Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu112670
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
V - - Médico: Área de Atuação: Saúde da Família e Comunidade - Edital nº 635
Puérpera G1POAO de 21 anos de idade comparece ao consultório para a consulta pré-natal inicial com 12 semanas de gestação. A urinálise evidencia bacteriúria e a urocultura é positiva para Escherichia coli com mais de 100.000 UFC. Contudo, a paciente encontra-se completamente assintomática. Qual a conduta mais apropriada nesse momento?
ANão instituir antibioticoterapia e repetir a urinálise na próxima consulta.
BNão instituir antibioticoterapia, mas encorajar a paciente a aumentar a ingesta hídrica e de suco de cranberry diariamente.
CInterromper a urinálise nas consultas pré-natais devido à alta taxa de falsos-positivos em jovens assintomáticas.
DReassegurar a paciente de que a administração de antibióticos não é necessária, a menos que ela desenvolva sintomas.
ETratar a paciente com um ciclo de 7 dias de amoxicilina oral.
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GabaritoE — Tratar a paciente com um ciclo de 7 dias de amoxicilina oral.
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Bacteriúria assintomática na gestação: conduta
Gabarito: letra E. A gestante com bacteriúria assintomática (urocultura positiva ≥ 100.000 UFC/mL, sem sintomas) deve ser tratada com antibioticoterapia, pois o tratamento reduz o risco de pielonefrite, parto pré-termo e baixo peso ao nascer. A conduta mais apropriada é tratar com um ciclo de 7 dias de amoxicilina oral, conforme as diretrizes da IDSA e as recomendações de obstetrícia.
A bacteriúria assintomática é definida pela presença de bactérias na urina em quantidade significativa (≥ 100.000 UFC/mL) na ausência de sintomas urinários. Na população geral, o rastreamento e o tratamento de rotina não são recomendados, pois há pouca evidência de benefício. No entanto, a gestação é uma das exceções: o tratamento está associado à redução de desfechos adversos maternos e perinatais.
O raciocínio clínico é o seguinte: na gestante, a bacteriúria assintomática não tratada evolui para pielonefrite em 25 a 50% dos casos, além de aumentar o risco de parto pré-termo e baixo peso ao nascer. O tratamento antimicrobiano reduz o risco de pielonefrite em cerca de 76% (NNT = 6-9), de parto prematuro em 66% (NNT = 7-49) e de baixo peso ao nascer em 36% (NNT = 13-102). Por isso, o rastreamento é feito na primeira consulta de pré-natal e o tratamento é instituído quando a urocultura é positiva.
A escolha do antibiótico deve considerar a segurança na gestação e o perfil de sensibilidade. São opções adequadas: nitrofurantoína, cefalexina, amoxicilina e fosfomicina. A duração do tratamento é de 7 dias, conforme as diretrizes da IDSA. Após o término, recomenda-se repetir a urocultura para confirmar a erradicação e, se negativa, repetir mensalmente até o final da gestação.
A pegadinha desta questão está em tratar a gestante como uma paciente não gestante: nas mulheres não grávidas, a bacteriúria assintomática geralmente não é tratada, mas na gestação o tratamento é obrigatório. As alternativas A, B e D refletem essa conduta incorreta para a gestante, e a alternativa C é absurda, pois o rastreamento é justamente recomendado no pré-natal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a diferença entre a conduta na população geral e na gestante. Nas mulheres não grávidas, a bacteriúria assintomática não é tratada; na gestante, é. As alternativas A, B e D propõem condutas válidas para não gestantes, mas incorretas para a gestante. A alternativa C é um absurdo, pois o rastreamento é recomendado no pré-natal.
1Rastrear na 1ª consulta
2Urocultura positiva (≥100.000 UFC)
3[+] Tratar 7 dias (amoxicilina etc.)
4Repetir urocultura após término
5Se negativa, repetir mensalmente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Não instituir antibioticoterapia e repetir a urinálise na próxima consulta é conduta incorreta. Na gestante, a bacteriúria assintomática deve ser tratada, pois o risco de pielonefrite e complicações perinatais é alto. Repetir o exame sem tratar não é a conduta apropriada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não instituir antibioticoterapia e encorajar aumento da ingesta hídrica e suco de cranberry é conduta incorreta. Essas medidas não substituem o tratamento antibiótico na gestante. A bacteriúria assintomática na gestação deve ser tratada com antibiótico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Interromper a urinálise nas consultas pré-natais devido à alta taxa de falsos-positivos é conduta incorreta. O rastreamento de bacteriúria assintomática é recomendado na primeira consulta de pré-natal, pois o tratamento reduz desfechos adversos. A taxa de falsos-positivos não justifica a interrupção do rastreamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Reassegurar a paciente de que a administração de antibióticos não é necessária, a menos que ela desenvolva sintomas, é conduta incorreta. Na gestante, a bacteriúria assintomática deve ser tratada mesmo na ausência de sintomas, pois o risco de pielonefrite e complicações é alto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Tratar a paciente com um ciclo de 7 dias de amoxicilina oral é a conduta apropriada. A gestante com bacteriúria assintomática deve ser tratada com antibiótico por 7 dias, conforme as diretrizes da IDSA. A amoxicilina é uma opção segura e eficaz na gestação.