Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu112865
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Anestesiologia
O uso de succinilcolina está associado a risco aumentado de hipercalemia na seguinte condição clínica:
Adoença pulmonar obstrutiva crônica.
Bmiastenia gravis.
Ctrauma com queimaduras extensas após 24 horas.
Ddiabetes tipo 2 com hemoglobina glicada < 5% e glicemia de jejum < 100 mg/dL.
Ehipotireoidismo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — trauma com queimaduras extensas após 24 horas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Succinilcolina e hipercalemia
Gabarito: letra C. A succinilcolina, bloqueador neuromuscular despolarizante, está associada a risco aumentado de hipercalemia em condições que cursam com proliferação de receptores nicotínicos de acetilcolina fora da junção neuromuscular, como ocorre em queimaduras extensas após 24 horas, traumatismos graves, lesões medulares e doenças neuromusculares. A alternativa C é a única que descreve uma dessas condições de risco.
A succinilcolina é um bloqueador neuromuscular despolarizante, ou seja, mimetiza a ação da acetilcolina no receptor nicotínico da placa motora, causando despolarização sustentada e, consequentemente, paralisia flácida. O problema é que, em certas condições clínicas, há um aumento expressivo de receptores nicotínicos de acetilcolina fora da junção neuromuscular (receptores extrajuncionais). Quando a succinilcolina é administrada nesses pacientes, ela age sobre esses receptores extras, causando uma saída maciça de potássio do meio intracelular para o extracelular, podendo levar a uma hipercalemia grave e potencialmente fatal, com risco de arritmias ventriculares e parada cardíaca.
As principais condições que predispõem a essa hipercalemia induzida por succinilcolina são: queimaduras extensas (geralmente após 24-48 horas do trauma), trauma muscular grave, lesão medular (especialmente após 1-2 semanas), imobilização prolongada, doenças neuromusculares (como distrofias musculares, esclerose lateral amiotrófica) e tétano. O mecanismo é o mesmo: a denervação ou a lesão muscular leva à proliferação de receptores nicotínicos extrajuncionais, que respondem de forma exagerada à succinilcolina.
É importante distinguir essa condição da miastenia gravis (alternativa B), que é uma doença autoimune que afeta a junção neuromuscular, mas que não cursa com proliferação de receptores extrajuncionais. Na miastenia, o problema é a destruição dos receptores pós-sinápticos, e o uso de succinilcolina pode levar a uma resposta imprevisível, mas não classicamente à hipercalemia grave. Já a doença pulmonar obstrutiva crônica (alternativa A), o diabetes tipo 2 bem controlado (alternativa D) e o hipotireoidismo (alternativa E) não são condições classicamente associadas ao risco aumentado de hipercalemia por succinilcolina.
A banca explora a confusão entre as contraindicações da succinilcolina. O candidato pode lembrar que a succinilcolina é contraindicada em situações que predispõem à hipercalemia, como insuficiência renal, mas pode não associar as queimaduras extensas a esse risco. A pegadinha está em reconhecer que o risco de hipercalemia não está relacionado a doenças metabólicas ou endócrinas, mas sim a condições que causam denervação muscular ou lesão muscular extensa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo condições clínicas comuns (DPOC, diabetes, hipotireoidismo) que não são contraindicações clássicas da succinilcolina. O erro típico é escolher uma dessas opções por eliminação, sem reconhecer que o risco de hipercalemia está ligado a proliferação de receptores nicotínicos extrajuncionais, que ocorre em queimaduras extensas, trauma grave, lesão medular e doenças neuromusculares. A miastenia gravis (B) é um distrator clássico: embora seja uma doença neuromuscular, o mecanismo é diferente — não há proliferação de receptores extrajuncionais, e o risco principal é de resposta imprevisível, não de hipercalemia grave.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) não é uma condição que predispõe à hipercalemia induzida por succinilcolina. O risco de hipercalemia está associado a condições que causam proliferação de receptores nicotínicos extrajuncionais, como queimaduras, trauma, denervação e imobilização. A DPOC não se enquadra nesse mecanismo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A miastenia gravis é uma doença autoimune que afeta a junção neuromuscular, mas o mecanismo é a destruição dos receptores pós-sinápticos, não a proliferação de receptores extrajuncionais. Embora a succinilcolina possa ter efeito imprevisível na miastenia, o risco de hipercalemia grave não é a principal preocupação. A banca usa essa alternativa como distrator, pois o candidato pode associar erroneamente qualquer doença neuromuscular ao risco de hipercalemia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Queimaduras extensas, especialmente após 24 horas do trauma, são uma contraindicação clássica ao uso de succinilcolina. A lesão muscular extensa leva à proliferação de receptores nicotínicos de acetilcolina fora da junção neuromuscular, e a administração de succinilcolina causa uma saída maciça de potássio do meio intracelular, podendo resultar em hipercalemia grave, arritmias e parada cardíaca. O risco é maior entre 5 e 15 dias após a queimadura, mas já está presente após 24 horas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diabetes tipo 2 com hemoglobina glicada < 5% e glicemia de jejum < 100 mg/dL indica um bom controle glicêmico, sem associação com risco aumentado de hipercalemia por succinilcolina. Embora o diabetes possa estar associado a hipercalemia por outros mecanismos (como acidose tubular renal tipo IV), não é uma contraindicação clássica ao uso de succinilcolina.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo não é uma condição que predispõe à hipercalemia induzida por succinilcolina. Não há proliferação de receptores nicotínicos extrajuncionais nessa condição, e o uso da droga não está contraindicado por esse motivo.