Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
- Código
- vu112858
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Anestesiologia
- AHalotano.
- BEnflurano.
- CSevoflurano.
- DDesflurano.
- EIsoflurano.
GabaritoD — Desflurano.
Gabarito: letra D. O desflurano é o anestésico inalatório com o menor metabolismo hepático, pois apenas cerca de 0,02% da dose absorvida é biotransformada no fígado, sendo a grande maioria eliminada inalterada pelos pulmões. Essa característica o torna o agente de escolha quando se deseja minimizar a exposição a metabólitos potencialmente tóxicos, especialmente em pacientes com disfunção hepática ou em procedimentos prolongados.
O metabolismo hepático dos anestésicos inalatórios é um dos principais fatores que determinam sua segurança e perfil de uso clínico. Quando um anestésico é metabolizado no fígado, podem ser gerados metabólitos tóxicos, como o ácido trifluoroacético (produzido pelo halotano e, em menor grau, pelo isoflurano e enflurano) e íons fluoreto (liberados pelo sevoflurano). Esses metabólitos podem causar lesão hepática (hepatite por halotano) ou nefrotoxicidade (associada a altas concentrações de fluoreto). Por isso, a escolha do agente inalatório em pacientes com doença hepática ou renal preexistente, ou em cirurgias de longa duração, deve considerar o percentual de metabolismo de cada fármaco.
A ordem crescente de metabolismo hepático entre os anestésicos inalatórios halogenados é: desflurano (0,02%) < isoflurano (0,2%) < sevoflurano (2-5%) < enflurano (2-5%) < halotano (15-20%). O desflurano, por ser o mais resistente à biotransformação, é o que apresenta menor formação de metabólitos e, consequentemente, menor risco de toxicidade hepática e renal. Essa resistência ao metabolismo se deve à sua estrutura química, que contém átomos de flúor que estabilizam a molécula e dificultam a ação das enzimas do citocromo P450.
Na prática clínica, essa diferença é relevante em situações específicas. Por exemplo, em um paciente com insuficiência hepática grave, o uso de halotano seria contraindicado devido ao alto metabolismo e ao risco de hepatite, enquanto o desflurano seria uma opção mais segura. Da mesma forma, em cirurgias prolongadas, o acúmulo de metabólitos do sevoflurano (íons fluoreto) pode ser preocupante, embora a nefrotoxicidade clínica seja rara com os agentes modernos. O desflurano, por sua vez, tem a vantagem de ser eliminado quase que exclusivamente pelos pulmões, o que também contribui para um despertar mais rápido e previsível.
A pegadinha que a banca explora nesta questão é a confusão entre o anestésico mais moderno (sevoflurano) e o de menor metabolismo (desflurano). Muitos candidatos associam "mais moderno" a "menor metabolismo", mas o sevoflurano tem metabolismo de 2-5%, enquanto o desflurano tem apenas 0,02%. Outra confusão comum é pensar que o isoflurano, por ser amplamente utilizado, teria o menor metabolismo, mas ele metaboliza cerca de 0,2%, dez vezes mais que o desflurano. Guarde a ordem exata: desflurano < isoflurano < sevoflurano ≈ enflurano < halotano.
Anestésico Inalatório | Metabolismo Hepático (%) | Característica Principal |
|---|---|---|
Desflurano | 0,02% | Menor metabolismo; eliminado quase inalterado pelos pulmões |
Isoflurano | 0,2% | Metabolismo baixo, porém 10x maior que o desflurano |
Sevoflurano | 2–5% | Metabolismo intermediário; libera íons fluoreto |
Enflurano | 2–5% | Metabolismo semelhante ao sevoflurano; pouco usado |
Halotano | 15–20% | Maior metabolismo; risco de hepatite por ácido trifluoroacético |
O halotano é o anestésico inalatório com o maior metabolismo hepático, cerca de 15-20% da dose absorvida. Seu metabolismo gera o ácido trifluoroacético, responsável pela hepatite por halotano, uma complicação rara, mas grave. A alternativa inverte completamente a ordem, apresentando o agente de maior biotransformação como o de menor.
O enflurano tem metabolismo hepático de aproximadamente 2-5%, semelhante ao do sevoflurano. Embora seja maior que o do desflurano e do isoflurano, não é o menor entre os listados. Além disso, o enflurano é um agente pouco utilizado na prática atual, tendo sido substituído por agentes mais modernos e com melhor perfil de segurança.
O sevoflurano tem metabolismo hepático de 2-5%, o que o coloca em uma posição intermediária na ordem. Embora seja um agente moderno e amplamente utilizado, especialmente em indução inalatória pediátrica, seu metabolismo é significativamente maior que o do desflurano (0,02%) e do isoflurano (0,2%). A banca explora a associação equivocada entre "moderno" e "menor metabolismo".
O desflurano é o anestésico inalatório com o menor metabolismo hepático, com apenas cerca de 0,02% da dose absorvida sendo biotransformada. Essa característica se deve à sua estrutura química estável, que resiste à ação das enzimas hepáticas. A quase totalidade do fármaco é eliminada inalterada pelos pulmões, o que minimiza a formação de metabólitos tóxicos e o torna seguro em pacientes com disfunção hepática.
O isoflurano tem metabolismo hepático de aproximadamente 0,2%, que é dez vezes maior que o do desflurano. Embora seja um agente seguro e amplamente utilizado, não é o de menor metabolismo. A alternativa confunde o isoflurano com o desflurano, que são agentes com propriedades semelhantes, mas com diferenças importantes na biotransformação.
Para memorizar a ordem de metabolismo hepático dos anestésicos inalatórios, use a sequência: Desflurano (0,02%) < Isoflurano (0,2%) < Sevo ≈ Enflurano (2-5%) < Halotano (15-20%). A frase "De Imensa Sorte Escapa Halotano" pode ajudar a fixar a ordem crescente. Na prova, desconfie de alternativas que apresentem o halotano como de baixo metabolismo ou o desflurano como de alto metabolismo — são inversões clássicas.
Gabarito: letra D
Link permanente: /questoes/vu112858