Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — VUNESP 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
vu112846
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Alergia e Imunologia Pediátrica
Em relação ao diagnóstico de dermatite atópica (DA), é correto afirmar:
Aos critérios maiores de Hanifin e Rajka incluem prurido, conjuntivite recorrente e presença de IgE específica elevada.
Bos critérios não essenciais do Grupo de Trabalho do Reino Unido incluem prurido nos últimos doze meses e início antes dos 2 anos de idade.
Ca presença de xerose representa critério maior de Hanifin e Rajka e critério menor no Grupo de Trabalho do Reino Unido.
Dsinais e sintomas clínicos podem variar com a idade e a gravidade, mas a presença de prurido deve estar presente.
Eo diagnóstico definitivo deve incluir a presença de mutações do gene da filagrina com ganho de função.
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GabaritoD — sinais e sintomas clínicos podem variar com a idade e a gravidade, mas a presença de prurido deve estar presente.
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Diagnóstico da Dermatite Atópica: critérios de Hanifin e Rajka e do Reino Unido
Gabarito: letra D. O diagnóstico da dermatite atópica (DA) é essencialmente clínico e, embora os sinais e sintomas variem com a idade e a gravidade, o prurido é um sintoma obrigatório — está presente em todos os sistemas de critérios diagnósticos, sendo considerado por muitos autores que "eczema não pruriginoso não deve ser diagnosticado como DA". Essa é a regra central que a alternativa D espelha corretamente.
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, de base imunológica (relacionada à inflamação tipo 2), caracterizada por eczema pruriginoso, xerose e história pessoal ou familiar de atopia. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios padronizados, sendo os mais utilizados os critérios de Hanifin e Rajka (1980) e os critérios do Grupo de Trabalho do Reino Unido (UK Working Party, 1994). Não existe teste laboratorial específico para o diagnóstico; a biópsia e os exames de IgE são usados apenas para excluir diagnósticos diferenciais ou em casos selecionados.
Os critérios de Hanifin e Rajka são divididos em maiores e menores. Para o diagnóstico, exige-se a presença de 3 ou mais critérios maiores e 3 ou mais critérios menores. Os critérios maiores são: (1) prurido; (2) morfologia e distribuição típicas (liquenificação em superfícies flexoras em adultos; envolvimento de face e superfícies extensoras em bebês e crianças); (3) dermatite crônica ou cronicamente recidivante; e (4) história pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite alérgica, DA). Já os critérios menores incluem xerose, ictiose, reatividade imediata em teste cutâneo, IgE sérica elevada, início precoce, tendência a infecções cutâneas, eczema do mamilo, queilite, conjuntivite recorrente, prega de Dennie-Morgan, ceratocone, catarata subcapsular anterior, prurido ao suar, intolerância à lã, entre outros.
Os critérios do Reino Unido são uma versão condensada: o paciente deve apresentar prurido nos últimos 12 meses associado a 3 ou mais dos seguintes: início antes dos 2 anos (em pacientes com mais de 4 anos), história de envolvimento flexural, história de pele seca, história de outra doença atópica (no paciente ou parente de primeiro grau) e dermatite flexural visível. Note que o prurido é o critério central em ambos os sistemas — sem prurido, o diagnóstico de DA não se sustenta.
A apresentação clínica varia conforme a idade: em lactentes (0-2 anos), lesões agudas na face e superfícies extensoras; em crianças e adolescentes (2-16 anos), eczema mais localizado em flexuras com xerose; em adultos, eczema crônico nas mãos, pescoço e tronco superior. A gravidade também influencia a morfologia (aguda, subaguda, crônica). Por isso, a alternativa D está correta ao afirmar que os sinais e sintomas variam, mas o prurido é constante.
A pegadinha da questão está em misturar os critérios dos dois sistemas e em atribuir à genética um papel diagnóstico que ela não tem. A alternativa E, por exemplo, fala em "mutações do gene da filagrina com ganho de função" — na verdade, as mutações associadas à DA são de perda de função (loss-of-function), e mesmo assim não fazem parte dos critérios diagnósticos clínicos. Guarde a fronteira entre o que é critério maior, critério menor e critério do Reino Unido: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Critério
Hanifin e Rajka (1980)
Reino Unido (UK Working Party, 1994)
Critério central/obrigatório
Prurido (1º critério maior)
Prurido nos últimos 12 meses (critério essencial)
Demais critérios
3 ou mais critérios maiores + 3 ou mais critérios menores
Prurido + 3 ou mais dos 5 critérios adicionais
Critérios maiores
Prurido; morfologia/distribuição típica; dermatite crônica recidivante; história pessoal/familiar de atopia
— (não há divisão maior/menor)
Critérios menores
Xerose, IgE elevada, conjuntivite recorrente, início precoce, etc.
