Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu112836
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Alergia e Imunologia Pediátrica
A mãe de um menino de 9 anos relata que ele apresenta, desde os 5 anos de idade, sintomas oculares persistentes, com piora entre setembro e dezembro. No momento, apresenta prurido ocular, ardor, lacrimejamento constante e vermelhidão nos olhos; algumas vezes não consegue abrir os olhos. Ao exame dos olhos, notam-se nódulos na região límbica e hiperemia conjuntival. Faz seguimento com oftalmologista e vem usando colírios à base de corticoides. Apresenta também sintomas de rinite alérgica.O mais provável diagnóstico dos sintomas oculares desse paciente é
Aconjuntivite alérgica perene.
Bceratoconjuntivite primaveril.
Cblefarodermatite de contato.
Dconjuntivite alérgica sazonal.
Econjuntivite papilar gigante.
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GabaritoB — ceratoconjuntivite primaveril.
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Ceratoconjuntivite primaveril: diagnóstico diferencial das conjuntivites alérgicas
Gabarito: letra B. O quadro descrito — menino de 9 anos, sintomas oculares persistentes desde os 5 anos, piora sazonal entre setembro e dezembro, prurido intenso, lacrimejamento, hiperemia conjuntival e, sobretudo, nódulos na região límbica — é a apresentação clássica da ceratoconjuntivite primaveril (VKC), a forma mais grave de alergia ocular, que acomete preferencialmente meninos em idade escolar e tem forte associação com rinite alérgica. O achado de nódulos límbicos (papilas gigantes no limbo) é o marcador clínico que fecha o diagnóstico e o distingue das demais conjuntivites alérgicas.
A ceratoconjuntivite primaveril (do inglês vernal keratoconjunctivitis — VKC) é uma doença alérgica ocular crônica, bilateral, mediada por mecanismos de hipersensibilidade tipo I (IgE) e tipo IV (células T), que afeta tipicamente meninos entre 5 e 15 anos, com história pessoal ou familiar de atopia (rinite alérgica, asma, eczema). O nome "primaveril" vem da tendência de exacerbação na primavera e no verão, mas a doença pode ter caráter perene em climas quentes — no Brasil, a piora costuma ocorrer entre setembro e dezembro, exatamente o padrão sazonal relatado no caso. A inflamação envolve a conjuntiva tarsal superior e/ou o limbo, e o achado patognomônico são as papilas gigantes (cobblestones) na conjuntiva tarsal ou os nódulos gelatinosos no limbo (nódulos de Horner-Trantas), que são acúmulos de eosinófilos e células epiteliais. O prurido intenso é o sintoma mais característico, acompanhado de lacrimejamento, fotofobia, sensação de corpo estranho e secreção mucosa espessa. O tratamento envolve estabilizadores de mastócitos, anti-histamínicos tópicos, e nos casos moderados a graves, corticoides tópicos — como o paciente já usa — sob supervisão oftalmológica, pelo risco de glaucoma, catarata e infecções herpéticas. A doença costuma ter remissão espontânea após a puberdade, mas pode causar complicações corneanas (úlceras, neovascularização, cicatrizes) se não tratada adequadamente.
O diagnóstico diferencial das conjuntivites alérgicas é um ponto central na prática clínica e na prova. As principais entidades são: conjuntivite alérgica sazonal (SAC) e perene (PAC), que são as formas mais comuns e leves, sem acometimento corneano e sem papilas gigantes; ceratoconjuntivite atópica (AKC), que ocorre em adultos com dermatite atópica e tem curso mais crônico e grave; conjuntivite papilar gigante (GPC), associada ao uso de lentes de contato ou próteses oculares, com papilas na conjuntiva tarsal superior; e a ceratoconjuntivite primaveril, que se distingue pela idade de início (crianças), pela sazonalidade e pelos nódulos límbicos. A blefarodermatite de contato é uma dermatite de contato alérgica das pálpebras, geralmente por cosméticos ou colírios, com eczema palpebral, sem o padrão de papilas límbicas. A tabela abaixo resume as diferenças:
Critério
VKC (Primaveril)
SAC/PAC
GPC
Blefarodermatite de contato
Idade típica
Crianças (5-15 anos)
Qualquer idade
Adultos usuários de LC
Qualquer idade
Sazonalidade
Sim (primavera/verão)
SAC: sazonal; PAC: perene
Não
Não
Papilas gigantes
Sim (tarsais ou límbicas)
Não
Sim (tarsais)
Não
Nódulos límbicos
Sim (Horner-Trantas)
Não
Não
Não
Acometimento corneano
Possível (úlceras, neovascularização)
Raro
Raro
Não
Associação atópica
Rinite, asma, eczema
Rinite, asma
Atopia variável
Dermatite de contato
A pegadinha da questão está em distinguir a VKC das formas mais comuns de conjuntivite alérgica (sazonal e perene). O candidato que se fixa apenas na sazonalidade (setembro a dezembro) pode ser tentado a marcar a letra D (sazonal), mas a presença de nódulos límbicos e a idade pediátrica são os dados que apontam para a forma mais grave e específica. A conjuntivite alérgica sazonal e a perene não produzem nódulos límbicos nem papilas gigantes — são formas mais leves, com hiperemia e prurido, mas sem o comprometimento límbico característico da VKC. A conjuntivite papilar gigante (letra E) também apresenta papilas, mas em usuários de lentes de contato, e não tem o padrão límbico nem a sazonalidade. A blefarodermatite de contato (letra C) é uma dermatite palpebral, não uma conjuntivite, e não explica os nódulos límbicos. A conjuntivite alérgica perene (letra A) não tem a sazonalidade nem os nódulos límbicos.
