Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu112833
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Alergia e Imunologia Pediátrica
Em relação aos testes para pesquisa de IgE específica para alimentos, é correto afirmar:
Aos testes para IgE específica in vitro podem distinguir sensibilização de uma alergia verdadeira e ser suficientes para o diagnóstico da alergia alimentar.
Bo valor preditivo negativo (VPN) do teste de puntura (Prick-Test) é maior do que o valor preditivo positivo (VPP), e o teste de puntura pode ser realizado mesmo em lactentes.
Ca retirada dos anti-histamínicos deve ser feita de sete a dez dias antes da realização dos testes de puntura in vivo e no caso dos testes in vitro para evitar sua negatividade.
Dquando a história clínica é sugestiva, é dispensável a pesquisa da IgE específica para confirmar o diagnóstico de alergia alimentar.
Ea dosagem de IgE sérica total elevada confere um alto valor preditivo positivo (VPP) para que os testes específicos sejam também positivos.
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GabaritoB — o valor preditivo negativo (VPN) do teste de puntura (Prick-Test) é maior do que o valor preditivo positivo (VPP), e o teste de puntura pode ser realizado mesmo em lactentes.
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Testes de IgE específica em alergia alimentar
Gabarito: letra B. O teste de puntura (prick test) tem alto valor preditivo negativo (VPN), ou seja, um resultado negativo praticamente exclui a alergia mediada por IgE, enquanto o valor preditivo positivo (VPP) é menor, pois a sensibilização (IgE positiva) nem sempre significa doença clínica. Além disso, o teste pode ser realizado em lactentes, desde que com extratos padronizados e por profissional experiente.
O diagnóstico de alergia alimentar mediada por IgE é um processo que integra história clínica, exame físico e testes complementares. Nenhum teste isolado — seja o prick test, a dosagem de IgE específica sérica ou a IgE total — é suficiente para fechar o diagnóstico. A sensibilização, detectada por esses exames, indica apenas que o paciente possui IgE contra aquele alimento, mas não confirma que a exposição causará sintomas. A confirmação exige a correlação entre a exposição ao alimento e o aparecimento dos sintomas, muitas vezes com a realização de teste de provocação oral, considerado o padrão-ouro.
O prick test é um teste cutâneo de leitura imediata, que detecta a presença de IgE específica ligada a mastócitos na pele. Quando o extrato alergênico é aplicado e a pele é punturada, a liberação de histamina causa uma pápula e eritema. Sua principal vantagem é o alto VPN: um resultado negativo tem grande probabilidade de excluir alergia mediada por IgE, o que é clinicamente muito útil. O VPP, por outro lado, é menor, pois muitos pacientes têm teste positivo (sensibilização) sem apresentar sintomas ao ingerir o alimento. Em lactentes, o teste pode ser realizado, embora a reatividade cutânea possa ser menor em crianças muito pequenas, o que reforça a necessidade de interpretação criteriosa.
A dosagem de IgE específica sérica (como o ImmunoCAP) é uma alternativa ao teste cutâneo, útil em situações específicas, como dermatite extensa, uso de anti-histamínicos que não podem ser suspensos ou risco de anafilaxia grave. No entanto, não é superior ao teste cutâneo em termos de acurácia e tem custo mais elevado. A IgE sérica total, por sua vez, é um marcador inespecífico de atopia e não tem valor preditivo para alergia alimentar específica.
A retirada de anti-histamínicos é necessária apenas para os testes cutâneos in vivo, pois essas medicações podem suprimir a resposta da pele, causando resultados falso-negativos. Para os testes in vitro (dosagem de IgE sérica), não há necessidade de suspensão, já que a dosagem é feita no soro e não depende da reatividade cutânea.
A história clínica é fundamental, mas não dispensa a confirmação por testes. Uma história sugestiva, sem confirmação por teste de IgE específica ou provocação oral, pode levar a diagnósticos incorretos e restrições alimentares desnecessárias. Por outro lado, um teste positivo sem história compatível também não confirma alergia.
A grande pegadinha desta questão é a confusão entre sensibilização e alergia verdadeira. A banca explora a ideia de que um teste positivo (seja prick ou IgE específica) é suficiente para o diagnóstico, quando na verdade ele apenas indica sensibilização. O diagnóstico de alergia alimentar exige a correlação clínica, e o teste de provocação oral é o padrão-ouro.
Testes de IgE em alergia alimentar
1Prick test (in vivo)
Alto VPN (negativo exclui)
VPP menor (sensibilização ≠ alergia)
Pode ser feito em lactentes
Suspender anti-histamínicos antes
2IgE específica sérica (in vitro)
Detecta sensibilização, não alergia
Útil se não pode suspender anti-histamínico
Não exige suspensão de anti-histamínico
3IgE total
Inespecífica (atopia)
Sem valor preditivo para alergia alimentar
4Diagnóstico definitivo
Correlação clínica + teste
Padrão-ouro: provocação oral
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os testes in vitro podem distinguir sensibilização de alergia verdadeira e ser suficientes para o diagnóstico. Isso é falso: os testes de IgE específica (in vitro ou in vivo) detectam apenas a sensibilização, não a doença clínica. A distinção entre sensibilização e alergia exige a correlação com a história clínica e, idealmente, o teste de provocação oral. Um teste positivo isolado não confirma alergia alimentar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O VPN do prick test é, de fato, maior que o VPP. Um resultado negativo tem alto valor para excluir alergia mediada por IgE, enquanto um resultado positivo pode ocorrer em pacientes apenas sensibilizados, sem sintomas. Além disso, o teste pode ser realizado em lactentes, desde que com técnica adequada e extratos padronizados. A literatura confirma que o teste cutâneo é exequível e útil mesmo em crianças pequenas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A retirada de anti-histamínicos é necessária apenas para os testes cutâneos in vivo (prick test), pois essas drogas podem suprimir a resposta da pele e causar falso-negativos. Para os testes in vitro (dosagem de IgE sérica), não há necessidade de suspensão, pois a dosagem é feita no soro e não depende da reatividade cutânea. A alternativa erra ao afirmar que a suspensão é necessária também para os testes in vitro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A história clínica é essencial, mas não dispensa a confirmação por testes. Uma história sugestiva, sem confirmação por IgE específica ou provocação oral, pode levar a erro diagnóstico. O diagnóstico de alergia alimentar exige a demonstração de IgE específica (por teste cutâneo ou sérico) e a correlação com os sintomas. A alternativa está incorreta ao afirmar que a pesquisa de IgE é dispensável.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dosagem de IgE sérica total é um marcador inespecífico de atopia e não tem valor preditivo para alergia alimentar específica. Uma IgE total elevada não confere alto VPP para que os testes específicos sejam positivos, pois muitos pacientes com IgE total elevada não têm alergia alimentar, e pacientes com alergia podem ter IgE total normal. A IgE total não deve ser usada para predizer a positividade de testes específicos.