Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
vu112853
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Anestesiologia
Paciente de 58 anos, portador de doença arterial coronariana, apresenta parada cardiorrespiratória (PCR) no intraoperatório durante uma cirurgia ortopédica de grande porte. O ritmo identificado no monitor é fibrilação ventricular (FV). O desfibrilador disponível no centro cirúrgico é do tipo bifásico. Após o início imediato da RCP de alta qualidade, a próxima intervenção mais adequada é:
Aadministração de adrenalina 1 mg e desfibrilação com 200 J.
Brealização de desfibrilação com 200 J e administração de amiodarona após o terceiro choque.
Cadministração de amiodarona 300 mg e desfibrilação após 2 minutos de compressões torácicas.
Drealização de desfibrilação com 200 J imediatamente e reinício das compressões torácicas.
Eadministração de lidocaína 100 mg e desfibrilação com 360 J.
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GabaritoD — realização de desfibrilação com 200 J imediatamente e reinício das compressões torácicas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Parada Cardiorrespiratória: Fibrilação Ventricular e Desfibrilação
Gabarito: letra D. Na PCR por FV, a prioridade após o início da RCP de alta qualidade é a desfibrilação imediata com energia adequada (120-200 J no desfibrilador bifásico), seguida do reinício imediato das compressões torácicas — a droga (adrenalina/amiodarona) só entra nos ciclos seguintes, após o segundo choque. Essa sequência segue o algoritmo de Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS) da American Heart Association (AHA) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A fibrilação ventricular é um ritmo cardíaco caótico, no qual o coração não bombeia sangue de forma eficaz, levando à ausência de pulso e à parada cardiorrespiratória. O tratamento definitivo é a desfibrilação elétrica, que interrompe o ritmo caótico e permite que o marca-passo natural do coração retome um ritmo organizado. O tempo é crítico: a cada minuto de FV sem desfibrilação, a chance de sobrevivência diminui em cerca de 7-10%. Por isso, a diretriz é clara: choque o mais rápido possível, e não esperar a administração de medicamentos.
O desfibrilador bifásico, como o do enunciado, utiliza energia de 120-200 J (geralmente 200 J no primeiro choque), enquanto o monofásico usa 360 J. Após o choque, as compressões torácicas devem ser retomadas imediatamente, por 2 minutos, antes de verificar novamente o ritmo. A adrenalina (1 mg) é administrada após o segundo choque, e a amiodarona (300 mg) ou lidocaína (1-1,5 mg/kg) apenas em FV/TV refratárias, ou seja, após o terceiro choque. A lógica é: primeiro, a desfibrilação (que é o tratamento que pode reverter o ritmo); depois, as drogas (que aumentam a chance de o próximo choque funcionar).
A pegadinha desta questão está na ordem das intervenções. O candidato pode ser tentado a administrar adrenalina ou amiodarona antes do choque, mas isso atrasa o tratamento mais eficaz. A alternativa correta (D) reflete exatamente a sequência do algoritmo: RCP de alta qualidade → desfibrilação imediata → reinício das compressões. As demais alternativas erram ao antecipar a administração de drogas, usar energia incorreta para o desfibrilador bifásico, ou atrasar o choque.
Guarde a sequência do algoritmo de FV/TV sem pulso: RCP → Choque → RCP → Verificar ritmo → Choque → RCP + Adrenalina → Choque → RCP + Amiodarona/Lidocaína. É essa ordem que separa a alternativa correta das incorretas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Administrar adrenalina antes do primeiro choque está errado. A adrenalina é um vasopressor que aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e coronariano, mas não reverte a FV. A diretriz recomenda administrá-la após o segundo choque, não antes do primeiro. Além disso, a energia de 200 J está correta para o desfibrilador bifásico, mas a ordem está errada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A desfibrilação com 200 J está correta, mas a amiodarona não é administrada após o terceiro choque. A amiodarona (300 mg) é indicada em FV/TV refratárias, ou seja, após o terceiro choque, mas a alternativa erra ao dizer "após o terceiro choque" sem mencionar que isso só ocorre se a FV persistir. Na verdade, a sequência correta é: choque → RCP → choque → RCP + adrenalina → choque → RCP + amiodarona. A alternativa B omite a adrenalina e a necessidade de RCP entre os choques, e a amiodarona só entra após o terceiro choque, não após o terceiro choque imediatamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Administrar amiodarona antes da desfibrilação é um erro grave. A amiodarona é um antiarrítmico que pode ajudar a estabilizar o ritmo, mas não é o tratamento de primeira linha para FV. A desfibrilação é a prioridade. Além disso, a alternativa sugere "desfibrilação após 2 minutos de compressões", o que atrasa o choque — o correto é desfibrilar imediatamente após o início da RCP.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reflete exatamente o algoritmo de FV/TV sem pulso: desfibrilação imediata com 200 J (energia adequada para o desfibrilador bifásico) e reinício imediato das compressões torácicas. Após o choque, as compressões devem ser retomadas por 2 minutos antes de verificar o ritmo novamente. A adrenalina e a amiodarona são reservadas para os ciclos seguintes, se a FV persistir.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A lidocaína (1-1,5 mg/kg) é uma alternativa à amiodarona em FV/TV refratárias, mas não deve ser administrada antes do primeiro choque. Além disso, a energia de 360 J é para o desfibrilador monofásico, não para o bifásico (que usa 120-200 J). A alternativa erra tanto na droga quanto na energia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao oferecer alternativas que misturam a ordem das intervenções. A pegadinha clássica é antecipar a administração de drogas (adrenalina, amiodarona, lidocaína) antes da desfibrilação, ou usar energia incorreta para o tipo de desfibrilador. Lembre-se: na FV, o choque é o tratamento que pode reverter o ritmo; as drogas são coadjuvantes que aumentam a chance de o próximo choque funcionar. A sequência correta é sempre: RCP → Choque → RCP → Verificar ritmo → Choque → RCP + Adrenalina → Choque → RCP + Amiodarona/Lidocaína.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de PCR, memorize o algoritmo de FV/TV sem pulso como uma sequência fixa: RCP → Choque → RCP → Verificar ritmo → Choque → RCP + Adrenalina → Choque → RCP + Amiodarona/Lidocaína. Na prova, identifique o tipo de desfibrilador (bifásico: 120-200 J; monofásico: 360 J) e a ordem das drogas (adrenalina após o 2º choque; amiodarona/lidocaína após o 3º choque). Isso resolve a maioria das questões sobre o tema.