Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu112845
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Alergia e Imunologia Pediátrica
O cofator de maior risco para reações anafiláticas graves e/ou fatais é:
Auso de imunoterapia sublingual.
Bpresença de dermatite atópica.
Cpré-escolares do sexo feminino.
Ddosagem de IgE total elevada.
Eníveis séricos elevados de triptase.
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GabaritoE — níveis séricos elevados de triptase.
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Anafilaxia: fatores de risco para reações graves e fatais
Gabarito: letra E. O cofator de maior risco para reações anafiláticas graves e/ou fatais são os níveis séricos elevados de triptase, pois refletem a ativação e degranulação maciça de mastócitos, o mecanismo central da anafilaxia. A triptase é um mediador pré-formado liberado pelos mastócitos e sua elevação sérica está associada a quadros mais graves, sendo um marcador de risco e também um critério diagnóstico. As demais alternativas não representam cofatores de risco estabelecidos para gravidade ou fatalidade da anafilaxia.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade imediata, mediada por IgE, que ocorre quando um indivíduo previamente sensibilizado entra em contato novamente com o antígeno, levando à degranulação de mastócitos e basófilos. Essa degranulação libera mediadores pré-formados, como histamina e triptase, e também mediadores recém-sintetizados, como leucotrienos, prostaglandinas e fator ativador de plaquetas (PAF). A triptase é uma protease neutra abundante nos grânulos dos mastócitos, e sua dosagem sérica é utilizada tanto como critério diagnóstico de anafilaxia quanto como marcador de gravidade. Níveis elevados de triptase sérica basal (triptase sérica total elevada, geralmente > 11,4 ng/mL) podem indicar mastocitose sistêmica clonal, uma condição que confere risco aumentado para reações anafiláticas graves, especialmente por picadas de himenópteros. Além disso, durante uma reação anafilática, a triptase é liberada em grandes quantidades, e sua elevação aguda está correlacionada com a gravidade do quadro.
A epidemiologia da anafilaxia mostra que a incidência é difícil de determinar devido à subnotificação, mas estima-se que ocorra em 4-50 casos por 100.000 habitantes/ano, com prevalência de 0,05% a 2%. Os fatores de risco conhecidos para desenvolver anafilaxia são atopia e episódio prévio de anafilaxia. No entanto, quando se fala em risco de reações graves e/ou fatais, os cofatores que aumentam a gravidade incluem: asma não controlada, uso de betabloqueadores, doenças cardiovasculares, mastocitose e, como marcador, níveis elevados de triptase sérica basal. A triptase elevada é um cofator de risco reconhecido, pois indica uma maior carga de mastócitos ou sua hiperreatividade, o que pode levar a uma degranulação mais intensa e a um quadro clínico mais grave.
É importante distinguir os fatores de risco para desenvolver anafilaxia dos fatores de risco para gravidade/fatalidade. A alternativa E aborda especificamente o risco de gravidade, enquanto as demais alternativas tratam de fatores que não são cofatores de risco estabelecidos para reações graves ou fatais. A banca explora essa distinção, e o candidato deve estar atento ao termo "cofator de maior risco para reações anafiláticas graves e/ou fatais".
Anafilaxia: fatores de risco
1Para desenvolver
Atopia
Episódio prévio
2Para gravidade/fatalidade
Triptase sérica elevada (marcador de risco)
Asma não controlada
Uso de betabloqueadores
Doenças cardiovasculares
Mastocitose
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso de imunoterapia sublingual é um tratamento para alergias respiratórias, como rinite alérgica, e apresenta um perfil de segurança favorável. Embora a anafilaxia seja uma complicação rara da imunoterapia, ela é mais associada à via subcutânea do que à sublingual. A imunoterapia sublingual não é um cofator de risco para reações anafiláticas graves; pelo contrário, é um tratamento que visa reduzir a sensibilização alérgica. O erro da alternativa é sugerir que o tratamento em si seria um fator de risco, quando na verdade o risco de anafilaxia grave está mais relacionado a características do paciente, como asma não controlada ou mastocitose.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A presença de dermatite atópica é uma manifestação de atopia, que é um fator de risco para desenvolver anafilaxia, mas não é um cofator de risco específico para reações graves ou fatais. A dermatite atópica indica um estado atópico, mas não aumenta diretamente a gravidade de uma reação anafilática. A banca pode tentar confundir o candidato associando atopia a gravidade, mas a literatura não estabelece a dermatite atópica como cofator de risco para anafilaxia fatal. O que aumenta a gravidade é, por exemplo, asma não controlada, não a dermatite atópica em si.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pré-escolares do sexo feminino não constituem um grupo de maior risco para reações anafiláticas graves ou fatais. A anafilaxia pode ocorrer em qualquer idade e sexo, e não há evidência de que pré-escolares do sexo feminino tenham maior risco de gravidade. Na população pediátrica, a alergia alimentar é a maior causa de anafilaxia, mas isso não se traduz em maior risco de fatalidade nesse grupo específico. A alternativa é um distrator que não corresponde a nenhum fator de risco estabelecido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dosagem de IgE total elevada é um marcador de atopia, mas não é um cofator de risco para reações anafiláticas graves ou fatais. A IgE total elevada indica um estado atópico, mas não prediz a gravidade de uma reação anafilática. O que importa para a gravidade é a quantidade de mediadores liberados e a resposta do organismo, não o nível basal de IgE total. A banca pode tentar confundir o candidato associando IgE elevada a maior risco, mas a literatura não suporta essa associação para gravidade.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Níveis séricos elevados de triptase são o cofator de maior risco para reações anafiláticas graves e/ou fatais. A triptase é um marcador de ativação de mastócitos, e sua elevação sérica basal indica uma maior carga de mastócitos ou sua hiperreatividade, como na mastocitose. Durante uma reação anafilática, a triptase é liberada em grandes quantidades, e níveis elevados estão correlacionados com a gravidade do quadro. Além disso, a triptase elevada é um critério diagnóstico de anafilaxia e um marcador de risco para reações futuras mais graves. A alternativa está correta ao apontar a triptase como o cofator de maior risco.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre fatores de risco para desenvolver anafilaxia (atopia, episódio prévio) e fatores de risco para gravidade/fatalidade (triptase elevada, asma não controlada, mastocitose). O candidato pode ser tentado a marcar a alternativa D (IgE total elevada) por associar IgE a alergia, mas o correto é a triptase, que reflete a ativação mastocitária e a gravidade potencial da reação. Fique atento ao termo "cofator de maior risco para reações graves e/ou fatais" — ele direciona para a triptase.