Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
- Código
- vu112863
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Anestesiologia
- AASA I.
- BASA II.
- CASA III.
- DASA IV.
- EASA V.
GabaritoC — ASA III.
Gabarito: letra C. O paciente apresenta doença sistêmica grave (hipertensão em uso de dois anti-hipertensivos, diabetes tipo 2 e insuficiência renal crônica estágio 3), o que o enquadra como ASA III — paciente com doença sistêmica grave, mas sem ameaça à vida. A classificação da American Society of Anesthesiologists (ASA) é a ferramenta padrão para estratificar o risco anestésico-cirúrgico, e a presença de comorbidades controladas, ainda que graves, sem comprometimento funcional imediato, define o status ASA III.
A classificação ASA é um sistema de estratificação do estado físico do paciente, criado pela American Society of Anesthesiologists, que auxilia na avaliação do risco perioperatório. Ela não mede diretamente o risco cirúrgico, mas sim a reserva fisiológica do paciente frente à agressão anestésico-cirúrgica. A classificação é dividida em seis categorias (I a VI), sendo que as cinco primeiras são as mais cobradas em provas:
ASA I: paciente saudável, sem doenças sistêmicas.
ASA II: paciente com doença sistêmica leve, sem limitação funcional (ex.: hipertensão controlada com um anti-hipertensivo, diabetes controlado sem complicações).
ASA III: paciente com doença sistêmica grave, mas sem ameaça à vida (ex.: diabetes com complicações, insuficiência renal crônica, doença cardíaca com limitação funcional).
ASA IV: paciente com doença sistêmica grave que representa ameaça constante à vida (ex.: angina instável, sepse, insuficiência cardíaca descompensada).
ASA V: paciente moribundo, sem expectativa de sobrevivência sem a cirurgia (ex.: ruptura de aneurisma de aorta).
ASA VI: paciente com morte encefálica, doador de órgãos.
No caso apresentado, o paciente de 68 anos tem hipertensão arterial sistêmica em uso de dois anti-hipertensivos, diabetes tipo 2 e insuficiência renal crônica estágio 3. A insuficiência renal crônica estágio 3 (TFG entre 30-59 mL/min/1,73m²) é uma doença sistêmica grave, que impõe limitações e aumenta o risco perioperatório. O leve edema de membros inferiores e a dispneia ao esforço leve, embora sugiram possível disfunção cardíaca, não configuram insuficiência cardíaca descompensada, pois o paciente está estável hemodinamicamente. Portanto, a presença de doença sistêmica grave, mas sem ameaça iminente à vida, classifica o paciente como ASA III.
A distinção entre ASA II e ASA III é um ponto crítico. ASA II é para doença sistêmica leve, sem limitação funcional. ASA III é para doença sistêmica grave, com limitação funcional, mas sem ameaça à vida. No paciente, a combinação de hipertensão com dois anti-hipertensivos, diabetes e IRC estágio 3 configura doença grave, pois a IRC estágio 3 já é uma doença renal crônica estabelecida, com impacto sistêmico. A dispneia ao esforço leve também sugere limitação funcional, reforçando o enquadramento em ASA III.
A pegadinha da banca está em confundir o candidato com a presença de comorbidades comuns (hipertensão e diabetes) que, isoladamente, poderiam ser ASA II. No entanto, a insuficiência renal crônica estágio 3 é o diferencial que eleva o status para ASA III, pois representa doença sistêmica grave. O candidato que não conhece a classificação ASA ou que subestima a IRC pode marcar ASA II, caindo na armadilha.
A banca explora a confusão entre ASA II e ASA III. O candidato pode pensar que hipertensão e diabetes controlados são apenas ASA II, mas a insuficiência renal crônica estágio 3 é uma doença sistêmica grave, que eleva o status para ASA III. Lembre-se: ASA II é doença leve, ASA III é doença grave sem ameaça à vida.
Classificação ASA | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
ASA I | Paciente saudável, sem doença sistêmica | Paciente sem comorbidades |
ASA II | Doença sistêmica leve, sem limitação funcional | Hipertensão controlada com um anti-hipertensivo |
ASA III | Doença sistêmica grave, sem ameaça à vida | IRC estágio 3, diabetes com complicações |
ASA IV | Doença sistêmica grave, com ameaça constante à vida | Angina instável, sepse |
ASA V | Paciente moribundo, sem expectativa de sobrevida sem cirurgia | Ruptura de aneurisma de aorta |
ASA I é para paciente saudável, sem nenhuma doença sistêmica. O paciente tem hipertensão, diabetes e IRC, portanto não se enquadra.
ASA II é para doença sistêmica leve, sem limitação funcional. O paciente tem IRC estágio 3, que é doença grave, e dispneia ao esforço leve, indicando limitação funcional. Portanto, não é ASA II.
ASA III é para paciente com doença sistêmica grave, mas sem ameaça à vida. O paciente tem hipertensão com dois anti-hipertensivos, diabetes tipo 2 e IRC estágio 3, configurando doença grave. A dispneia ao esforço leve e o edema de membros inferiores, sem sinais de descompensação, indicam limitação funcional, mas sem ameaça iminente. Portanto, ASA III é a classificação correta.
ASA IV é para doença sistêmica grave que representa ameaça constante à vida. O paciente está estável hemodinamicamente, sem sinais de insuficiência cardíaca descompensada. Portanto, não é ASA IV.
ASA V é para paciente moribundo, sem expectativa de sobrevivência sem a cirurgia. O paciente está estável, com doença grave, mas não moribundo. Portanto, não é ASA V.
Gabarito: letra C
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