— (não há divisão maior/menor)
Critérios adicionais
—
Início antes dos 2 anos; história de envolvimento flexural; história de pele seca; história de atopia (paciente ou parente de 1º grau); dermatite flexural visível
Diagnóstico
Clínico (sem exame genético/laboratorial obrigatório)
Clínico (sem exame genético/laboratorial obrigatório)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os critérios maiores de Hanifin e Rajka incluem prurido, conjuntivite recorrente e IgE específica elevada. O erro está em incluir conjuntivite recorrente e IgE elevada como critérios maiores — ambos são critérios menores. Os critérios maiores são apenas: prurido, morfologia/distribuição típicas, dermatite crônica recidivante e história pessoal/familiar de atopia. A banca trocou critérios menores por maiores.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que os critérios não essenciais do Reino Unido incluem prurido nos últimos 12 meses e início antes dos 2 anos. O erro é duplo: (1) o prurido nos últimos 12 meses é o critério essencial (obrigatório) do sistema do Reino Unido, não um critério não essencial; (2) o início antes dos 2 anos é um dos critérios adicionais (aplicável a pacientes com mais de 4 anos), mas não é "não essencial" — ele é um dos critérios que, junto com o prurido, compõem o diagnóstico. A banca inverteu a hierarquia: o que é essencial virou não essencial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a xerose é critério maior em Hanifin e Rajka e critério menor no Reino Unido. Está invertido: a xerose é critério menor em Hanifin e Rajka (item 1 da lista de menores) e, no Reino Unido, corresponde ao critério "história de pele geralmente seca", que é um dos critérios adicionais (não é chamado de "menor" nesse sistema, mas também não é o critério central). A banca trocou a classificação entre os dois sistemas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta ao afirmar que os sinais e sintomas clínicos podem variar com a idade e a gravidade, mas o prurido deve estar presente. Isso é verdadeiro em todos os sistemas diagnósticos: em Hanifin e Rajka, o prurido é o primeiro critério maior; no Reino Unido, é o critério essencial (prurido nos últimos 12 meses). A literatura reforça que "a presença de eczema não pruriginoso não deve ser diagnosticada como dermatite atópica". A variação clínica por idade (lactente, criança, adulto) e por gravidade (leve, moderada, grave) é amplamente descrita, mas o prurido é a constante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico definitivo deve incluir a presença de mutações do gene da filagrina com ganho de função. Dois erros: (1) as mutações da filagrina associadas à DA são de perda de função (loss-of-function), que comprometem a barreira cutânea; (2) o diagnóstico de DA é clínico — não se baseia em teste genético. A filagrina é um fator de risco e mecanismo fisiopatológico, não um critério diagnóstico. A banca explora o desconhecimento sobre a genética da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a classificação dos critérios entre os dois sistemas (maior × menor, essencial × não essencial) e atribuir ao diagnóstico um exame genético que não faz parte da prática clínica. Fique atento: em Hanifin e Rajka, os maiores são apenas 4 (prurido, morfologia típica, cronicidade, história de atopia); tudo o mais (xerose, IgE, conjuntivite, etc.) é menor. No Reino Unido, o prurido é o critério central — sem ele, não há diagnóstico. E lembre: DA se diagnostica pela clínica, não por genética.
PEGA ESSA DICA!
Para não errar, monte um quadro mental com os 4 critérios maiores de Hanifin e Rajka (prurido, morfologia/distribuição típica, cronicidade, história de atopia) e os 5 critérios do Reino Unido (prurido + início precoce, flexural, pele seca, atopia, dermatite flexural visível). Na prova, quando a alternativa citar um critério, pergunte-se: "isso é maior, menor ou do Reino Unido?" — e desconfie de qualquer menção a exame genético ou laboratorial como critério diagnóstico.
Gabarito: letra D — a única que reflete a regra de ouro do diagnóstico de DA: o prurido é obrigatório, ainda que o quadro clínico varie com idade e gravidade.