Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu112844
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Alergia e Imunologia Pediátrica
Um adolescente apresenta prurido e lesões urticariformes pequenas e evanescentes na pele da região dos membros superiores, do tronco e do rosto há um ano, que aparecem após exercícios físicos e nos dias mais quentes. No início, melhoravam com banhos mais frios, mas o paciente tem necessitado usar levocetirizina 5 mg uma vez dia, e os pruridos e as lesões vêm permanecendo por mais tempo e com mais frequência nos últimos seis meses.Qual o diagnóstico mais provável e a melhor opção terapêutica para esse caso, respectivamente?
AUrticária crônica espontânea e associar montelucaste 10 mg/dia.
BUrticária vasculítica e iniciar prednisolona 20 mg/dia.
CUrticária crônica induzida e associar omalizumabe 300 mg quinzenal.
DUrticária colinérgica e aumentar de duas a quatro vezes a dose do anti-histamínico.
EUrticária crônica espontânea e associar anti-histamínicos anti-H2.
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GabaritoD — Urticária colinérgica e aumentar de duas a quatro vezes a dose do anti-histamínico.
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Urticária colinérgica: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra D. O quadro descrito — lesões urticariformes pequenas e evanescentes, desencadeadas por exercício físico e calor, com duração superior a seis semanas — é classicamente compatível com urticária colinérgica, e a conduta de primeira linha, quando o anti-histamínico em dose padrão é insuficiente, é aumentar a dose em até quatro vezes, conforme as diretrizes de urticária. As demais alternativas ou erram o diagnóstico ou propõem terapias que não são a primeira escolha para esse subtipo.
A urticária colinérgica é um subtipo de urticária crônica induzida, desencadeada pelo aumento da temperatura corporal central, como ocorre durante exercícios físicos, banhos quentes ou ingestão de alimentos condimentados. As lesões são tipicamente pequenas (1 a 3 mm), muito pruriginosas, evanescentes e podem coalescer, acometendo tronco e membros. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história de aparecimento após estímulos que elevam a temperatura corporal e na morfologia característica das lesões.
O tratamento de primeira linha para todas as formas de urticária crônica, incluindo a colinérgica, consiste em anti-histamínicos H1 de segunda geração (não sedativos), como a levocetirizina. Quando a dose padrão não controla os sintomas, a recomendação é aumentar a dose em até quatro vezes a dose padrão, antes de considerar terapias de segunda linha, como omalizumabe ou imunossupressores. Essa estratégia é eficaz e segura, sendo a conduta inicial mais adequada no caso descrito.
A distinção entre urticária crônica espontânea e induzida é fundamental. Na espontânea, não há um desencadeante identificável; na induzida, há um estímulo específico, como calor, frio, pressão ou exercício. A urticária colinérgica é uma forma de urticária induzida, e o reconhecimento do gatilho é essencial para o manejo, que inclui evitação do estímulo e farmacoterapia.
A pegadinha da questão está em classificar o quadro como urticária crônica espontânea, quando há um claro desencadeante (exercício e calor), e em propor terapias que não são a primeira linha para o subtipo colinérgico, como omalizumabe ou corticoides sistêmicos. O aumento da dose do anti-histamínico é a conduta correta e mais alinhada às diretrizes atuais.
Critério
Urticária colinérgica (caso)
Urticária crônica espontânea
Urticária vasculítica
Desencadeante
Exercício físico e calor (aumento da temperatura corporal)
Nenhum identificável
Não relacionado a calor/exercício
Morfologia das lesões
Pequenas (1–3 mm), evanescentes, pruriginosas
Pápulas/placas variadas, duram < 24h
Lesões persistem > 24h, deixam máculas residuais, podem ser dolorosas
Duração das lesões
Evanescentes (curta duração)
< 24h
> 24h
Tratamento de primeira linha
Aumentar dose do anti-histamínico H1 (até 4x)
Anti-histamínico H1; se refratário, omalizumabe
Corticoides sistêmicos (em exacerbações)
Urticária crônica
1Espontânea
Sem desencadeante identificável
Omalizumabe se refratária
2Induzida
Colinérgica (calor/exercício)
Lesões pequenas e evanescentes
Aumentar anti-histamínico até 4x
Outros subtipos (frio, pressão)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O diagnóstico de urticária crônica espontânea está incorreto, pois há um desencadeante claro (exercício e calor), caracterizando urticária induzida. Além disso, a associação de montelucaste não é a primeira linha de tratamento para urticária; os anti-histamínicos H1 são a base, e o montelucaste tem papel limitado e não é recomendado rotineiramente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diagnóstico de urticária vasculítica está incorreto. A urticária vasculítica caracteriza-se por lesões que persistem por mais de 24 horas, deixam máculas residuais, podem ser dolorosas e frequentemente cursam com sintomas sistêmicos. No caso, as lesões são evanescentes e desencadeadas por calor/exercício, típicas de urticária colinérgica. O uso de prednisolona como primeira linha não é indicado; corticoides sistêmicos são reservados para exacerbações graves e por curto período.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora o diagnóstico de urticária crônica induzida esteja correto, a conduta de associar omalizumabe 300 mg quinzenal não é a primeira linha. O omalizumabe é uma opção para urticária crônica espontânea refratária a doses altas de anti-histamínicos, não sendo a primeira escolha para urticária induzida, especialmente antes de se tentar o aumento da dose do anti-histamínico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de urticária colinérgica é o mais provável, dado o desencadeamento por exercício e calor, com lesões pequenas e evanescentes. A melhor opção terapêutica é aumentar a dose do anti-histamínico H1 não sedativo (levocetirizina) em até quatro vezes a dose padrão, conforme recomendado pelas diretrizes para urticária crônica não controlada com dose usual. Essa é a conduta de primeira linha antes de considerar terapias de segunda linha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diagnóstico de urticária crônica espontânea está incorreto, pois há um desencadeante identificável. Além disso, a associação de anti-histamínicos H2 não é a conduta de primeira linha para urticária; os anti-histamínicos H1 são a base do tratamento, e a adição de H2 tem evidência limitada e não é recomendada rotineiramente.