Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu112864
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Anestesiologia
Paciente hipertenso de 45 anos será submetido à ressecção de um meningioma parassagital. Durante a anestesia, para otimizar a perfusão cerebral e reduzir riscos perioperatórios, a conduta mais adequada é:
Areduzir a pressão arterial média para prevenir sangramento.
Baumentar o fluxo sanguíneo cerebral para melhorar a oxigenação.
Cmanter a pressão de perfusão cerebral maior que 60 mmHg, evitando variações bruscas de pressão.
Dpromover vasodilatação cerebral para facilitar a ressecção tumoral.
Erealizar hiperventilação para manter a PaCO₂ abaixo de 25 mmHg.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — manter a pressão de perfusão cerebral maior que 60 mmHg, evitando variações bruscas de pressão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Manejo anestésico em neurocirurgia: pressão de perfusão cerebral
Gabarito: letra C. Em paciente hipertenso submetido à craniotomia para ressecção de meningioma, o objetivo central é manter a pressão de perfusão cerebral (PPC) acima de 60 mmHg, evitando variações bruscas de pressão arterial — isso garante fluxo sanguíneo cerebral adequado e previne isquemia, sem aumentar o risco de sangramento. A PPC é calculada como a diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a pressão intracraniana (PIC), e sua manutenção é o princípio fisiológico que orienta toda a conduta anestésica em neurocirurgia.
A pressão de perfusão cerebral é o gradiente que impulsiona o sangue através do encéfalo: PPC = PAM − PIC. Em condições normais, a autorregulação cerebral mantém o fluxo sanguíneo cerebral (FSC) constante dentro de uma faixa de PAM entre aproximadamente 60 e 150 mmHg. No paciente hipertenso crônico, essa curva de autorregulação está deslocada para a direita, ou seja, ele tolera pressões mais altas, mas é mais vulnerável a quedas bruscas de pressão — que podem levar a isquemia cerebral. Por isso, reduzir a PAM "para prevenir sangramento" (alternativa A) é um erro grave: a hipotensão pode comprometer a perfusão cerebral, especialmente em um cérebro já submetido ao edema e à manipulação cirúrgica.
O manejo anestésico em neurocirurgia busca, portanto, três objetivos interligados: (1) manter a PPC adequada (geralmente > 60 mmHg, ou entre 60–70 mmHg quando há monitorização invasiva da PIC); (2) evitar variações bruscas de pressão arterial, que podem causar tanto hipoperfusão quanto hiperemia e sangramento; e (3) controlar a PIC, evitando fatores que a elevem, como hipercapnia, hipoxemia, hipertermia e posicionamento inadequado da cabeça. A hiperventilação (alternativa E) reduz a PIC por vasoconstrição cerebral, mas deve ser usada com cautela: PaCO₂ abaixo de 25 mmHg causa vasoconstrição excessiva e isquemia cerebral, sendo contraindicada de forma profilática. A vasodilatação cerebral (alternativa D) aumentaria o volume sanguíneo cerebral e a PIC, piorando o edema e dificultando a ressecção tumoral. Já a alternativa B, "aumentar o fluxo sanguíneo cerebral", é um objetivo genérico e impreciso: o que se busca é manter um FSC adequado à demanda metabólica, não aumentá-lo indiscriminadamente, o que poderia elevar a PIC.
Na prática, o anestesiologista monitora continuamente a PAM (idealmente por cateter intra-arterial), a PIC (quando indicado), a capnografia e a oximetria. A PPC é mantida acima de 60 mmHg, e a PAM é ajustada conforme a necessidade, utilizando agentes vasopressores (como fenilefrina ou norepinefrina) para evitar hipotensão, e agentes antihipertensivos de curta duração (como esmolol ou nitroprussiato) para controlar picos hipertensivos. A cabeceira é elevada a 30°, a cabeça mantida centrada para facilitar o retorno venoso, e a PaCO₂ é mantida entre 35 e 40 mmHg (normocapnia), evitando tanto a hipercapnia (que aumenta a PIC) quanto a hipocapnia excessiva (que causa isquemia).
A distinção crucial que a banca explora é entre reduzir a pressão arterial (errado, pois compromete a perfusão) e manter a pressão de perfusão cerebral adequada (correto, pois é o que protege o cérebro). O paciente hipertenso tem autorregulação deslocada, então a PAM deve ser mantida em níveis mais altos do que em normotensos — nunca reduzida agressivamente. A alternativa C captura exatamente esse princípio: manter a PPC > 60 mmHg e evitar variações bruscas de pressão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir "reduzir a pressão arterial" (alternativa A) com "manter a pressão de perfusão cerebral" (alternativa C). No paciente hipertenso, a tentação de "normalizar" a PA é grande, mas isso é justamente o que causa isquemia cerebral. Lembre-se: em neurocirurgia, o alvo não é a PA em si, mas a PPC — e ela depende de manter a PAM em níveis que garantam fluxo, não de reduzi-la.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Reduzir a pressão arterial média para prevenir sangramento é uma conduta perigosa. A hipotensão reduz a PPC e pode causar isquemia cerebral, especialmente em paciente hipertenso com autorregulação deslocada para a direita. O sangramento é controlado por hemostasia cirúrgica, não por hipotensão deliberada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aumentar o fluxo sanguíneo cerebral de forma indiscriminada não é o objetivo. O que se busca é manter um FSC adequado à demanda metabólica, evitando tanto a hipoperfusão quanto a hiperemia (que aumenta a PIC). A alternativa é vaga e não reflete o manejo fisiológico correto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Manter a pressão de perfusão cerebral maior que 60 mmHg, evitando variações bruscas de pressão, é a conduta mais adequada. A PPC = PAM − PIC, e valores > 60 mmHg garantem fluxo sanguíneo cerebral suficiente para evitar isquemia. Evitar variações bruscas protege o cérebro de hipoperfusão e de hiperemia, ambas prejudiciais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Promover vasodilatação cerebral aumentaria o volume sanguíneo cerebral e, consequentemente, a PIC, piorando o edema cerebral e dificultando a ressecção tumoral. A vasodilatação é contraproducente em neurocirurgia, onde se busca controlar a PIC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Realizar hiperventilação para manter a PaCO₂ abaixo de 25 mmHg causa vasoconstrição cerebral intensa e isquemia. A hiperventilação profilática é contraindicada; a PaCO₂ deve ser mantida entre 35 e 40 mmHg (normocapnia). Hiperventilação breve só é considerada em hipertensão intracraniana refratária, nunca como conduta de rotina.