgica de contato.
  3. Ceczema endógeno.
  4. Durticária de contato.
  5. Eurticária alérgica.
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GabaritoB — dermatite alérgica de contato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dermatite de contato: alérgica × irritante

Gabarito: letra B. O quadro é de dermatite alérgica de contato (DAC): erupção eczematosa pruriginosa nas bochechas, que melhora nas férias e recidiva ao retornar ao trabalho como manicure — padrão clássico de sensibilização a alérgeno ocupacional (cosméticos, esmaltes, acrilatos). A dermatite de contato irritante (DCI) também é ocupacional, mas não exige sensibilização prévia e costuma aparecer já no primeiro contato, sem o intervalo de melhora/recidiva tão característico.

A dermatite de contato é uma reação inflamatória da pele desencadeada pelo contato com uma substância externa. Ela se divide em dois grandes grupos, que se distinguem pelo mecanismo fisiopatológico: a irritante (DCI) e a alérgica (DAC). Na DCI, o agente causa dano direto à pele, por toxicidade química ou física — é uma resposta não imunológica, que surge em qualquer pessoa se a exposição for intensa ou prolongada o suficiente. Na DAC, o mecanismo é imunológico: trata-se de uma reação de hipersensibilidade tipo IV (tardia, mediada por células T), que só ocorre após um período de sensibilização prévia ao alérgeno. Esse é o ponto-chave: a primeira exposição não causa lesão; ela "educa" o sistema imunológico. Somente em exposições subsequentes, ao reencontrar o mesmo alérgeno, a pele reage com o eczema.

O texto de apoio descreve exatamente essa sequência: "Há um período de sensibilização prévia à instalação do quadro de dermatite alérgica de contato, podendo variar de 4 dias até meses, sendo mais comum entre 7 e 30 dias." E também aponta que "a zona de dermatite é restrita à área de contato com o alérgeno e, algumas vezes, reproduz o formato dele, facilitando a busca pelo agente causador." No caso da paciente, a localização nas bochechas é compatível com o contato ocupacional — por exemplo, ao apoiar as mãos ou materiais contaminados no rosto, ou pela exposição a vapores/partículas de produtos usados no salão.

A história clínica é o instrumento diagnóstico mais valioso. O texto de apoio reforça: "A relação de tempo entre a exposição ao provável agente e a reação cutânea deve ser considerada, bem como a relação das lesões com as atividades do paciente (lar/recreação/trabalho)". A paciente apresenta o padrão típico de dermatite ocupacional: melhora no afastamento (férias) e recidiva rápida ao retorno (5 dias após voltar ao trabalho). Esse intervalo de 5 dias é perfeitamente compatível com uma reação de hipersensibilidade tardia, que leva de 24 a 72 horas (ou mais) para se manifestar após o novo contato.

A distinção entre DAC e DCI é o cerne da questão. Embora o quadro clínico possa ser semelhante, especialmente em casos crônicos, há diferenças fundamentais:

Critério

Dermatite de contato irritante (DCI)

Dermatite alérgica de contato (DAC)

Mecanismo

Dano direto à pele (tóxico)

Hipersensibilidade tipo IV (imunológica)

Sensibilização prévia

Não exige

Exige (período de 4 dias a meses)

Início após exposição

Imediato ou em horas

24–72 horas (tardia)

Dose necessária

Geralmente alta/concentrada

Pode ser mínima

Ocorre em qualquer pessoa

Sim, se exposição suficiente

Não, só em sensibilizados

Teste diagnóstico

Não há teste específico

Patch test (teste de contato)

A pegadinha da banca está em explorar a semelhança clínica entre as duas formas e a natureza ocupacional do quadro. O candidato que reconhece o vínculo com o trabalho pode ser tentado a marcar "dermatite de contato irritante" (letra A), mas o dado decisivo é a recorrência após sensibilização — a melhora nas férias e a recidiva após o retorno, com um intervalo de dias, apontam para o mecanismo alérgico. A DCI, por ser um efeito tóxico direto, tende a aparecer de forma mais aguda e precoce, sem esse padrão de sensibilização.

Guarde a fronteira entre os dois mecanismos — sensibilização prévia + reação tardia = alérgica; dano direto + reação imediata = irritante — pois é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Dermatite de contato
  • 1Irritante (DCI)
    • Dano direto à pele
    • Sem sensibilização prévia
    • Início imediato
  • 2Alérgica (DAC)
    • Hipersensibilidade tipo IV
    • Exige sensibilização prévia
    • Reação tardia (24–72h)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A dermatite de contato irritante (DCI) é causada por dano direto do agente à pele, sem envolvimento do sistema imunológico. Não exige sensibilização prévia e costuma surgir de forma mais aguda, logo após a exposição a substâncias irritantes (ácidos, álcalis, solventes, detergentes). No caso, o padrão de melhora nas férias e recidiva após o retorno, com intervalo de dias, sugere fortemente um mecanismo alérgico, não irritante. A DCI também poderia ser ocupacional, mas o curso clínico com período de sensibilização é o que a afasta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dermatite alérgica de contato (DAC) é uma reação de hipersensibilidade tipo IV (tardia), mediada por células T, que ocorre apenas em indivíduos previamente sensibilizados a um alérgeno. O quadro clínico é de eczema (eritema, vesículas, prurido) na área de contato. A paciente, manicure há 2 anos, apresenta erupção eczematosa pruriginosa nas bochechas, que melhora nas férias e recidiva 5 dias após o retorno ao trabalho — padrão clássico de dermatite ocupacional alérgica, provavelmente por contato com alérgenos presentes em cosméticos, esmaltes ou acrilatos usados no salão. O período de sensibilização prévia e a reação tardia são os elementos que fecham o diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O eczema endógeno (como a dermatite atópica) é uma doença inflamatória crônica da pele, de base genética e imunológica, que não depende de contato com agente externo. Costuma ter início na infância, história pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite alérgica, eczema) e distribuição típica (face, flexuras). A paciente não tem histórico de outros problemas cutâneos nem comorbidades, e o quadro tem clara relação temporal com o trabalho (melhora nas férias, recidiva ao retorno), o que aponta para um fator exógeno, não endógeno.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A urticária de contato é uma reação imediata (tipo I, mediada por IgE) que ocorre minutos após o contato com o agente, manifestando-se como pápulas/placas urticadas (edema, vermelhidão) que coçam, mas que tipicamente desaparecem em 24 horas. Não é um quadro eczematoso. A paciente apresenta lesões "clinicamente eczematosas" (eritema, vesículas, prurido), que persistem e recorrem, o que não é compatível com urticária de contato.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A urticária alérgica é uma reação de hipersensibilidade imediata (tipo I), geralmente desencadeada por alimentos, medicamentos ou outros alérgenos, manifestando-se como urticas (pápulas/placas pruriginosas) que surgem rapidamente e resolvem em até 24 horas. Não se apresenta como eczema persistente e recorrente. O quadro da paciente é eczematoso, não urticariforme, e a relação com o trabalho é mais consistente com dermatite de contato.

Gabarito: letra B — dermatite alérgica de contato, pelo padrão de sensibilização ocupacional com melhora nas férias e recidiva ao retorno ao trabalho.

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