Guarde o par idade pediátrica + nódulos límbicos + sazonalidade como a tríade que decide a VKC: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Conjuntivites alérgicas
1Formas leves
Sazonal (SAC)
Perene (PAC)
2Formas graves
Ceratoconjuntivite primaveril (VKC)
Crianças (5-15 anos)
Nódulos límbicos (Horner-Trantas)
Sazonal (primavera/verão)
Ceratoconjuntivite atópica (AKC)
Adultos com dermatite atópica
3Outras
Papilar gigante (GPC)
Usuários de lentes de contato
Blefarodermatite de contato
Eczema palpebral
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A conjuntivite alérgica perene (PAC) é uma forma crônica de alergia ocular, com sintomas durante todo o ano, sem a sazonalidade descrita (piora entre setembro e dezembro). Além disso, não apresenta nódulos límbicos — o achado é de hiperemia e quimiose, sem papilas gigantes ou comprometimento límbico. O paciente tem piora sazonal e nódulos límbicos, o que afasta a PAC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ceratoconjuntivite primaveril (VKC) é a forma grave de alergia ocular que acomete meninos em idade escolar, com forte associação atópica (rinite alérgica), sintomas sazonais (piora na primavera/verão — no Brasil, setembro a dezembro) e o achado característico de nódulos límbicos (nódulos de Horner-Trantas) e/ou papilas gigantes tarsais. O prurido intenso, o lacrimejamento e a necessidade de corticoides tópicos completam o quadro. Todos os elementos do caso — idade, sexo, sazonalidade, nódulos límbicos e rinite associada — apontam para a VKC.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A blefarodermatite de contato é uma dermatite alérgica de contato que afeta as pálpebras, geralmente por cosméticos, colírios ou outros alérgenos de contato. O quadro é de eczema palpebral (eritema, descamação, prurido), sem o envolvimento conjuntival com nódulos límbicos. O paciente não tem história de exposição a agentes de contato e apresenta achados conjuntivais típicos de alergia ocular, não dermatite palpebral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A conjuntivite alérgica sazonal (SAC) é a forma mais comum de alergia ocular, com sintomas sazonais (pólen) e prurido, hiperemia e lacrimejamento. No entanto, é uma forma leve, sem nódulos límbicos nem papilas gigantes, e não costuma exigir corticoides tópicos de forma contínua. A presença de nódulos límbicos e a gravidade do quadro (dificuldade de abrir os olhos) indicam a forma mais grave, a VKC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A conjuntivite papilar gigante (GPC) é caracterizada por papilas gigantes na conjuntiva tarsal superior, mas está associada ao uso de lentes de contato, próteses oculares ou suturas expostas. Não tem a sazonalidade descrita, não apresenta nódulos límbicos e não é típica de crianças sem uso de lentes. O paciente não usa lentes de contato e tem o padrão límbico, o que afasta a GPC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a ceratoconjuntivite primaveril e as formas mais comuns de conjuntivite alérgica. O candidato que se fixa apenas na sazonalidade (setembro a dezembro) pode marcar a letra D (sazonal), mas a presença de nódulos límbicos e a idade pediátrica são os dados que apontam para a VKC. A SAC e a PAC não produzem nódulos límbicos — esse achado é o diferencial que separa a VKC das demais. Fique atento: na prova, a presença de nódulos límbicos ou papilas gigantes em criança com sintomas sazonais é a chave para a VKC.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as conjuntivites alérgicas na prova, monte um quadro mental com três eixos: idade (criança → VKC; adulto com dermatite atópica → AKC; adulto usuário de LC → GPC), sazonalidade (sazonal → SAC; perene → PAC; sazonal em criança → VKC) e achados ao exame (nódulos límbicos → VKC; papilas tarsais → GPC; eczema palpebral → blefarodermatite). A tríade "criança + sazonalidade + nódulos límbicos" é praticamente diagnóstica de VKC.